Canela,

17 de abril de 2024

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Leo de Abreu

VIRE O MATE

Leo de Abreu

VIRE O MATE – Até vão, mas ficam!

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Imortalidade. Que peso para reflexão. Muito se parece até com papo fictício de personagens das super produções. Pra sempre nada é. Ninguém, até onde se sabe, soprou uma velinha de duzentos anos… agora, quanta história se conta de quem nem meio quarto desse tempo viveu…

Nunca se sabe quanto tempo se tem no mundo pra que um legado com nosso nome se faça. Um legado, nem sempre é a ambição de alguém (embora sim, todos somos história). Por vezes rápidas passagens em aleatórios caminhos cruzados são pontinhos inconscientes sabe de que? Uma imortalidade. Um gesto infindável de custume, causo que muda a cada conto, até mesmo um toque passando por quem carrega a mania… pedacinhos de nós.

Pra quem pega uma caneta e escreve por si mesmo, se perpetua em palavras junto a vida do papel que escreveu. Se escreveu já num aparelho, a memória desse vai ditar o tempo do “pra sempre” das suas palavras. Quer um leia, um milhão ou ninguém. Se num escrito, se fala de alguém, estará esse com uma réstia de si no mundo. E te digo, na opinião desse que amadoramente escreve, nem a fotografia com maior afeto do mundo, conta mais que as palavras em cores em contraste com o papel escolhido. Que peso é! Pra quem toca um instrumento, igual. Todos no fundo de nossas memórias carregam obras inéditas de alguém quase anônimo… é o que fica.

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Assim, se conta de como o mundo é mundo. Se fala do fulano, ciclano, santidades e personagens. E que tal, quantos personagens que nunca foram fulanos se conta a história? E toma.  Palavras são isso. Bem como acordes, depois que fogem do autor, te digo, já era… ninguém mais ataca.

Com muito sentimento, se faz saber sobre o fim da passagem neste mundo de uma sagrada figura da cultura do Rio Grande do Sul: Luiz Carlos Borges. Isso aconteceu nesse 10/05/2023. Mais um que dividiu sua luz, deixou uma escola nesse mundo e agora fechou a gaita pela última vez com seus dedos. Mas só com os seus dedos.

Outros tocarão Luiz Carlos Borges. Outros vão escrever com olhos entreabertos rememorando as suas criações. Pra quem acredita, talvez até esse ser palpite um meio verso ou acorde em forma de inspiração, vai de cada um. Agora, o descanse em paz para o coração de quem parte e consolo de legado a quem se espelha.

E vejam bem, que lindo quando se perpetua a arte pelo seu criador. Afinal, somos um povo de tradição e respeitamos nosso ídolos deste mundo e quem parte. Vidro dos Olhos, “Revorve” do Tropeiro, Caçapavana, Romance na Tafona, Encontro com a Milonga, Missionera… isso tudo vai seguir tocando nos ouvidos e na alma de quem quer que escute. E mais ainda, serão canções eternamente abraçadas nos rádios de galpões e CTG’s onde ainda respira FORTE nossa cultura.

Arba! É brabo mais uma baixa assim… recentemente nos despedimos de Bebeto Alves que brabo. Também Negro Manolo, isso ainda soa comovente ao cantar Vire o Mate (baita música, escutem hora dessas). E agora se vai o Borges… triste, mas não de todo. Repare bem no que ficou.

Gente de contribuição verdadeira pra um mundo bonito. Aí eu conto que a imortalidade é isso. E não vejo como ser diferente, é?