Canela,

21 de junho de 2024

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Operação Cáritas: Ex-secretário Ângelo Sanches é preso em Canela

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Três pessoas foram presas, três servidores municipais afastados. Contratos sob suspeita podem chegar a R$ 2,8 milhões

Na manhã de hoje, a Polícia Civil de Canela realiza a prisão de Ângelo Sanches, ex-secretário de turismo da Prefeitura Municipal de Canela e de José Fernando Marques, proprietário da primeira Casa Produções de Canela. A Polícia Civil não divulgou os nomes, porém, a reportagem da Folha apurou se tratar de Sanches e Marques.

O produtor cultural Elias da Rosa, que foi diretor artístico do Sonho de Natal de Canela e responde pelo espetáculo A Fábrica de Sonhos, é o terceiro preso nesta fase da Operação. Ele se apresentou na Delegacia de Polícia de Canela por volta das 9h30min e recebeu voz de prisão.

Momento da prisão. Vídeo: Filipe Rocha

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O diretor de Cultura, o diretor de Marketing e uma assessora da Secretaria Municipal de Turismo foram afastados.

Além deles, outras dezenas de mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em casas de particulares e em empresas ligadas aos eventos realizados durante a chefia de Sanches. Participaram da ação policial desta manhã cerca de 90 policiais civis das Delegacia de Polícia de Canela, Gramado, São Francisco de Paula, Rolante, Taquara, Três Coroas, Igrejinha, Riozinho, Caxias do Sul, Nova Petrópolis, Marau, além de Tijucas, no Estado de Santa Catarina.

As ações são parte da 10ª fase da Operação Caritas, que investiga corrupção em parte do poder público da cidade, e cumpre neste momento, simultaneamente, 218 medidas judiciais. Foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, mais de uma centena de quebras de sigilo, bloqueios de 10 contas bancárias, sequestro de 2 imóveis, proibição de contratação com o poder público para 22 pessoas (jurídicas e físicas) e outras medidas.

Às 11h está prevista uma coletiva de imprensa na Delegacia Regional de Gramado, no qual serão expostos detalhes da operação realizada.

A ação é coordenada pelo Delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela, e supervisionada pelo Delegado Heliomar Franco, titular da Delegacia Regional de Gramado (2ª DPRI), e contou, também, com apoio da Divisão de Inteligência Financeira, do Gabinete de Inteligência e Estratégia da Chefia da Polícia Civil.

Reprodução

Foram apreendidos, ainda, cinco veículos, incluindo-se de alto padrão, avaliados, ao todo, em cerca de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais).

Dois imóveis localizados em Canela foram sequestrados pela Polícia Civil, tornando-se indisponíveis. Um deles se trata de um apartamento avaliado em mais de 1 milhão de reais, localizado na Rua Dona Carlinda, no centro da cidade. Outro, uma casa, avaliada também em mais de 1 milhão de reais. Os dois imóveis, segundo investigação policial, pertencem a Ângelo Sanches, tendo sido adquirido ilicitamente.

Na ação, ainda foram bloqueados valores em 10 contas bancárias. O montante ainda não foi contabilizado.

Vinte e duas pessoas (físicas e jurídicas) estão proibidas de contratar com o poder público canelense pelo período de um ano, sendo todas elas ligadas ao ramo de turismo e eventos.

A Polícia Civil de Canela informa que a investigação, iniciada em novembro do ano passado, apura a participação de 48 pessoas investigadas, sendo 27 físicas e 21 jurídicas, entre servidores públicos (CCs), empresas e empresários do ramo de turismo e eventos. Foram apuradas possíveis irregularidades em pagamentos e contratos que somam cerca de R$ 2.8 milhões.

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De acordo com o Delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela e responsável pela Operação Caritas, a organização criminosa instalada na Secretaria Municipal de Turismo realizava contratações de empresas por inexigibilidade de licitações, as quais, após receberem os valores pagos pela Prefeitura Municipal em contratos, repassavam parte da quantia a agentes e servidores públicos da própria Pasta.

A investigação policial apurou, inclusive, pagamentos diversos feitos diretamente na conta dos investigados ou aquisição de bens, como imóvel e veículo, por parte dos empresários contratados pelo Executivo Municipal para a realização de eventos na cidade.

A Polícia Civil verificou, ainda, esquema ilegal em que empresários da região patrocinavam eventos e reformas em prédios públicos de Canela, realizando os pagamentos, no entanto, em contas particulares ou das empresas de que sócios ocultos os servidores, de modo a dificultar a fiscalização e controle sobre dos valores.

Contraponto:

O advogado Ricardo Cantergi, que responde pela defesa de Ângelo Sanches, enviou a nota abaixo à redação da Folha:

A defesa não teve acesso ainda aos motivos que levaram o juiz a prender preventivamente Ângelo Sanches. Ele está afastado da prefeitura a mais de um ano, cumprindo com o afastamento imposto em meados de novembro de 2021. Essa nova prisão é uma surpresa para a todos. Teremos que averiguar se há necessidade e contemporaneidade nos fatos discutidos.

A Prefeitura Municipal de Canela também se manifestou a partir da seguinte nota:

A administração Municipal de Canela vem colaborando com as etapas da Operação Caritas, sempre que solicitada pela justiça e órgãos de segurança. A operação segue em andamento e o executivo, tão logo intimado dos atos decorrentes, procederá na adoção das medidas necessárias e cabíveis no caso. Os citados na operação de hoje já estão afastados, sem remuneração.

Esta matéria está em atualização. Proibida a reprodução parcial ou total deste conteúdo.