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Usuária de drogas entra em trabalho de parto na rua e acende alerta para os malefícios do crack

As doenças físicas e psíquicas acabam afetando não apenas os usuários de drogas, mas toda a família e principalmente as crianças
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Segundo o Conselho Tutelar, 90% dos casos atendidos tem relação com drogadição ou alcoolismo

Aconteceu em Canela, uma usuária de drogas entrou em trabalho de parto, em via pública, no bairro Canelinha. Segundo o Conselho Tutelar da cidade, populares acionaram o Samu e a mulher foi levada ao Hospital de Caridade, onde a criança nasceu. O fato ocorreu por volta das 20h do dia 31 de dezembro de 2019, véspera do Ano-Novo.

“O que mais chama atenção é que se não houvesse uma interferência de populares, a criança nasceria ali, na rua, possivelmente seria abandonada e não sabemos que tipos de sequelas isso causaria”, afirmou uma das conselheiras.

A bebê ficou algum tempo em observação no Hospital e após ficou aos cuidados da rede de proteção. Já a mãe, voltou às ruas após ter alta da casa de saúde.

Ela é usuária crônica de crack, uma andarilha, o cartão SUS é de Caxias do Sul, mas temos conhecimento de que se desloca de uma cidade para outra, sempre em torno de sua dependência química”, afirmou outro integrante do Conselho Tutelar.

Alcoolismo e drogadição presentes em 90% dos casos

Fotos: Reportagem/Folha de Canela – Em setembro, a reportagem da Folha de Canela flagrou duas adolescentes suspeitas de prostituição infantil, em plena luz do dia, na Vila Boeira

O caso do bebê que quase nasceu na rua envolveu uma usuária que não era de Canela, mas a realidade da cidade não foge muito disto.

A Rede de Proteção de Canela não tem dados estatísticos sólidos, mas o Conselho Tutelar afirma que em 90% dos casos atendidos por ele, a violência, a negligência ou a vulnerabilidade tem ligação com o consumo de álcool ou drogas.

“Somente em 2019, foram mais de 600 encaminhamentos a órgãos como o Ministério Público, Secretaria de Saúde ou Delegacia de Polícia, o que dá em média 2 casos encaminhados por dia”, afirma um dos integrantes do conselho. “Por aí, você tem ideia da demanda, isso em casos que envolvem apenas crianças e adolescentes”, complementa.

Os problemas vão desde a evasão escolar até crianças HIV positivo ou infectadas por sífilis. “Além dos casos de saúde, existe a deficiência na aprendizagem, os problemas psicológicos e os jovens que entram precocemente para o crime”, salientou uma conselheira.

Prostituição infantil e portas abertas para o crime

Com as famílias cada vez mais desestruturadas e ausentes, crianças e adolescentes se aproximam do consumo de drogas e da criminalidade. O Conselho Tutelar dá o exemplo da evasão escolar, que é um dos primeiros sintomas de que a coisa não vai bem com o jovem.

O papel da educação é da família, ela é que tem que exercer a responsabilidade e autoridade sobre a criança ou adolescente. É preciso ficar atendo ao que o jovem está fazendo, quem são seus amigos, quais os lugares que ele frequenta, com quem conversa e qual conteúdo acessa na internet”, diz o conselheiro.

É comum um adolescente afirmar que trocou algum pertence pessoal, como uma jaqueta, por material escolar ou outro item de seu interesse. Os pais devem sempre verificar essa situação, pois o primeiro contato com a droga é sempre a partir da troca por um item pessoal, após, iniciam os furtos em casa, passando para furtos na rua e até mesmo prostituição”.

Doenças físicas e psíquicas

Com o comportamento sexual de risco, vem outros fatores, como a contração de doenças como sífilis e Aids, gravidez precoce e até mesmo bebês que nascem infectados por sífilis, pois a mãe não fez o acompanhamento pré-natal e o tratamento adequado na gravidez.

As doenças físicas e psíquicas acabam afetando não apenas os usuários de drogas, mas toda a família e principalmente as crianças que nascem de pais que fazem uso de entorpecentes ou álcool.

São filhos órfãos de pais vivos, os filhos da droga”, afirma uma conselheira. A posição não é unanimidade entre o colegiado, mas todos concordam em um ponto: a terceirização da responsabilidade sobre os filhos para o estado e o acesso cada vez mais fácil às drogas está criando um quadro avassalador na cidade.

Olho vivo, até no celular

Outro alerta do Conselho Tutelar aos pais é sobre a prostituição infantil. Segundo o órgão, não é necessário a adolescente estar o tempo todo na rua, frequentar um prostíbulo ou um ponto de venda de drogas para se prostituir, basta ter um smartphone com acesso à internet.

O melhor caminho para evitar esses problemas é o controle sobre as atividades dos filhos”, afirmou uma conselheira, “lembrando que estes casos não acontecem apenas em famílias em situação de vulnerabilidade, atendemos casos em todas as camadas da sociedade”, finaliza.