Canela,

24 de fevereiro de 2024

Anuncie

Amor de mães: Mãe é tão bom que Deus me deu duas

Compartilhe:

Foto: @maiarapaganotto

Conheça Vicente, primeiro bebê canelense com registro de duas mães na certidão de nascimento

Muitos casais têm o sonho de ter um filho para complementar a união e transbordar ainda mais amor. Essa foi a situação que Luana de Oliveira da Cunha, de 26 anos e Pâmela Jênifer Pereira, de 29 anos se encontraram após 12 anos de relacionamento e decidiram conceber o Vicente, que nasceu no dia 03 de janeiro, às 19h03min com peso de 3,900kg e medindo 48,5cm.

Desde o início da história de Luana e Pâmela, ter filhos foi uma pauta importante para elas, mas em 2021, depois de perdas familiares de Luana, o casal sentiu aflorar a vontade de serem mães e começaram o processo de Fertilização In vitro. Foram usados os óvulos de Pâmela, um doador do banco de sêmen Pro-Seed, de São Paulo, e Luana gestou o óvulo fecundado, “para que assim, Vicente tivesse a genética de ambas”.

Todo o processo foi feito escondido, pois elas sentiam medo de não dar certo, frustrando a si mesmas e às pessoas ao redor. Apenas depois de três meses de gestação, o casal anunciou para a família e amigos mais próximos, através dessa foto:

RECEBA GRATUITAMENTE NOSSAS NOTÍCIAS NO SEU WHATSAPP

Vicente está acolhido por um lugar de muito amor, onde não existe espaço para o preconceito. A família apoia e admira a coragem do casal de ser quem são e das decisões que tomam. Além disso, Vicente é o primeiro neto e sobrinho do lado de Pâmela, estão todos babando no fruto desse amor tão forte e genuíno.

O único problema que tiveram até agora, por serem duas mães, foi para registrar a certidão de nascimento do filho. O que geralmente é feito em menos de cinco minutos, demorou nove dias para chegar até elas. “Tinha uma adolescente registrando uma criança sem o pai, porque ela não sabia quem era. Dois minutos, ela estava com o registro na mão, nós levamos 9 dias”, relata Luana.

Por ser o primeiro caso em Canela, o registro só foi permitido depois que a clínica em que foi realizada a inseminação e o médico de reprodução humana fizeram um documento reconhecido em cartório.

Elas sabem que, futuramente, ainda haverá alguns obstáculos, como, dia dos pais na escola ou até mesmo quando o próprio Vicente perguntar, porém, o preconceito não tem espaço na vida delas. “Já evoluímos muito, as pessoas já compreendem mais famílias como a nossa, mas ainda temos muito a evoluir. Mas estamos preparadas. São 12 anos de amor para que possamos transferir isso para ele”, reforça Luana.

“Sempre que nos perguntam quem é a mãe, respondemos com um sorriso largo, nós duas somos as mães”, diz Luana. Segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen), em estudo realizado entre 2016 e 2021, de 6 milhões de nascimentos no país, 859,3 mil foram registrados sem o nome do pai, isso equivale a 5,33% dos nascidos. Para ilustrar melhor, significa que, por dia, 470 crianças foram registradas sem conhecimento do pai, em média.

RECEBA AS NOSSAS NOTÍCIAS AGORA TAMBÉM PELO TELEGRAM

Mesmo com esses dados revoltantes, ainda há dificuldade quando um casal homo afetivo tenta o registro, precisando provar e comprovar de todas as formas.

“Ninguém enfrenta uma mãe, e quem se atreveria com duas, não é mesmo?”. Finaliza Luana.