Canela,

21 de maio de 2024

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Prefeitura de Canela embarga obra de nova adutora de água da Corsan para Gramado

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Caso de Polícia: entre as irregularidades encontradas estão as interrupções de cursos d’água e até mesmo aterro de bocas de lobo

Há alguns meses a Corsan vem realizando a obra de uma adutora que levará água da Estação de Tratamento do Distrito Industrial, em Canela, até a cidade de Gramado. Para isso, uma empresa contratada pela Corsan está rasgando a cidade de Canela, hoje com três frentes de trabalho, nos bairros Celulose, São Luiz e Vila Suzana.

Os incômodos deixados pela obra já atrapalham a vida do canelense de diversas formas, mas a situação denunciada por um morador do Bairro São Luiz, na manhã desta sexta (21), beira o surreal, já que o amadorismo é ótimo, perto da maneira que a obra está sendo realizada.

Na Rua Theobaldo Weber, para passar com o cano de água tratada, a empresa contratada rompeu a canalização de um arroio. Os canos da nova adutora ficaram no mesmo nível da canalização existente, não havendo como fazer um desvio do curso d’água. Neste ponto, a rede ficou exposta, com todo o tipo de aterro caindo na rede, através de um enorme buraco aberto na via.

Já na Rua Ourides Souza Rodrigues, as redes de drenagem foram interrompidas. Um morador fotografou a retirada de um cano, ou seja, a rede de drenagem foi interrompida para a passagem da adutora, o cano não foi recolocado e as bocas de lobo ficaram sem ligação com o encanamento principal. Em seguida, os buracos foram aterrados. Sem ter para onde escoar, na primeira chuva, as bocas de logo iriam transbordar e alagar os terrenos próximos.

As ligações de rede de água das residências também foram afetadas, muitas deixadas com vazamentos e aterradas mesmo assim.

A Secretaria de Obras esteve no local verificando a situação e constatou diversas situações semelhantes por onde a obra da adutora passou, incluindo as ruas Pinheiro Machado e Gabriel de Souza, já no Bairro Canelinha. A fiscalização foi acionada e até a publicação desta matéria a obra permanecia embargada.

“É inadmissível o que está sendo feito aqui. Não podemos aceitar isso e deixar como está. É um caso de polícia”, disse o secretário Marcelo Savi. “A obra vai ficar parada até que uma solução seja encontrada. A Corsan deve assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo. Temos que, no mínimo, verificar todas as bocas de lobo desde o início da obra”.

Moradores da Ourides de Souza também reclamaram de rompimentos da rede de energia elétrica e obstrução das entradas dos imóveis, com material depositado nos passeios públicos. Ainda, o asfalto, que em muitos pontos é novo, não está sendo reposto.

“Sabemos da importância desta obra para a comunidade gramadense, que há anos sofre com a falta de água. A obra é necessária e estamos dispostos a auxiliar para que ela aconteça. Por outro lado, não vamos admitir que nossa cidade seja rasgada ao meio, deixando as redes de drenagem, bocas de lobo, meio-fio e calçadas destruídas por onde a adutora passar”.

Arroio canalizado teve seu curso interrompido

Uma reunião entre Prefeitura de Canela e Corsan deve acontecer em breve para tentar encontrar uma solução para o dilema. Pela manhã, nenhum representante da Corsan compareceu no local das obras.

A Prefeitura de Canela ainda avalia os danos e quais as medidas para punir o descumprimento do contrato.

Secretaria de Obras este no local e paralisou os trabalhos