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18 de abril de 2024

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51° Festival de Cinema de Gramado homenageia Lucy Barreto e Ingrid Guimarães com os troféus Eduardo Abelin e Cidade de Gramado

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Anúncio foi feito na noite desta terça-feira, 11, quando também foram divulgados os curtas-metragens brasileiros selecionados

O charme do Festival de Cinema de Gramado subiu o país e foi até o Rio de Janeiro na noite desta terça-feira, 11 de julho. Após divulgar as 39 produções que compõem as mostras de Longas-Metragens Brasileiros, Documentais e Gaúchos e os Curtas-Metragens Gaúchos na última semana, em Gramado, o evento anunciou os 12 filmes que concorrerão aos Kikitos na categoria de Curtas-Metragens Brasileiros (lista completa ao final do release) e os nomes que fecham o hall de homenagens desta edição:  Lucy Barreto e Ingrid Guimarães. 

As novidades foram divulgadas em evento realizado no hotel Prodigy Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O encontro, apresentado pela jornalista Renata Boldrini, reuniu o Vice-Prefeito de Gramado e secretário de Turismo, Luia Barbacovi, a presidente da Gramadotur, Rosa Helena Volk, os curadores, Caio Blat e Marcos Santuario, realizadores, produtores, atores e jornalistas. 

Para Caio Blat, estreante na curadoria, Gramado reforça seu papel como o mais importante festival de cinema do país: “Para mim, o que faz um festival grande é uma seleção forte, de qualidade, com diversidade e que mostra a potência do cinema brasileiro. Com a seleção desse ano, posso afirmar que Gramado é o maior festival de cinema do Brasil”. 

A seleção dos Curtas-Metragens Brasileiros foi feita por Carolina Canguçu, Giordano Gio e Giuliana Maria. Juntos, a comissão avaliou 635 produções. Os selecionados vêm de quase todas as regiões do país, incluindo filmes de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Roraima, Rondônia, Bahia, Maranhão, Rio Grande Do Sul, São Paulo e Espírito Santo.

Durante o evento, foi exibido o trailer inédito da série Cangaço Novo, original Amazon que terá premiére mundial em Gramado. A produção terá exibição em sessão especial, fora de competição, no dia 14 de agosto, segunda-feira, no Palácio dos Festivais e, a partir do dia 18, estará disponível no Prime Video em mais de 240 países e territórios. “Estou muito feliz em estrearmos Cangaço Novo em Gramado, um festival que faz parte da minha vida e da minha carreira. Não vemos a hora de dividir com o público tudo o que a gente viveu nesta jornada intensa, emocionante e muito especial”, afirma Allan Souza Lima, um dos protagonistas. Alice Carvalho, estreante em Gramado, reforça a emoção em ver o trabalho finalizado e pronto para o público: “Toda essa força que a série traz é um reflexo das relações que foram construídas dentro e fora do set entre todos os profissionais – desde os motoristas, passando pelo elenco e desembocando na equipe de pós-produção. Todos fomos tocados e transformados por essa imersão de oito meses no cariri paraibano e no seridó potyguar. O resultado é emocionante porque a gente se emocionava, de fato, todos os dias das 110 diárias que filmamos”.

Homenagens para elas

Em sua 51ª edição, Gramado faz um feito inédito: dedica suas homenagens a cinco mulheres de inestimável importância ao audiovisual brasileiro. A produtora Lucy Barreto recebe o Troféu Eduardo Abelin e, Ingrid Guimarães, o Troféu Cidade de Gramado. Elas se unem às atrizes Laura Cardoso e Léa Garcia, que recebem o Troféu Oscarito, mais antiga homenagem entregue pelo festival, e à Alice Braga, que recebe o Troféu Kikito de Cristal.

Para Rosa Helena Volk, o feito reflete a notoriedade da visão feminina no audiovisual. “Pela primeira vez na nossa história estamos entregando todas as nossas honrarias a mulheres. Assim, refletimos sobre as diversas gerações de mulheres que construíram e constroem o cinema no Brasil. Relembramos a história com Léa Garcia e Laura Cardoso, pilares fundamentais do audiovisual, e vamos aos novos nomes que levam ao exterior a qualidade do nosso cinema com Alice Braga. Agora, saudamos também Lucy, uma produtora que está marcada na cinematografia do nosso país, e Ingrid, que levou milhões de pessoas ao cinema para acompanharem suas obras”, afirma.

Lucy Barreto receberá o troféu Eduardo Abelin

Quando vida e obra são indissociáveis, tornam-se sinônimos. Mineira de Uberlândia, Lucy Barreto é sinônimo de cinema brasileiro. Com 90 anos completos em 2023, desde o final da década de 1960 se dedica à carreira cinematográfica, que iniciou na parceria com o diretor Cacá Diegues, como assistente de cenografia em Os herdeiros, de 1968.  Nesse mais de meio século, ficou reconhecida internacionalmente pela intensa atuação à frente do audiovisual brasileiro. 

Não demorou muito para que encontrasse sua vocação, que lhe renderia participação nos anais da cinematografia brasileira: a produção. Já no primeiro ano da década de 1970, estreou como produtora em O Homem das Estrelas, de Jean-Daniel Pollet. Entre os anos 1970, 1980, 1990 e 2000, produziu importantes obras do cinema brasileiro, como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), vencedor de três Kikitos, Bye Bye Brasil (1980), O Quatrilho (1995), indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, e Flores Raras (2013).

Além de produzir ou co-produzir filmes ao lado de cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Miguel Borges, Anselmo Duarte, Marco Altberg e Vicente Amorim, Lucy Barreto é parte fundamental na construção do legado dos homens de sua vida, o marido, Luiz Carlos Barreto, e os filhos, Bruno e Fábio Barreto. Ao lado de LC, é responsável por uma lista de dezenas de títulos produzidos. Em 1982, produziu a estreia do filho Fábio na direção com o longa Índia, a Filha do Sol, fato que se repetiu também nos seus outros títulos: O Rei do Rio (1985), Luzia Homem (1987), Bela Donna (1998) e A Paixão de Jacobina (2002). Para Bruno, assinou a produção de Além da Paixão (1985), Romance da Empregada (1987), Bossa Nova (2000) e o também indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro O Que é Isso, Companheiro? (1997).   

Lucy ressalta a ligação de Gramado com sua trajetória profissional: “É com minha alegria e gratidão que aceito essa homenagem. Gramado faz parte da minha vida e da história da empresa que construí ao lado de Luiz Carlos e que completa seis décadas este ano”, diz.

Ingrid Guimarães será homenageada com o troféu Cidade de Gramado

É difícil falar sobre cinema brasileiro e não mencionar o nome de Ingrid Guimarães. Natural de Goiânia, começou sua carreira no teatro, ainda nos anos de 1980. Nesses mais de 35 anos de carreira, coleciona sucessos no teatro, televisão e, principalmente, no cinema. 

Ingrid fez parte de uma revolução no cinema nacional, promovida a partir dos anos 2000. Suas obras, como a trilogia De Pernas Pro Ar (2010-2019) e Fala Sério, Mãe (2017), renderam-lhe a alcunha de atriz brasileira mais vista nos cinemas do século. Antes dela, apenas duas outras mulheres chegaram tão longe: Xuxa e Sônia Braga. A atriz se prepara para o lançamento do longa “Minha Irmã e Eu”, estrelado ao lado de Tatá Werneck, previsto para estrear em janeiro de 2024.

Em seus mais de 20 trabalhos nas telonas, Ingrid privilegiou obras humorísticas, gênero que a consagrou na televisão com o seriado Sob Nova Direção, que foi ao ar entre 2004 e 2007 pela TV Globo. Defensora do gênero, a atriz sempre se posicionou sobre o menosprezo do seguimento: “A comédia é tão desvalorizada, vista como um gênero menor, mais fácil. Por que a crítica é tão desrespeitosa com ela?”, questiona.

Mesmo sob o prisma da desconsideração, Ingrid possui no currículo indicações às mais importantes premiações do país, como Grande Prêmio do Cinema Brasileiro e Prêmio ACIE de Cinema. Sobre a valorização do cinema nacional, Ingrid é categórica: “É preciso manter o nosso público fiel ao cinema brasileiro, senão daqui a pouco vamos estar consumindo apenas séries gringas e filmes de super-heróis”.

Para referência: O Troféu Eduardo Abelin é uma homenagem concedida a diretores, cineastas e entidades de cinema pelo trabalho feito em benefício do cinema brasileiro. A honraria leva o nome de um dos pioneiros do cinema gaúcho, o diretor Eduardo Abelin. O cineasta Carlos Reichenbach foi o primeiro a receber a honraria, em 2001. Juntam-se a ele nomes como Cacá Diegues, Arnaldo Jabor, Carla Camurati e Laís Bodanzky.  O Troféu Cidade de Gramado é dedicado a nomes ligados a Gramado e ao Festival, contribuindo para o crescimento e divulgação da cidade e do evento. Entregue pela primeira vez em 2012 à atriz Eva Wilma, a mais jovem honraria entregue pelo Festival de Cinema de Gramado foi entregue, também, a nomes como Tony Ramos, Ney Latorraca, Antonio Pitanga, Wagner Moura e Araci Esteves. 

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51° Festival de Cinema de Gramado: Curtas-Metragens Brasileiros selecionados

A ÚLTIMA VEZ QUE OUVI DEUS CHORAR | 
Minas Gerais – 18’01”
Direção: Marco Antonio Pereira
Sinopse: Maria, uma jovem trabalhadora rural, vive a necessidade premente de preservar sua saúde mental e emocional no âmago de suas inquietudes existenciais, ao mesmo tempo em que nutre uma aversão visceral pelas injustiças que permeiam a existência do mundo. Uma gravidez misteriosa deixa tudo mais complicado e misterioso.
Elenco: Cibele Zêodi, Larissa Bocchino, Fábio Barbosa e Melissa Soares

CAMACO | Minas Gerais – 14’40”
Direção: Breno Alvarenga
Sinopse: Um dialeto secreto surge como forma de resistência de mineradores numa cidade no interior de Minas Gerais.
Elenco: Ana Paula Ribeiro, Felício Brugnara, Geuderson Traspadini, Janaína Mendonça e Nandy

CAMA VAZIA | São Paulo – 06’11”
Direção: Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet
Sinopse: A máquina de morte precisa manter sua longevidade para expandir e lucrar.
Elenco: Jean-Claude Bernardet

CASA DE BONECAS | Maranhão – 15’05”
Direção: George Pedrosa
Sinopse: Nós, três profetas imateriais de rosa que seduzem com corpos brilhantes e desejos sombrios. Sempre estaremos dentro do coração um do outro. Dia após dia, nós mudamos e ficamos muito mais fortes.
Elenco: Luty Barteiz, Chico Gonçalves e João Vinicius

DEIXA | Rio de Janeiro – 15’01”
Direção: Mariana Jaspe
Sinopse: Zezé Motta é Carmen, uma mulher que vive seu último dia de liberdade antes que seu marido saia da prisão.
Elenco: Zezé Motta, Dan Ferreira, Wilson Rabelo, Jéssica Ellen e Daniel de Souza

ELA MORA LOGO ALI | Rondônia – 16’03”
Direção: Fabiano Barros e Rafael Rogante
Sinopse: Uma humilde vendedora ambulante de chips de bananas, tem sua rotina alterada ao conhecer uma jovem leitora no ônibus no caminho de volta para casa. A partir desse momento, a vendedora inicia uma nova jornada de descobertas, sonhos e o desafio de encontrar o livro preferido do seu filho.
Elenco: Agrael de Jesus, Marcela Bonfim, Rafaela Oliveira e João Victor Alves de Oliveira

JUSSARA | Bahia – 08’41”
Direção: Camila Cordeiro Ribeiro
Sinopse: Jussara é a própria memória da vila onde mora, conhecida como conselheira e contadora de histórias, encanta e envolve a todos em sua volta. Um dia se percebe cansada de guardar tanta informação e decide se livrar de tudo que tem escrito para viver a sua própria história.
Elenco: Ana Cordeiro, Camila Ribeiro, Gênesis Nascimento, Iago Ribeiro, Marcos Dias, Mikael Barreto, Nti Uirá e Yan Rego

MÃRI HI – A ÁRVORE DO SONHO | Roraima – 17’01”
Direção: Morzaniel Ɨramari e Davi Kopenawa Yanomami
Sinopse: Quando as flores da árvore Mãri desabrocham surgem os sonhos. As palavras de um grande xamã conduzem uma experiência onírica através da sinergia entre cinema e sonho yanomami, apresentando poéticas e ensinamentos dos povos da floresta.

PÁSSARO MEMÓRIA | Rio de Janeiro – 15’00″
Direção: Leonardo Martinelli
Sinopse: Um pássaro chamado Memória esqueceu como voltar para casa. Lua, uma mulher trans, tenta encontrá-la nas ruas do Rio de Janeiro, mas a cidade pode ser um lugar hostil.
Elenco: Ayla Gabriela e Henrique Bulhões

REMENDO | 
Espírito Santo – 20’47”
Direção: Roger Ghil
Sinopse: Zé carrega um fardo. Por que você insiste em remendar esse monte de coisa que não tem mais jeito?
Elenco: Elídio Netto, Markus Konká, Eliete Miranda, Royce Luckessy, Léia Rodrigues, Jordan Fernandes e Pedro Henrique Oliveira

SABÃO LÍQUIDO | Rio Grande do Sul – 20’55”
Direção: Fernanda Reis e Gabriel Faccini
Sinopse: Um homem é transportado ilegalmente para o interior do Rio Grande do Sul para trabalhar na falsificação de sabão líquido. Depois de dias isolado no meio da mata, ele ressignifica sua solidão.
Elenco: Phillipe Coutinho, Edu Mendas, Áurea Baptista e Ederson Carlos

YÃMÎ YAH-PÁ | Rio de Janeiro – 17’02”
Direção: Vladimir Seixas
Sinopse: As memórias de uma mulher indígena em luto e sua busca pela antiga aldeia na floresta em um mundo pós-apocalíptico.
Elenco: Rosa Peixoto

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