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Luiz Antonio Alves: Gaúcho Açoriano

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É muito claro que a maioria da população gaúcha tem uma “costelinha” nas nove ilhas do arquipélago: São Miguel, Terceira, São Jorge, Fayal, Pico, Santa Maria, Corvo, Flores e Graciosa. Também é real que grande parte desta gente não sabe de sua ancestralidade porque o interesse pela Genealogia somente de alguns anos para cá tem crescido entre os pesquisadores.
Nas minhas andanças, tenho notado que “ser açoriano” é algo muito raro. Às vezes um indivíduo com uma árvore genealógica muita rica, em termos étnicos, destaca apenas as duas ou três últimas gerações (geralmente pelo lado paterno) e com mais importância aos imigrantes europeus mais recentes. Com a internet, facilitou a busca de dados e hoje o entendimento sobre o assunto está em outro melhor nível.
Afinal, qual a relação entre Júlio de Castilhos, José Fogaça, Germano Rigotto, Assis Brasil, Anita Garibaldi, João Saldanha, Bento Gonçalves, Sinval Guazzelli, Iotti (cartunista), Antonio Neto, Barbosa Lessa, Ônix Lorenzoni, Paixão Cortes, Visconde de Mauá, Simões Lopes Neto, Tom Jobim, Getúlio Vargas, Cecília Meireles, Ernesto Dornelles, Luiz Antônio de Assis Brasil, Pepe Vargas, Flores da Cunha, Érico Veríssimo, Nelson Jobim e os “Irmãos Bertussi, cancioneiros das coxilhas”? – É que todos eles são “parentes genealógicos” da grande família açoriana! Muita gente aqui da Serra Gaúcha possui esta vertente genealógica como tinham os pioneiros fundadores de Canela e Gramado.
Na verdade esta lista é imensa e procurei inventariar na obra “Memorial Açoriano” milhares de personagens que ajudaram a construir nossa História (57 volumes). A miscigenação, patrimônio cultural brasileiro, é comprovada a partir dos sobrenomes. Não há necessidade de fazer teste de DNA para comprovar esta realidade. Os vestígios culturais como a dança, a música, a culinária, palavras, crenças e outros traços antropológicos são heranças significativas. As pessoas não ficam dizendo que “isto ou aquilo” é açoriano, mas muitos elementos formadores de nossa identidade vêm das ilhas. Em outras culturas fica mais visível: isto é italiano, isto é germano, etc. É um contraponto e uma realidade que não pode deixar de ser avaliada. Açorianos e seus filhos e netos não ficaram apenas no Porto dos Casais ou no Litoral. Eles adentraram no território buscando uma querência definitiva e participaram da fundação de pelo menos 50 povoados que se transformaram em cidades. E para acrescentar, é bom saber que existe uma Casa Portuguesa em Gramado onde é contada um pouco a história de nossos patrícios.
Hoje em dia o termo mudou um pouco e já é utilizado o português-açoriano já que a Pátria é a mesma. E a maior dificuldade ainda é fazer as ligações das antigas famílias açorianas com seus parentes no Continente Europeu.