Canela,

17 de abril de 2024

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Leo de Abreu

VIRE O MATE

Leo de Abreu

VIRE O MATE – Uma milonga mais

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Se bem me lembro assim
No mês das primaveras
Longe do cinza das taperas
Alegrias de um sul contado
Um índio bem arreglado
Trazendo na estampa o continente
Sul de vida dessa gente
Que reclamo num milongueado

Vindo cuidando bem esse mundo
Que por andejo, há ganas de seguir
Sem cavalo de tiro nem outra muda
A sorte ajuda pra quem sabe onde ir

“Hace tiempos” o setembro era outro
Num queixo atado se cruzava avenida
Luzindo a estampa de quem carrega o sul
Ali era o pago na sua essência mantida

Mas num atropelo o tempo cobrou a tarca
Com jeitos de fora para a moda de patrões
Pilchas novas e tanto termo moderno
Esqueceram da pátria viva nos galpões

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E lá dum basto,  onde se fez muito cavalo
Amargaram pealos, desviaram o olhar
E dos farrapos, das tropas, carreiradas
Sobraram poucos os  causos a quem queira milonguear!

Uma semana farroupilha é todo dia
Fazendo na lida a carne dos espetos
Saindo a erva dos carijos, plantando  cuias
Acordando antes que o mundo julga cedo

Quem traz na alma nobre grito de guerra
Como outrora um rio grande se escreveu
Sabe que a vida de quem é cria lá de fora
Risca de espora o futuro para os seus

Então se reza a um senhor maior que tudo
Pra que vire o mate da linda terra de domas
Rememore setembros tão gaúchos
E nesse virado nunca seque a cambona!