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360Graus, por Francisco Rocha: Era uma vez; nem tudo são espinhos e nós pagamos à conta

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Era uma vez I
Você já deve ter ouvido a música “Era uma vez”, da Kell Smith. Sucesso no Brasil, a canção, claro, fala de amor, mas tem uma frase muito interessante: é que a gente quer crescer e quando cresce quer voltar do início…
E o que isso tem a ver com Canela?
Simples, nossa cidade vive uma onda positivista, de investimentos e projeção econômica, estamos crescendo.
Neste compasso, alguns canelenses parecem não gostar de como as coisas estão… com prédios novos surgindo no centro, com o aumento do fluxo de veículos e até mesmo das mudanças em espaços públicos.
Parece que alguns preferem Canela de anos atrás, crescemos e eles querem voltar do início. Mas, aí vem a constatação, não dá mais, não tem volta. Não dá mais para ser vilão e herói no mesmo dia, como diz a canção.
A realidade que bate em nossa porta, por um lado é muito boa, com crescimento turístico e econômico, por outro, com todas as mazelas que este desenvolvimento traz. Só que agora, caro leitor, não dá mais pra voltar do início ou brincar de era uma vez…

Era uma vez II
Nossa reportagem especial desta semana traz a questão do fluxo migratório e tudo o que vem com ele. Essas pessoas que vêm para Canela buscam melhor padrão de vida e sonham com um mundo de algodão. Acabam se deparando com um inflado mercado de trabalho, com um dos maiores custo de vida do Estado e acabam na informalidade.
Com isso, vemos ambulantes pelo centro, invasões em espaços públicos e por aí vai. Sem falar na falta de educação ambiental.
Nós canelenses nativos somos melhores que eles? Não, clero, mas somos acostumados com Canela e como se vive por aqui. Fomos nós que construímos essa terra.
Fica a pergunta de um milhão de URM (Unidade Real de Valor do Município): estamos preparados para isso?
Está a Prefeitura combatendo as invasões ou apenas apagando incêndios, tentando regularizar parte dos loteamentos irregulares?
Se a Prefeitura está combatendo os ambulantes, porque tropeçamos em vários deles a luz do dia a apenas três quadras da Prefeitura?
Podemos conceber que uma funcionária de alto escalão da Prefeitura esteja ligada a catadores irregulares?

Nem tudo são espinhos
Nestes fluxos migratórios recebemos pessoas como o casal empreendedor a frente do Media Luna, que veio de Porto Alegre para abrir um espaço gastronômico diferenciado em Canela.
Ações como a revitalização do trem, que caminha num ritmo que só a iniciativa privada pode dar, com previsão de chegada da maria fumaça, novinha em folha, para setembro, e o projeto da Praça, que está ficando maravilho, nos mostram que é possível acertar.
Canela segue sendo a bola da vez, mas chegou o momento de aceitarmos que crescemos e agora agir como tal.
Esse controle de qual cidade queremos ser, depende do poder público. É chegado o momento de a Prefeitura se colocar no seu lugar de fiscalizadora e coibir tudo o que de irregular está acontecendo em Canela. Isso se chama planejar e executar.

Nós pagamos a conta
Sabe quem paga essa conta? O cidadão que gera renda, que produz, que trabalha, que empreende, que paga pesados impostos. Esse cidadão merece mais.
Canela tem essa mania chata e feia de trabalhar na contramão do cidadão de bem (com a ressalva das forças de segurança).
É inconcebível um vereador, por exemplo, querer defender invasões ou trabalho irregular, logo ele que foi eleito para fiscalizar a Prefeitura e para garantir que tudo saia dentro da legalidade.
Precisamos avançar sim, crescer, empreender, mas precisamos ter coragem de resolver estes problemas, que para a maioria dos políticos são impopulares.
F*%@#-se, foram eleitos para isso.