Canela,

25 de maio de 2024

Anuncie

Chico

360 GRAUS

Francisco Rocha

Coluna 360 Graus — Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades

Compartilhe:

O provérbio popular, popularizado pelo Tio Bem e que virou um dos princípios do Homem-Aranha, vale para quase tudo nesta vida!

Neste momento em que o Estado do Rio Grande do Sul sofre com os efeitos do clima, é preciso, antes de mais nada, se solidarizar com os atingidos e desabrigados, no nosso caso, da Região das Hortênsias, especialmente com as famílias gramadenses que muito sofrem.

Agora, voltando ao título da coluna, existe uma grande preocupação que as informações que saem para fora da cidade mostrem um cenário de terra arrasada, prejudicando o turismo de Gramado e da Região. A preocupação é justa.

Se Gramado é expoente por seus atrativos, é natural que chame a atenção de outros lugares quando aqui os eventos climáticos causaram estragos nunca vistos. Ônus e Bônus de quem é referência.

Por outro lado, devemos admitir que as mudanças climáticas estão cada vez mais corriqueiras e que os desastres naturais ocorrem cada vez com mais frequência. Há o fator do clima? Há! Mas há também responsabilidade das prefeituras e do Estado.

Algumas cidades têm suas defesas civis bem estruturadas, o que não é o caso de Canela, por exemplo. Um servidor apenas, ou seja, não há mapeamento das áreas de risco, não há plano de contingência, não existem recursos alocados para este fim, não existem protocolos de emergência e também não existe poderes da Defesa Civil para buscar servidores de outras áreas da Prefeitura para atuar em casos de emergência.

Acima citei exemplos simples e eu nem sou da área. A Defesa Civil não pode servir apenas para entregar lonas e telhas ou pedir e entregar donativos. É um trabalho muito sério e importante, o qual em Canela nunca recebeu a atenção necessária.

Em tempos de grandes chuvas, não há, por exemplo, um monitoramento do Lago do Palace Hotel ou da Barragem da Vila Suzana. Aqui no Parque do Lago se preocupam mais com a preservação da “vida existente” do que com o estrago que a água represada e jogada no canal faz alagando tudo para baixo.

Ali na Vila Suzana, há pouco tempo, a Corsan detonava rochas a poucos metros da barragem. Alguém sabe dizer de quando é o último estudo sobre a situação daquele muro de contenção?

No São Luiz, várias casas racharam após a passagem dos canos da nova adutora que levará água para Gramado. Foi realizado um acompanhamento ou estudo por lá?

A cada novo prédio começado, com profundas escavações e detonações, há uma verificação do impacto de vizinhança?

Depois, quando uma tragédia acontece, como o caso de Gramado, ficamos atônitos. Mas, quantas detonações em rocha foram realizadas próximo do bairro com problemas em Gramado? Quantas foram acompanhadas pelo Poder Público? Quantas foram realizadas pelo próprio poder público?

São perguntas importantes e que não deve ficar para amanhã, precisam ser feitas hoje e respondidas hoje. Talvez, amanhã seja tarde. Vidas já se perderam.

Não há como controlar os efeitos climáticos, mas há como minimizar os seus impactos com planejamento. Canela e Gramado tem muitas construções em ribanceiras.  Muitas construções em zona de risco e se eu, que por força da profissão acompanho muito das ações das prefeituras, não vejo nada para frear isso, quem dirá a população.

Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. O crescimento econômico não pode acontecer desordenadamente, mas, infelizmente, vem acontecendo em nossas cidades, principalmente em Canela.

Entendo, como pessoa, o momento vivido na Região, mas como jornalista tenho a obrigação de questionar se tudo o que deveria ser feito para evitar problemas como o do prédio que desabou foi realmente realizado.

Com tudo o que estamos presenciando, não seria o momento de quem detém o poder mudar algumas atitudes?