Canela,

13 de junho de 2024

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VIRE O MATE – “Se cada um plantasse seu bife…”

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Mas não dá né? Ainda somos dependentes daqueles que sujam as mãos no braçal trabalho do campo, indiferente a nossa escolha de dieta. Ainda dependemos muito do “gaúcho”. Ué?! Não se separa o gaúcho da sombra da personalidade do homem rural, embora não se restringe a isso, não tem como separar. Estamos quase em 2023 e ainda há o senso comum de que o campo é a casa dos de bombacha. Logo, quem põe a comida na bandeja que chega as gondolas de supermercados? Aqui no sul é o gaúcho.

Não estou dizendo que todo agricultor ou pecuarista é o retrato do estereotipo do nosso cidadão tradicionalista, apenas explanando a ideia de que dependemos do serviço que fez nosso homem rural ser chamado de gaúcho a tantos e tantos anos atrás. Ainda somos dependentes. Inclusive, não há tecnologia desse mundinho que substitua a ciência de um homem que olha para a terra!

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Existe um visível afastamento da realidade das fazendas e lavouras até onde chega o produto final no que diz respeito a produção. Está muito em alta a rastreabilidade dos produtos de todas as origens, mas ainda sim, isso conta sobre endereço e não suor e processos. Pelos campos, ainda se pratica muito do plantio e colheita bem de acordo com as rotinas centenárias e de igual na pecuária mais aprimorada, sempre o mesmo.

No nosso sul de mundo, gente campeira revisa o gado, cura umbigo da terneirada nascida, leva o sal, banha o gado… não se faz mais tropas em longínquas tropeadas afinal, há transporte adequados para isso, e é assim o ciclo do bife. Tudo sempre trabalhando a cavalo, que: nasce, é domado, destinado serventia, movimenta o mercado… e essa lida toda recomeça as manhãs e não se acaba nunca. Ali mora o gaúcho. Nesse serviço braçal. Onde muitas vezes, como cantam naquela canção: “o brabo mesmo até parece farra”. Fazer dos dias servidão ao campo e a terra dentro dos costumes passados de geração é definitivamente ser o gaúcho. Coisa regional, mas é assim aqui!

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Essa tradição no que diz respeito a como a coisa é feita, ela pode balançar com tanta modinha moderna, mas ela não há de morrer nunca porque enquanto achamos que estamos enfraquecidos em expressões culturais populares, nos fundões do RS a lida existe e respira vivíssima! Não é saudosismo, mas é para o interior dos galpões e lavouras, no dia a dia rural que vamos buscar o respiro da tradição quando quisermos voltar a olhar sobre a identidade de nós mesmos. Queira ou não queira a nossa verdade. Achar a forma em que é conduzido esse trabalho, algo rudimentar e que não, de alguma forma representa sobre a gente daqui, não muda a origem de nada nadinha. Se cada um plantasse o seu bife, não precisaria do trato do campo, ou seríamos nós parte desse trato também?