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Polícia Civil apreende contratos de compra e venda em áreas invadidas

Fotos: Francisco Rocha
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Canela tem pelo menos 10 grandes áreas invadidas e, nelas, vê nascer uma habitação por dia

As invasões e vendas de terrenos irregulares em Canela são um problema constante. A inércia do poder público e a sensação de impunidade por parte de quem, até bem pouco tempo, agia livremente, criaram um cenário difícil de controlar.

São pelo menos 10 grandes áreas invadidas na cidade. Nelas, pelo menos uma nova construção inicia a cada dia. Entre os moradores que buscam nesta forma irregular uma maneira de estabelecer moradia digna, há guarida para diversos criminosos, desde foragidos e traficantes até os próprios vendedores das áreas, todos conhecidos das forças de segurança, com extensa ficha policial e investigados por atos como porte irregular de arma de fogo, ameaça, lesão corporal, extorsão e até tentativas de homicídio.

É na contramão deste cenário desolador que a Polícia Civil de Canela busca frear estes crimes, que lesam os mais pobres e enriquem ilicitamente os invasores que revendem as áreas.

Documentos de compra e venda dos imóveis foram apreendidos

Há ainda, neste contexto, o crime ambiental, pois, em geral, as áreas invadidas estão dentro ou próximas de área de preservação ambiental.

Operação Invasões III

A terceira fase da Operação Invasões, que investiga a venda irregular de terrenos em Canela aconteceu na manhã desta quinta (10), cumprindo sete mandados de busca e apreensão junto a loteamento no Bairro Ulisses de Abreu.

Dezesseis policiais civis realizaram buscas em residências, sendo apreendidas dezenas de documentos referentes a vendas irregulares de lotes. No local, foram verificadas construções recentes e em andamento.

Somente nesta área, ao lado do loteamento Edgar Haack, são mais de 50 habitações, todas irregulares. Chama a atenção a estrutura já instalada, como rede de energia elétrica, cerca e poços artesianos

O delegado de Canela, Vladimir Medeiros, responsável pela Operação, disse que a questão dos loteamentos irregulares não é recente e está sendo enfrentada pela Delegacia de Polícia, já tendo sido realizadas duas fases anteriores da mesma ação (a anterior em junho deste ano), que contabiliza até agora cinco prisões. A autoridade policial destacou que “os documentos serão juntados ao Inquérito Policial e analisados em cartório para a responsabilização dos investigados”.

Medeiros salienta que “os compradores de terreno, mesmo pagando valores elevados pelo imóvel, acabam sendo vítimas porque, na grande maioria das vezes, não conseguem regularizar as áreas, geralmente localizadas em terrenos públicos ou de preservação ambiental, sendo proibido qualquer tipo de construção”.

Os policias se surpreenderam com a quantidade de novas construções e outras em andamento

Os crimes investigados são apropriação indébita, parcelamento irregular do solo e estelionato, além de outros como ameaças e porte irregular de armas, decorridos da atividade dos grilheiros.