Canela,

18 de julho de 2024

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Chico

360 GRAUS

Francisco Rocha

O que pode em Gramado, não pode em Canela?

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Chamou minha atenção uma notícia divulgada pela Prefeitura de Gramado sobre a limpeza que estão fazendo no lago do Carniel. A matéria, enviada pela assessoria de imprensa, diz que a Prefeitura está sendo acompanhada por um técnico ambiental. As marrequinhas estão sendo retiradas a pedido da comunidade que tem ali um local de lazer.

Já aqui em Canela, o lago do Palace Hotel, que, tomado de mato, se aparar as marrequinhas e colocar duas goleiras dá para jogar o varzeano lá, tamanha densidade da vegetação que cobre o espelho d’água. Vão ter que pedir um descapoeiramento do lago e não uma limpeza.

Além de feia e prejudicial, aquela vegetação ainda contribui para que o lixo que chega dos esgotos lá despejados fique por ali, preso nas marrequinhas.

Aí quando se fala em limpar o lago, “Deus me Livre!”, pecado, sacrilégio, é uma área sagrada de preservação ambiental “du” Canela. “APPzaça”, consolidada, ninguém mexe, ninguém tasca.

Deixa lá a estação de tratamento de esgoto de enfeite, com grana pública que foi pelo esgoto, literalmente. Deixa lá o material orgânico (cocô mesmo), se acumulando no leito do lago. Deixa o mau cheiro e os alagamentos continuarem, a “APPzona” é sagrada.

Pouco importa, dá preguiça de ver a inércia da área ambiental de Canela, que de tão lenta, parece uma lesma. Aliás, este bichinho deveria ser o logotipo do setor.

O controle da vazão do lago não está mais sendo feito. Sabe porquê? Porque se baixar o nível, seca a cabeceira do lago, que já está assoreado, daí fica feio. Azar se alagar as ruas depois do lago.

Aí não e pode limpar um canal para evitar alagamentos em Canela, porque dá autuação. Não se pode mexer no Parque do Palácio, outro sacrilégio.

Já em Gramado, pode! E ainda bem que pode. Eu não sei o que há de diferente depois do Carniel, se os licenciamentos andam mais rápido, se as questões comunitárias são mais importantes que protocolos e burocracias da Secretaria de Meio Ambiente, sei lá, mas pode. E olha que o lago do Carniel é infinitamente mais limpo e “APPzona” que o lago do Palace Hotel.

Entendo que devem haver mecanismos de controle ambiental, mas isso não pode ser desculpa. A Primeira Lei de Newton (Princípio da Inércia) diz que um corpo em repouso tende a permanecer em estado de repouso, a menos que exista sobre ele a aplicação de alguma força.

Sei que somente minha coluna de opinião não fará força suficiente para que esta inércia cesse, mas pelo menos os responsáveis sabem que eu sei e sabem que em lê esta coluna sabe também.

R$ 2 milhões para tirar o Arroio Santa Terezinha debaixo do terreno Rodoviária

Falando em canais de macrodrenagem, recebemos hoje uma sugestão de pauta da Comunicação da Prefeitura de Canela. Nela são apontadas diversas obras que se pretende fazer com um empréstimo de R$ 25 milhões, recém aprovado pela Câmara de Vereadores.

No bojo dos 25 mi estão pavimentação, escolas e postos de saúde. Que bom!

Mas, porém, todavia e, entretanto, me chamou atenção o valor de R$ 2 milhões para a canalização e macrodrenagem do Arroio Santa Terezinha para acabar com alagamentos na região central da cidade.

Falei com a Secretaria de Obras, com o Meio Ambiente e com o Planejamento. Ninguém soube me mostrar o projeto para esta obra. Ninguém soube me apontar os trechos que serão alvos da intervenção.

Curioso, uma obra de R$ 2 milhões e ninguém sabe onde vai ser executada. Pede-se um financiamento e não existe nem um pré-projeto.

Claro que muitos, ou todos sabem, mas não falaram.

Eu tenho um palpite. A intervenção será no trecho entre a Rodolfo Schlieper e a Danton Corrêa. Será bom para os moradores do local, que tem o arroio (canal de esgoto), passando por debaixo de suas residências. Muitas delas alagam em dias de chuvas mais fortes.

Só que jogo dois cafezinhos que a obra vai se estender para o terreno da atual rodoviária. Os mais antigos sabem que ele é cortado pelo canal. E sou capaz de apostar que se sobrar alguns trocados, vai ser mexido também na Casa de Pedra, aonde também o canal passa embaixo.

É bom lembrar que a Prefeitura quer vender o terreno da Rodoviária e conceder o da Casa de Pedra. Os investidores, com certeza vão querer fazer melhorias ali e um canal de esgoto (que em Canela é considerado “APPzaça”) é uma baita dor de cabeça.

Nada como uma boa obra pública, com muita vontade política para resolver este problema.

Ah, P.S.! Estou no bico da esquina da Júlio com a Dom Pedro II, viu? Qualquer coisa que acontecer por ali, que sirva de regra para todos os locais com situação semelhante aqui da cidade, já que o que aconteceu em outros locais com prédios chiques em Canela, sendo construídos em cima do canal, não foi usado para o bem comum (os bem comuns somos nós, o povo)!

PL do Centro de Feiras e Parque do Palácio voltou

A Prefeitura de Canela, assim como já havia dito o prefeito Constantino, voltou a protocolar um projeto de lei para autorização da permuta da área do Centro de Feiras pela construção de um centro de convenções no Parque do Palácio.

O texto tem algumas alterações em relação ao que foi discutido no início do ano, mas nada significativo.

A ideia do Governo é aprovar o PL antes do recesso legislativo, que coincide com as férias escolares de inverno (sic).

Assim como a minirreforma administrativa, jogo dois cafezinhos que este projeto será aprovado desta vez. A força da máquina pública é muito grande, às vezes, quem é contra é patrolado.

Por falar em Parque do Palácio, a foto abaixo mostra o lago de lá. Uma cerca divide o público do privado, mesma água. Do lado privado, espelho d’água, do lado público, lago sujo.

Ali também, se cortar as marrequinhas e colocar umas goleiras dá um campo de futebol pra jogar o varzeano.