Canela,

17 de julho de 2024

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Merendeiras de Gramado não recebem salários, vales alimentação e refeição e não têm FGTS depositados

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Estamos desesperadas, com contas atrasadas, todos os dias tirando do nosso bolso para ir trabalhar e a Prefeitura disse que não somos prioridade

Um empasse entre a Prefeitura de Gramado e uma empresa terceirizada está prejudicando 62 funcionárias que atuam como merendeiras nas escolas municipais de educação infantil e de ensino fundamental de Gramado.

As merendeiras foram contratadas por uma empresa terceirizada, estão prestando seus serviços, mas já ficaram com mais de um mês de salários atrasados. Nesta semana, receberam metade do salário referente a maio, mas seguem sem receber seus vales transporte e alimentação e não foram depositados os valores referentes ao FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

A reportagem da Folha entrou em contato com a empresa terceirizada, após receber a denúncia de representantes das merendeiras, mas até a publicação desta matéria, não obteve retorno.

Ainda, do início do mês até esta semana, a Prefeitura rescindiu o contrato com a empresa e chamou outra para realizar a prestação de serviço de merendeiras. Neste período, várias funcionárias seguiram trabalhando sem vínculo empregatício, falha regularizada apenas nos últimos dias.

“A empresa coloca a culpa na Prefeitura, a Prefeitura coloca a culpa na empresa e nós ficamos sem receber. Estamos desesperadas, com contas atrasadas, todos os dias tirando do nosso bolso para ir trabalhar e a Prefeitura disse que não somos prioridade”, disse uma das merendeiras à reportagem.

“Falamos com o Jurídico da Prefeitura e com a Tesouraria. Até com o Prefeito já falamos, mas o que nos entristece é que nos é informado que teremos que procurar a Justiça do Trabalho para recebermos os nossos direitos”, relatou uma merendeira, munida de áudios e prints dos contatos com a Prefeitura de Gramado.

As merendeiras não descartam abandonar o trabalho ou realizar uma manifestação na Prefeitura de Gramado, para obterem de fato uma posição oficial da Administração, uma vez que diversos setores passam informações diferentes.

A reportagem da Folha entrou em contato com a Prefeitura de Gramado que, através de seu departamento de comunicação, respondeu o que segue:

A Prefeitura foi cientificada desta situação, se reuniu com a empresa Andolini e rescindiu o contrato, sendo que o valor que deveria ser pago para a empresa foi retido para pagamento direto à essas merendeiras. Já solicitamos à empresa as folhas de pagamento e as guias para fazer o depósito e estamos aguardando a entrega dos documentos”.

Procuradora-Geral de Gramado, Mariana Melara Reis.

Quanto à falta de vínculo empregatício, a Prefeitura informou:

“Nós desconhecemos esta situação. Se de fato existe, elas deverão buscar com urgência o reconhecimento do vínculo junto à Justiça do Trabalho para ver garantido seus direitos remuneratórios e rescisórios”.