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360 Graus por Francisco Rocha: Corsan x Comunidade e mais…

Foto: Francisco Rocha
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Corsan x comunidade
Mais uma vez a Companhia Estadual de Saneamento Básico do Rio Grande do Sul, a Corsan, está na pauta de Canela e Gramado, desta vez por tentar criar uma unidade regional, apelidada de “unidade especial”, com a promessa de melhorar os serviços nas duas cidades.
Eu, pessoalmente, duvido. Primeiro porque já começa tirando nosso gerente local. Apesar de ser mantido o escritório na cidade, você não vai resolver coisa nenhuma lá, assim como acontece com a RGE. Claro, se quiser pagar, parcelar, enfim, essas coisas, vai dar. Mas quem manda mesmo, vai estar em Gramado.
Segundo, vão desativar diversos serviços que funcionam aqui e levar para unidade regional. Muitos deles que estão instalados na sede entre a Rua Sete de Setembro e a João Simplício, em área doada pela comunidade.
É preciso dizer que a Corsan arrecada, entre Canela e Gramado, cerca de R$ 50 milhões por ano e investe quase nada.
A água que ela trata é uma barbada, uma das mais limpas do Estado, fácil, fácil de tornar no padrão e enviar para o consumo. Mesmo assim, convivemos, em alguns dias, com terra saindo junto em nossas torneiras.
Então, no que diz respeito ao abastecimento de água, o que a Corsan tem que fazer é captar a água e reservar. Nem isso consegue fazer direito.
A distribuição, seguidamente dá problema, com encanamentos velhos que não são substituídos.
Quer falar do esgoto? Nem precisa né?
A Corsan é a maior poluidora do RS, isso porque não consegue tratar o esgoto. Fosse uma empresa privada, já teria sido fechada há muito tempo, mas, como pertence ao Estado, os órgãos de fiscalização fazem vista grossa. Em alguns casos, o Mistério Público até entra com uma ação, como em Canela, no ano passado, tentando cancelar a cobrança da taxa de esgoto, ou em Gramado em 2017, quando o MP pediu a rescisão do contrato da Prefeitura com a Corsan.
Não que eu acredite que as pessoas que trabalham na Corsan sejam ruins, muito pelo contrário, conheço vários grandes profissionais na companhia. O fato é a incapacidade técnica mesmo, a estrutura da estatal é feita para não funcionar, simples assim.
E mais, por se tratar de uma empresa do Governo do Estado, os prefeitos ficam com medo de mexer muito e se indispor com o Governador, perdendo alguns benefícios que poderiam buscar para suas cidades.
São Chico, por exemplo, no final de dezembro, fez a bobagem de assinar com a Corsan a renovação de contrato. “A companhia assumirá a implantação do sistema de esgotamento sanitário e se compromete em qualificar o abastecimento de água na cidade”, dizia a divulgação da Corsan.
Para se ter uma ideia, a Prefeitura de São Chico e a Corsan ficaram quase dois anos sem contrato. Não poderia operar, mas nenhum órgão de fiscalização viu isso.

Hora de dizer adeus à Corsan
Falta coragem aos prefeitos. Tem muita coisa envolvida e como tudo na gestão pública, os interesses da comunidade vêm por último.
Porém, tá caindo de maduro a oportunidade de dizer adeus à Corsan, assumir o abastecimento de água e o tratamento de esgoto. Poderia funcionar em forma de consórcio entre Canela, Gramado e São Francisco de Paula.
Seria uma arrecadação perto de R$ 60 milhões ao ano, nas três cidades, que poderia ser investida no tratamento de esgoto, de acordo com o arrecadado em cada cidade.
Mas, falta coragem. Acredito que nunca vamos ver isso por aqui.

Shows gratuitos
Canela movimentou milhares de pessoas neste Natal, que vieram para a nossa cidade assistir os shows gratuitos. Lembro que no lançamento do Sonho de Natal, a Administração Municipal disse que nesta gestão, os shows serão sempre, todos gratuitos.
E foi um golaço. Tanto que os números apresentados pela Prefeitura de Canela mostram que, mesmo com as dificuldades, o evento cresceu.
Eu, por outro lado, acredito que nossa cidade deva dar um passo a frente. Manter estes espetáculos gratuitos que já fazem parte da programação e investir em outros, estes sim com cobrança de ingresso. É um assunto polêmico, mas acredito que um caminho sem volta.
Com cada vez menos patrocinadores e verbas públicas, grandes eventos, como o Sonho de Natal, devem seguir por este caminho, se profissionalizando cada vez mais.
Só acho…

2019: início diferente
Eu sou um pessimista nato, tenho a tendência de pensar que as coisas podem dar errado e me preparar para isso. Se derem certo, melhor.
Durante muito tempo, no ano passado, ouvi que este ia ser um grande ano. Sentia esse otimismo nas pessoas, mas, mantinha meu pé atrás.
Pois bem, já se passaram 10 dias de 2019 e janeiro veio com tudo. Esse misto de indícios de recuperação da economia e efeitos Bolsonaro estão deixando as pessoas confiantes.
Ao contrário dos últimos anos, que janeiro iniciava com desconfiança e choradeira, o ano entrou a mil por hora. Parece mesmo que teremos um grande ano.
Fui também tomado por este otimismo.
Então, pessoal, o negócio é arremangar as mangas e trabalhar. Aquilo que eu sempre falo, governo que não atrapalha, já ajuda bastante.