Canela,

16 de maio de 2024

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Grupo neonazista com conexões nos EUA realizou encontros em Gramado e Canela

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Apreensões realizadas em ações em Santa Catarina

Uma célula neonazista com fortes ligações com os Hammerskins, considerado o mais violento grupo neonazista dos Estados Unidos, foi desbaratada durante uma operação em novembro de 2022, no estado de Santa Catarina, Brasil. A investigação revelou que essa célula, ativa no país desde pelo menos 2015, realizou encontros secretos em cidades turísticas da serra gaúcha, como Gramado e Canela, entre 2019 e 2020.

O delegado Arthur de Oliveira Lopes, responsável pela condução das investigações que resultaram na prisão de 10 membros do grupo, forneceu informações detalhadas sobre a conexão entre esses indivíduos e os neonazistas americanos. Inicialmente indiciados por associação criminosa, racismo e apologia ao nazismo, o aprofundamento das investigações levou à mudança de acusações para organização criminosa de caráter transnacional, dada a estrutura hierárquica e divisão de tarefas encontradas no grupo.

De acordo com Lopes, essa célula brasileira recebia aprovação e orientação direta da matriz nos EUA, com um americano frequentemente visitando o Brasil para fortalecer os laços e permitir que seus membros ascendessem na organização. A célula brasileira eventualmente se autonomizou, passando a se chamar “Southlands Hammerskins.”

Além das ligações com os Estados Unidos, o grupo também tinha conexões com células na Europa. Membros viajavam frequentemente para o continente para fortalecer essas conexões, uma exigência estatutária para avançar na hierarquia da organização. Eles também fabricavam produtos com símbolos da organização, que eram vendidos para células nos EUA e na Europa como uma forma de financiamento e fortalecimento internacional do movimento.

A Hammerskin Nation opera como uma espécie de confederação, onde os novos membros participam de reuniões e convivem com os membros antigos até que seja construída confiança. Em média, esse processo dura de um a dois anos, após o qual os novatos evoluem para a posição de “Crew 38,” uma referência aos martelos cruzados, símbolo da organização. A partir desse ponto, eles estão um passo mais próximo de se tornarem membros plenos da organização, conhecidos como Hammerskins.

Em 2021, quatro dos 10 presos receberam autorização para se tornarem membros plenos dos Hammerskins, enquanto os demais permaneceram como membros da Crew 38.

Apesar de não estarem diretamente envolvidos em ataques a escolas, as investigações revelaram que muitos dos membros do grupo tinham antecedentes criminais, incluindo homicídio e tentativa de homicídio. Surpreendentemente, cerca de um mês após a prisão, todos foram libertados com medidas cautelares, como o uso de tornozeleiras eletrônicas, aguardando o julgamento na Justiça Federal.