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Luiz Antônio Alves: Famílias do Juá e de Canela

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A Vila do Juá, distrito de São Francisco de Paula é logo ali, depois do Passo do Inferno. Passando pelo Muniz, Cadeinha e Pé de Galinha, chega-se a localidade. São mais ou menos 20 quilômetros em estradinha de chão, passando por canhadas, coxilhas e campos com belas paisagens.
As relações familiares indicam proximidade em vários casamentos. Cito apenas algumas famílias ligadas ao velho Juá: Reis, Boeira, Oliveira, Medeiros, Gil, Gonçalves, Pieruccini, Soares, Pelizzari, Alves, Santos, Souza, Cardoso, Rodrigues, Rosa, Laidens, Castilhos, Pedroso, Rodolfo, Noronha, Pires, Raymundo, Moreira, Corrêa, Moraes, Esteves, Velho, entre outras tantas que estão ainda por lá desde a metade do século XIX. E existem povoados que escondem histórias fantásticas e ainda sobrevivem pessoas que têm muito trabalho para preservação da memória, patrimônio cultural e valorização de sua gente.
No Juá aconteceram fatos que não foram explorados o suficiente, mas no futuro poderão dar destaque explorando o turismo rural já que é próximo a duas cidades conhecidas no Brasil e no Exterior, como Gramado e Canela e também de uma metrópole como Caxias do Sul.
Destaco em primeiro lugar algo que sempre me despertou a atenção e que pouca gente sabe: alguns dos célebres Lanceiros Negros da Revolução Farroupilha deixaram descendentes no Juá! Encontrei citações do Mestre Aurélio Porto e que depois foram reproduzidas pelo Padre Luiz Gonzaga Jaeger na revista 87 (1942) do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul.
Verifiquei a Genealogia e, embora, tenha perdido a pista, encontrei descendentes dos Souza e dos Romão no Juá e arredores, como em Faria Lemos, Água Azul e Fazenda do Raposo no período de 1880 a 1940. E foi através do italiano Ambrósio Martinotto, que chegou à região por volta de 1886, que se descobriu que combatentes da Guerra dos Farrapos que serviram sob o comando de Garibaldi, se abrigaram em esconderijos e peraus inacessíveis na beira dos rios. Já misturados com mestiços índios, eram conhecidos no Juá, como Tio Romualdo, Tio Manduca, Tio Pires, Tio Romão, Farofa, Tio Atanásio e Tio Eugênio. Não descobri até hoje como eles foram parar ali.
Outro fato que quase foi esquecido é que o Juá foi palco de batalhas e enfrentamentos entre chimangos e maragatos e era reconhecidamente um reduto de ferozes combatentes da oposição ao governo estadual da época. No meu livro “Maragatos em Caxias do Sul” (Evangraff, 2015) cito o diário do Coronel Fioravante Pieruccini o qual relata que reuniu cerca de mil homens no centro do povoado para anunciar o Pacto de Pedras Altas e tentar convencer a tropa, falando grosso e em alta voz, explicando que Borges de Medeiros ficaria no poder e a paz voltaria a reinar…
Estas histórias valem alguma coisa?

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