Havia a promessa de endurecimento de Eduardo Leite na fiscalização aos estabelecimentos comerciais em Canela e Gramado.
Nesta quinta (1º), as cidades receberam um reforço do efetivo da Brigada Militar. O comando regional, através de nota, disse ser uma medida de praxe durante a Páscoa.
Não adiantou. A comunidade segue desconfiada.
O comboio que chegou à serra trouxe pelo menos 10 viaturas e cavalarianos. Pareceu ser diferente do que foi enviado nos outros anos.
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Eu tenho defendido neste espaço, há anos, que quem não gosta de polícia é bandido. De fato, acredito nisso e o trabalho da BM, principalmente em Canela, tem sido elogiável nos últimos meses, com recorde de prisões e apreensões de armas e drogas.
Então, quando mais policiamento melhor?
Sim!
Mas, após as ameaças de retaliação aos empresários do turismo das Hortênsias, ficou uma pulga atrás da orelha.
Uma fonte desta coluna ligada à BM disse que todos sabem que trabalhadores e empresários não são bandidos. “Existem esposas e esposos de brigadianos que trabalham no comércio local, inclusive no turismo, todos sabem disso”, ouvi.
Por outro lado, alguns empresários, após a multa ao Gnomo em Canela e os repetidos avisos, parecem que desistiram do enfrentamento e vão manter seus negócios abertos conforme determina o decreto estadual.
Eu, adepto que sou da liberdade, custo a acreditar no momento que estamos vivendo. Torço para que não haja incidentes entre empresários e Estado neste feriadão.
Por outro lado, mesmo com toda a bandeira de enfrentamento ao coronavírus que vem sendo levantada pelo Governador, não há como não chegar a conclusão de que Eduardo Leite perdeu a mão.
Tempos difíceis, estes que estamos vivendo!
Discordo que a região perdeu força política junto ao Estado
Como dizia o poeta, andam falando por aí que o Estado se incomodou com os atos de Canela e Gramado nas últimas semanas.
Discordo, veementemente, que a região perdeu força política junto ao Estado. Na verdade, nunca tivemos.
Se alguma coisa incomodou Eduardo Leite, serviu apenas para justificar, tardiamente, sua falta de apreço por Canela e Gramado, ou, pelo menos, seu desconhecimento de como é a Região.
Se, realmente, as políticas de Estado no RS são tomadas com base na ciência, não deveria levar em conta, o Governador, suas preferências ou descontentamentos pessoais.
Eduardo Leite não deveria colocar a culpa na população. Ele, Governador, foi eleito para nos dar respostas, não apontamentos.
A nota oficial do Governo do Estado diz que “por conta desse cenário e da dificuldade com medicamentos do kit intubação, ainda é considerada fundamental a restrição à circulação de pessoas, o reforço nos protocolos de prevenção e na vacinação da população, mesmo nos feriados e fins de semana, para conter a propagação do vírus no Rio Grande do Sul”.
É verdade o que disse Eduardo Leite, mas, por outro lado, ele teve tempo e recursos para se preparar para este momento.
Colocar a culpa na população, no empresário e no trabalhador é cômodo e injusto. Incentivar as pessoas para que pensem deste jeito é uma atitude covarde.
Uma mea-culpa por parte do Governo do Estado já seria um aceno positivo, mas há que se ter humildade para tanto.