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360 Graus por Francisco Rocha: Petit Sabores, Por Dentro da Escola, Eleições

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Estréia
Olá, hoje temos, como anunciado na semana passada, a estreia do amigo Luiz Antônio Alves, com sua coluna semanal aqui na Folha de Canela.
O Luiz se junta a um grande time de colunistas que cria conteúdo exclusivo para nossos leitores. Nesta semana, ele faz uma introdução aos assuntos que estão por vir. Fique ligado.

Petit Sabores
O sucesso do Petit Sabores mostra a força do empreendedor de Canela. Foi um baita evento. Parabéns à ACIC e aos participantes. É por aí, não precisa trazer gente de fora para fazer aqui o que soubemos fazer muito bem.
Aí que me refiro!

Por dentro da Escola
Nesta semana, e nas próximas 12, estaremos realizando o projeto Por dentro da Escola, no qual estaremos visitando todas as escolas de ensino fundamental da rede municipal, mostrando seus principais projetos e potencialidades.
É muito legal ver como as escolas são entes vivos, autônomos, dentro das comunidades em que atuam, e que, mesmo com as dificuldades, matam a pau no trabalho desenvolvido.
Hoje, você conhece um pouco mais da Severino Travi, uma escola que se destaca pela inclusão. Quero agradecer a diretora Cristiane Galle e toda a sua equipe pela acolhida à nossa reportagem e parabenizar pelo trabalho lá realizado.

Quando eu ouvi falar pela primeira vez no PT
Aos 12 anos, foi quando ouvi falar pela primeira vez no PT. Antes disso, as conversas se resumiam a uma outra citação sobre Getúlio Vargas (minha vó não gostava de política, mas tinha apreço pelo Getúlio), uma ou outra citação ao Brizola ou quando acontecia uma ou outra greve do magistério.
Eu tinha dois tios que moravam em Porto Alegre, um deles, o mais velho, Arthur, era empresário, tinha um estaleiro à beira do Guaíba. O outro, o mais novo dos quatro irmãos, trabalhava com ele.
Os tios vinham de vez em quando visitar a minha vó e eu morava com ela. Difícil era vir os dois juntos, mas de vez em quando acontecia. Em 1988, me lembro de uma conversa dos dois sobre como a cidade (PoA) deveria melhorar no próximo ano, quando assumiria o PT assumiria a Prefeitura.
Naquela época, a gente escutava a conversa dos mais velhos e ficava quieto, mas eu não resisti e perguntei: o que é PT?
O tio Arthur me respondeu, não sem antes eu levar um “pito” da vó por se meter na conversa dos adultos, sentando na mesa onde hoje fica a mesa do Sérgio, meu filho que trabalha com arte final, aqui na redação da Folha.
O tio Arthur gostava de tomar vinho e pitar um cigarrinho. Como não tinha filhos, também não tinha muito jeito com criança, mas achou engraçada a minha pergunta e resolveu me dar atenção. No meio de uma nuvem de fumaça, me explicou que era um novo partido político, que representava o povo e que tinha ideias novas, de modernização das cidades.
Lembro muito bem da empolgação dele.
O PT, por fim, governou Porto Alegre de 1989 até 2004, quatro mandatos consecutivos. Outras cidades do Estado aderiram à agenda petista, como Caxias do Sul e por aí vai.

Minha lembrança de política sempre teve centro-esquerda
Sendo aquela citação do PT uma das minhas primeiras lembranças sobre política, me lembro depois de ter feito o título de eleitor, com 16 anos, e ter votado em FHC! Eu já trabalhava e com meu salário conseguia fazer várias coisas. Via também o dinheiro da minha vó ter mais valor, já na época do URV e seus sucessores. Votei de novo em FHC e depois no Lula.
Paro hoje e penso que quase todas as lembranças que tenho sobre votos e política, eram de centro-esquerda.

A coisa mudou
Mas, aí eu já era um pai de família e minhas prioridades começavam a mudar. Começava a ver a política mais como realidade e não ideologia e ver ainda algumas pessoas descontentes com a política em todos os âmbitos.
Vieram as denúncias de corrupção e meu tio, quem havia falado com entusiasmo sobre o PT, lá em 1988, já com 80 anos, passava a postar em redes sociais um pedido de impeachment de Dilma. O tio faleceu em janeiro de 2017, sem ver um partido de direita vencer uma eleição nacional dentro do período em que os historiadores chamam de Nova República, que tem início com o final da Ditadura Militar (1985) até os dias de hoje.
Nesta semana, correndo o olho nas redes sociais, vejo meu tio mais novo abrindo voto pró Bolsonaro e penso que se o tio Arthur estivesse vivo, teria feito ainda antes.

O PT era uma boa ideia
Não quero fazer, com o título, uma apologia à 51, não mesmo, o assunto é sério. O PT era uma boa ideia, que se perdeu ao longo do tempo.
Domingo, o brasileiro não vai enfrentar uma eleição, apenas, onde discutimos propostas e políticas. Enfrentará um plebiscito, um referendo popular, para decidir se quer ou não a continuidade do PT, não por tudo o que ele representou no início de sua história, mas pelo que representa hoje, após as diversas denúncias de corrupção.
O que estará em julgamento não é a ideologia de esquerda e sim o uso que o principal representante do socialismo fez do poder que teve em sua mão. Aliado a isso, somam-se MBD, PSDB, PP, PDT, REDE, PSOL e mais um amontoado de partidos que se lambuzaram na mesma lama, ao longo dos 33 anos desta Nova República.
Ao longo de 20 anos de jornalismo, sempre escutei militantes de partidos políticos afirmarem que a população, mesmo sem filiação partidária, deveria se informar mais e debater política. Agora, que isso está acontecendo, alguns militantes estão tristes, com a proporção que a coisa tomou.
Para finalizar, encerrando o raciocínio que iniciou lá em 1988, a vida é feita de ciclos e parece que boa parte da população está resolvida a iniciar um novo ciclo político no País, com ou sem a vitória de Bolsonaro, com ou sem segundo turno, isso já está acontecendo.