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Canela e região necessitam de um novo centro de eventos?

Foto: Francisco Rocha - Para Zorzanello, a região perde eventos por não ter um centro de eventos para mais de 1500 pessoas
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A construção de um novo hotel poderia ser prejudicial à cidade?
Presidente do Convention & Visitors Bureau responde estas e outras dúvidas, em relação ao projeto que tramita na Câmara de Vereadores para a cedência do Parque do Palácio

Uma das dúvidas da comunidade canelense sobre a cedência do Parque do Palácio para a construção de um centro de convenções e um hotel, alvo de projeto de lei que está em discussão da Câmara de Vereadores, é se existe a necessidade de um novo local para a realização de eventos, tão próximo do atual centro de feiras de Canela.
A reportagem da Folha foi tentar encontrar resposta para essa questão com o presidente do Convention & Visitors Bureau da Região das Hortênsias, Eduardo Zorzanello, que também é CEO da Rossi & Zorzanello, uma das mais importantes empresas de evento do país.
O Convention realiza a captação de eventos para a Região, principalmente no segmento de turismo de Negócios. Segundo Zorzanello, a entidade sabe que este é um ponto de discussão muito pautado na região. “Falando especificamente de Canela, acreditamos ser necessário, afinal, nos últimos 18 anos o Convention elencou um banco de dados de eventos, com um volume gigantesco, que poderiam vir para a região e deixaram de ser realizados aqui pela falta de infraestrutura local”.
O que é defendido pelo Conventio, independente do local em Canela, é que haja um centro de eventos que comporte em torno de 5.000 pessoas em formato de auditório e possa receber no mesmo local essas 5.000 pessoas em salas modulares ou compartimentadas, ou seja, um espaço para atender de maneira simultânea, em um congresso médico, por exemplo, uma planária para 3.000 participantes e paralelamente quatro a cinco salas de 400 a 500 pessoas cada.
O que estamos vendo, ao nível nacional, falando um pouco de competitividade, é que destinos tradicionais, como Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, São Paulo, Fortaleza e Curitiba, que competem como nossa região para receber esses eventos, levam vantagem e nós acabamos perdendo de realizar esses eventos em períodos de baixa temporada, que poderiam trazer o equilíbrio da sazonalidade”.
Além disso, segundo o CEO, o turista de negócios gasta em média três vezes mais que um turista tradicional. “Canela poderia abrigar esse centro de eventos que nossa região está carente”.
Quanto à construção de um hotel junto ao centro de eventos, Zorzanello defende que passa pela viabilidade do negócio. “O que não dá é protelar esse assunto e não ter um centro de eventos por não poder abrigar um outro equipamento, neste caso um hotel. Defendemos que a célula principal seja o centro de eventos, se vier algo que possa complementar e auxiliar no crescimento do turismo e criar empregos. Primordial, é superarmos estes 1500 lugares que é o máximo que podemos oferecer para congressos na região”.

Localização
O Convention entende que não lhe cabe entrar no mérito da localização deste centro de eventos, desde que o mesmo cumpra o que estabelece a legislação, dentro do máximo de equilíbrio que for possível. “Sempre vai existir um lado mais afetado, se a comunidade de Canela entender que o Parque do Palácio é o local mais adequado para este empreendimento, o Convention vai apoiar a ação”.

A saturação do produto turístico
Outra preocupação dos canelenses diz respeito à possibilidade da saturação do produto turístico em razão de uma oferta de leitos maior que a capacidade de ocupação dos turistas, em especial, à construção de mais um hotel na cidade, em conjunto com o centro de eventos.
Neste sentido, Zorzanello destaca que antes de falar em quantidade de ofertas, a região deveria se preocupar com a qualificação do produto turístico e aquilo que vier de novo seja algo diferente. “Um centro de eventos, por exemplo, é algo novo que vai suprir uma lacuna e criar um fluxo contínuo e qualificado de turistas, em época de baixa temporada”.
Para o Convention, eventos acima de 1500 pessoas, até as 5000, que é o desejável para o novo centro de eventos, traria pessoas para ocupar não apenas este hotel, mas como outros da região.
Tem espaço para todo mundo, o que precisamos é nos reinventar como serviço com qualidade, a saturação vai acontecer muito mais pela desqualificação dos serviços da região e essa é a nossa principal preocupação, mas se agregarmos marcas dentro de um crescimento sustentável e planejamento ordenado, temos muito a ganhar”, finaliza Zorzanello.

Foto: Reprodução – Cedência

A cedência do Parque do Palácio pode viabilizar novo centro de eventos com capacidade para 4500 pessoas. A proposta tem como interessada a Villard Empreendimentos Imobiliários, de Balneário Camboriú (SC). Além do centro de eventos, entre as propostas da empresa está a construção de um hotel com 200 apartamentos. A cedência será por 25 anos.
O projeto de lei que autoriza a negociação, dentro do projeto Canela do Futuro, deve ser votado no próximo dia 13, pelos vereadores de Canela.
Para tentar evitar a concessão do parque, a Associação Amigos do Parque do Palácio lançou, uma campanha em que compara a concessão com liquidações comuns no comércio.
Para a os defensores da manutenção do parque como ele está, o centro de convencoes deve ser construído em outro local. “É possível garantir o desenvolvimento sustentável da região sem condenar sua biodiversidade”, diz a campanha.

A Prefeitura garante que apenas dois hectares, do total de 9,1 do parque, serão utilizados para a construção do empreendimento. O restante será preservado e mantido pela empresa que administrará o centro de convenções e o Hotel, com entrada gratuita aos canelenses e equipamentos que vão melhorar a experiência junto à natureza para os visitantes.
O valor estimado é de R$ 60 milhões, a ser aplicado em obras, reformas e benfeitorias, e bancado integralmente pela concessionária, como contrapartida à concessão.