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360Graus, por Francisco Rocha: Semana atípica, País segregado e Pavões

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Edição reduzida > Bom dia caro leitor. Você recebe hoje uma edição impressa reduzida da Folha de Canela. Foi a opção que tomamos no início desta semana, por não ter uma visão clara do que aconteceria até aqui com a greve dos motoristas de caminhão e com um feriado na quinta-feira.
Temos compromisso com nossos leitores e anunciantes. As publicações legais que você encontra aqui na Folha precisam ser publicadas. Não poderíamos deixar de colocar na rua mais esta edição, mas decidimos por um número menor de páginas em razão de toda uma logística de transporte.
É uma decisão a ser tomada já no início da semana e mantivemos ela.
Na semana que vem, voltaremos com nossa edição normal.
Até lá e boa leitura!

Semana atípica > Assim como todos os brasileiros, tivemos uma semana atípica. Muitas notícias surgindo a todo momento e muita notícia falsa.
Focamos nossos esforços para as plataformas digitais com diversas transmissões ao vivo e tentando de maneira responsável informar a população da região do que estava acontecendo em nossas cidades.
Desde o final da tarde de quarta, 30, quando as manifestações e bloqueios enfraqueceram e encerraram, a vida começou a voltar ao normal, dentro do que se esperava.
Agora, a conta vai chegar.

País segregado I > Quem acompanhou as manifestações, e os diversos pedidos que vinham com elas, deve ter observado que somos um país segregado. Diversos pedidos de várias ordens, passando pelo “fora Temer” até vontade de uma intervenção militar.
Quando nem mesmo os manifestantes conseguem se unir em torno de uma causa comum, mesmo que todas suas reclamações sejam legítimas, fica difícil ir a algum lugar.
Escrevi, na semana passada, que somente duas pessoas podem fazer esse país melhorar: eu e você.
Claro que isso passa pelas eleições de outubro.
Ontem, na manifestação, uma moça pintada de verde e amarelo me dizia que iria votar nulo. Perguntei a ela o motivo, me respondeu que seria uma forma de protesto.
Expliquei a ela que a não participação ajuda os piores a voltar ao poder.
Está osca a situação, eu sei. Temos poucas opções para voto. Mas temos que fazer mais. Não reeleger o máximo de políticos, estudar, pesquisar sobre os candidatos.
O governo não se faz apenas de um presidente.
Isso vale para os deputados federais e estaduais, senadores, governador. Até mesmo aqui, na cidade, prefeito, vereadores. Todos eles fazem parte deste círculo.
Precisamos escolher, nem que seja o “menos pior”.

País segregado II > Em outro momento, uma menina que organizou um dos protestos perguntou qual minha opinião sobre a causa que ela defendia. Respondi protocolarmente: não posso emitir opinião, sou um jornalista. Mas, aqui, neste espaço que é de opinião, eu posso. Sempre achei justa a manifestação de todos nesta semana que passou, porém, não podemos esquecer de quem estava do outro lado da corda e, pasmem meus amigos, não era o governo. É compreensível e muito justa a preocupação de empresários que já estavam tendo o prejuízo com a greve e vão continuar pagando essa conta, junto com o povo, por muito tempo ainda.

Pavões > Por outro lado, como dizia meu amigo Marcão Viezzer, muita gente queria tirar proveito de toda essa situação. Enquanto alguns militantes contrários ao governo faziam piada e riam do caos, outros políticos aproveitavam para selfies, fotos e transmissões ao vivo, junto aos manifestantes, como “legítimos representantes do povo”.
Aham, sei… Queria saber se algum destes vereadores paralisou e não foi a sessão de segunda. Claro que não, né? Iria ter seu “dia” descontado.
Mas, como dizia minha vó, fazer continência com o boné dos outros é fácil.

Vamos sobreviver > O Governo vai tentar continuar a fazer o que vem fazendo desde que assumiu com a queda de Dilma, salvar a própria pele.
Já os caminhoneiros, mostraram que têm força e conseguiram 80% das suas reivindicações. Já o prejuízo da greve, nos próximos capítulos vamos ver o preço que pagaremos. Vamos sobreviver, assim como em 2013, mas como, ninguém sabe ao certo.
Estamos por conta neste país, infelizmente!