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Luiz Antônio Alves: GENEALOGIA SEM PARTIDO

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Quem disse que não existem problemas na pesquisa genealógica? Esta é uma pergunta que oferece a resposta simples: dificuldades existem em qualquer estudo. Os objetivos, o método, a sistematização e o controle das informações obtidas é uma das sequências mais requisitadas pelos cientistas sociais. O grau de conhecimento sobre determinado assunto determina mudanças e soluções complexas que, às vezes, não é bem compreendida (leitura parcial, entendimento difuso e sem hegemonia – maioria). A generalização, via de regra, investe em níveis inferiores onde não há posições fundamentadas pela razão e sabedoria.
A quebra de paradigmas nas sociedades dinâmicas resulta em novas narrativas para os fatos que surgem entre gerações. É um processo de escolhas que pode alterar fundamentos anteriormente aceitos nos grupos sociais: costumes, tradições e sistemas políticos ou econômicos.
Nos dias de hoje, muitos detetives do passado familiar, na montagem de árvores genealógicas que inventariam várias gerações, começam a se debruçar sobre temas que há 10 ou 20 anos atrás não se ofereciam para decisões em torno da construção de séries de ancestrais e descendentes consanguíneos. A família tradicional conhecida pela maioria da população ou pelas estatísticas oficiais têm se alterado por modelos e concepções diferentes, e até mesmo o ordenamento jurídico é adaptado a situações que surgem inexoravelmente nas sociedades plurais e multiculturais.
Desde que surgiu o bebê de proveta ou a barriga de aluguel o assunto relacionado a filhos ilegítimos ou naturais ficava em segredo juramentado, e as discussões em torno de heranças patrimoniais ficavam restritas aos processos judiciais. Com a revolução advinda de conquistas em termos de Direitos Humanos, Igualdade e Liberdade, reapareceram antigos temas sobre sexualidade, questões de gênero, casamento de gays, adoção de crianças e reconhecimento de filiação a partir de exames de DNA.
Portanto, os genealogistas modernos, além de formatarem teses interdisciplinares que contam com o auxílio da história, sociologia, antropologia, geografia, arqueologia, direito, estatística, informática e genética (entre outras áreas científicas), deparam-se com situações complexas. Além disto, novas técnicas e termos que significam aprofundamento e aperfeiçoamento sobre a temática surgem nas universidades e institutos de pesquisa como, por exemplo: Prosápia, Prosopografia, Endogamia, Matrilinhagem, Patrilinhagem, Fósforo, Matchmaker, Gedmatch, Haplogrup, Teste do cabelo, Amostra da saliva e distintivos neófitos no vernáculo acadêmico. Entre erros e acertos, a experiência genealógica é um quebra-cabeça e um desafio para poucos e raros. Espera-se que na pesquisa não surjam influências de partidos políticos ou ideologias extraordinárias.
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