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Morrer pode custar muito caro

E você, como acha que deveria ser feito?
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Em alguns casos, Prefeitura reajustou as taxas do Cemitério Municipal em mais de 300%

Há algum tempo a Folha de Canela tem mostrado em suas páginas a situação do Cemitério Municipal de Canela, que não tem espaço para a construção de novos túmulos.
Enquanto a Prefeitura não encontra uma saída para o problema, resta o Cemitério das Araucárias, que é particular, ou os cemitérios de interior.
Mas não é apenas isso que as famílias enfrentam ao enterrar um ente querido, recentemente, a Prefeitura aumentou todas as taxas de sepultamento.
Os seis itens cobrados para o Cemitério Municipal foram reajustados. Por exemplo, a taxa de sepultamento subiu de R$ 60,00 para R$ 190,14, mais de 300%. Já a taxa de exumação pulou de R$ 118,00 para 253,52, um reajuste de 115%.
Ou seja, se a família já possuir uma capela ou um túmulo em que está sepultado um familiar, gastará R$ 443,66 para enterrar um outro ente querido.
Se não possui, os valores são ainda maiores. O preço de uma gaveta perpétua é de R$ 2.738,02, era R$ 1.700,00 em 2017, ou seja, mil reais de aumento.
Já para o uso de um terreno é cobrado R$ 1.521,12 por metro quadrado, no caso de concessão perpétua.
Existe ainda a possibilidade de alugar uma gaveta por três anos, neste caso, o contribuinte pagará R$ 760,056, valor que era R$ 460,00 em 2017.
E ainda tem o valor da capela para velório.
No centro da cidade, nas capelas do Hospital, os valores são de R$ 440,00 para a sala maior e R$ 390,00 para a sala menor.
No cemitério das Araucárias, da ACM, os valores são de R$ 400,00, R$ 440,00 e R$ 920,00, de acordo com a sala escolhida.
Ou seja, no caso de uma família não ter jazigo gastaria hoje, considerando os menores valores, a bagatela de R$ 3.318,16 entre aluguel de capela, compra de gaveta e taxas de sepultamento.
Isso sem contar o funeral, que custa em torno de R$ 1.800,00 o plano mais em conta, o que elevaria o valor para R$ 5.118,16.
A Folha de Canela entrou em contato com a Prefeitura Municipal para saber o motivo do aumento das taxas, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.

Foto: Francisco Rocha/Arquivo Folha – Taxas foram reajustadas neste ano e tudo praticamente dobrou de valor

Capelas comunitárias também são problema
Independente de sair negócio com a área das capelas comunitárias do Hospital, fica evidente a falta de estrutura no local.
Não são raros relatos de que as capelas apresentam goteiras, estão com bancos quebrados e têm problemas nos sanitários.
Mas, para quem tem menos dinheiro, a coisa é ainda mais difícil.
As capelas do São Lucas, por exemplo, são da associação do bairro, mas mantidas pela ACM. Lá os usuários relatam que a situação é ainda mais precária, inclusive com vidros quebrados, sem falar na falta de segurança para quem vai passar a noite velando um familiar.
No São Lucas, o custo de aluguel da capela é de R$ 150,00.
Resta, ainda, a capela comunitária da Santa Marta, a qual é mantida pela associação de bairros e cobra apenas uma taxa para utilização.

Auxílio-funeral não cobre os custos
Além disso, muitas famílias carentes têm que contar com o auxílio-funeral, realizado pela Secretaria Municipal de Assistência Social.
Tal auxílio deveria ser de R$ 1.000,00, mas. Na maioria dos casos a Prefeitura repassa apenas R$ 500,00 e a família é obrigada a arcar com os demais custos.
Como informado nesta matéria, o serviço mais barato custa R$ 1.800,00. Desta forma, as funerárias acabam dando desconto e fazendo o serviço assistencial que o Município não faz.

Foto: Francisco Rocha/Arquivo Folha – Uma gaveta no Cemitério Municipal custa R$ 2.738,02

Hospital deve permutar capelas do centro por construção de nova ala

Anúncio foi feito em reunião que discutia o mau estado das capelas mortuárias comunitárias

Uma reunião realizada na manhã da última segunda, 23, na Câmara de Vereadores, externou a preocupação dos mesmos com a situação das capelas mortuárias do centro e ainda abriram um impasse que logo vai entrar na pauta da política municipal.
As atuais capelas mortuárias da Rua Augusto Pestana, esquina da Teixeira Soares, são de propriedade do Hospital de Caridade de Canela. Há alguns anos, o Lions Clube realizou uma reforma no local que foi cedido à ACM – Associação Cristã de Moços, para que administrasse o uso e fizesse as reformas necessárias.
Segundo alguns canelenses, e foi o que motivou a reunião na Câmara, as capelas não apresentam condições ideias para a realização de velórios.
Presente na reunião, Antônio Saldanha, presidente do HCC revelou que a área deve ser oferecida, nos próximos dias, para uma permuta por área construída, logo, o local deixará de abrigar as capelas mortuárias.

Foto: Filipe Rocha – Área das capelas serão oferecidas para permuta por construção de nova ala do HCC

Ou o Hospital aberto ou as capelas
Saldanha explicou que o Hospital deve mais de R$ 1,2 milhão ao Governo do Estado, de uma verba da Consulta Popular que deveria ter sido usada na construção da nova urgência/emergência.
Porém, tal dinheiro foi aplicado em parte do PPCI – Plano de Prevenção Contra Incêndio do Hospital e na folha de pagamento, em gestões anteriores.
Sem entrar no mérito do uso do dinheiro, o presidente disse que, como o Hospital usou essa verba e não terminou a obra, foi intimado pelo Governo do Estado a devolver o valor corrigido e incluído no CADIN – Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal, uma espécie de Serasa, ou SPC de órgãos públicos.
Através de uma negociação com o Governo do Estado, o Hospital obteve prazo para devolver o dinheiro ou terminar a obra até 2021.
A solução encontrada pela administração, em conjunto com o conselho comunitário, foi dispor da área onde estão as capelas, para uma empresa ou empreendedor, que, em troca do imóvel, construa ou pague a construção da nova ala do Hospital.
Saldanha frisa que, logo, um edital de concorrência deve ser publicado, divulgando as normas em que tal permuta deve acontecer.
O valor da venda ou permuta, deverá necessariamente passar por uma conta bancária da Consulta Popular e aplicado exclusivamente na finalização da nova ala.
“A comunidade deve saber que esta construção representa um grande avanço para a área da saúde. Serão mais 16 leitos para o SUS, uma nova urgência/emergência, com exames laboratoriais em imagem”, diz Saldanha.
Segundo o administrador do Hospital, se não for negociada a área da capela, além de a comunidade perder esta obra, o hospital terá de desembolsar os R$ 1,2 milhão.

Foto: Francisco Rocha – Ou o hospital termina a construção ou devolve R$ 1,2 milhão ao Governo do Estado

ACM diz que aguarda definição sobre as capelas
A ACM, através de seu diretor, Jesus Mostaceros, diz que ainda não investiu nas capelas, no que diz respeito à reformas, pois a instituição aguarda uma definição sobre o futuro da área das capelas e que o custo de manutenção do local é muito alto, o que eleva também o valor de locação.

A grande questão
Ao final, fica a questão: de quem é a responsabilidade de oferecer um serviço de capelas comunitário? Como o poder público pode e vai ajudar nesse impasse?
Afinal, o Hospital, para sobreviver, deve receber novos recursos e seu objetivo é atender à saúde da comunidade.

Reunião na Câmara mostrou preocupação com local onde a comunidade possa realizar velórios