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Sem provas, Polícia encerra investigação sobre pacto suicida

Foto: Filipe Rocha - Barcellos com o inquérito de mais de 400 folhas, em que foram colhidos mais de 40 depoimentos
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Fatos aconteceram em setembro de 2014 e podem ter vitimado duas meninas

“Não podemos negar que tenha havido um grupo nas redes sociais e um pacto para suicídio dos seus integrantes, aqui em Canela e Gramado, por outro lado, não foi possível produzir nenhum tipo de prova que garantisse esses fatos”.
Essa foi uma das falas do delegado de Polícia Civil de Gramado, Gustavo Barcellos, durante entrevista coletiva no final da tarde desta terça, 11.
Barcellos reuniu a imprensa para falar de dois casos, entre eles o suposto pacto suicida que pode ter havido em Canela e Gramado. Na época, setembro de 2014, a Folha de Canela noticiou com exclusividade os fatos.
Duas meninas, uma de 18 anos se enforcou em Canela e outra de 14 anos se enforcou em Gramado. Pelo menos outras três tentativas de suicídio de adolescentes foram registradas e evitadas.
Tudo indicava que havia um grupo formado nas redes sociais, especialmente WhatsApp e Facebook, pelo qual os jovens se comunicavam e tratavam o pacto, que culminaria com o suicídio.

Mais de 20 aparelhos de telefone foram periciados, mas nenhuma prova de que o pacto suicida existiu foi encontrada

Uma investigação policial foi iniciada e acabou ficando a cargo da Delegacia de Gramado.
Segundo Barcellos, foram colhidos depoimentos de 42 pessoas, mais de 20 smartphones foram periciados, inclusive com softwares próprios para este fim.
“Os depoimentos afirmam que o grupo existia e que havia algum tipo de relação entre as meninas que se suicidaram, mas as mensagens ou os grupos podem ter sido deletados e assim ficando impossível recuperar estes dados”.
Barcellos admite que por se tratar de ambiente virtual, tudo fica mais difícil na investigação. “Este foi um dos motivos da demora deste inquérito, não havia para onde ele andar”.
Desta forma, o inquérito será enviado sem indiciamento ao Poder Judiciário e ninguém será responsabilizado.
O delegado ainda salientou a importância das redes de proteção de Canela e Gramado, na época dos fatos, no atendimento às crianças e adolescentes e acompanhando as famílias das vítimas.

Brincadeira de mau gosto
Pouco tempo após os suicídios, a Polícia Civil chegou a identificar dois jovens, moradores de Canela, maiores de idade, que administravam um grupo nas redes sociais que, teoricamente estimulava o suicídio e deixava mensagens ameaçadoras para os integrantes.
Os jovens foram ouvidos e liberados, pois tal grupo surgiu após os fatos, sem nenhuma ligação com as mortes.
Os jovens poderão ser responsabilizados em inquérito separado.