Canela,

17 de julho de 2024

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Leo de Abreu

VIRE O MATE

Leo de Abreu

VIRE O MATE – Lograram o gaiteiro!

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Mas que barbaridade, não é fácil essa lida. Além de ter que andar trabalhando quase por conta dia após dia em nome de uma tradição tão capenga do apoio popular, ser logrado por quem mais deveria fomentar a classe cultural é coisa muito braba!

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Vejam bem, é dezembro e Canela tá na televisão não por suas luzinhas!

Eu penso que sempre que escrevo reclamando devo ter ao menos uma solução imaginada, mesmo que seja baseada só no que acho… é feio ser visto como sempre reclamam. Mas de que jeito se sai de uma coisa dessas, tão fora das nossas mãos?!

Ser artista e buscar o sustento na arte é difícil em toda categoria, seja ela na música, o teatro, a dança e isso é sabido já. Durante a pandemia a classe sofreu um horror. Todos em casa assistindo a lives que na maioria das vezes se equiparava ao “tocar pra ser visto” porque não havia retorno financeiro nenhum. Era estar presente de maneira online e tentar atingir o máximo de pessoas fazendo aquilo que em tempos normais haveria um cachê do contratante. Indiferente que o contratante fosse do poder público ou privado. O show estava lá… disponibilizado em qualquer aparelho celular.

Agora, por hora, estamos na ativa. Estamos porque me incluo, vivo da minha arte também. E sabe como estou (estamos)? Logrados em casa! Fomos chamados a levar entretimento e alegria de apresentações para nossos amigos e vizinhos na nossa cidade, coisa rara de acontecer, e levamos foi fumo! E não foi só os de bombacha. Artistas de todos os jeitos estão na fila pra receber cachês que estão por aí, no bolso de alguém. Durante a Festa da Colônia de 2022, muitos contratados, peleias entre concorrentes de produtoras e agora escândalos. Vão nos pagar quando?

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Levando o olhar de logrado mais a fundo, é escancarado o quanto isso consegue ir além do lado financeiro. Isso é triste, isso é sujo. Não poder trabalhar com arte na própria cidade. Não ter uma porta aberta pra colocar o artista de frente para os seus na cidade, é triste!
Vou falar no que toca a parte da tradição gaúcha: toquei em todas semanas farroupilhas nos últimos anos, fui remunerado bem como em eventos menores. Mas tanto eu, como colegas de palco sabem que achar o tal contato de quem organiza não é nada fácil. Todo ano uma correria em cima do laço. Fomos nos últimos anos largados nas mão de produtoras que terceirizavam o evento todo aqui e ali… gente de fora ocupando vagas deixando gente competente daqui de lado. Os mesmos se repetindo a cada programação. Conselho de cultura tendo as mãos cada dia mais amarradas e sem orientação… O que temos de gente boa e de talento aqui não é pouca! Falando novamente sobre, olha o que foram várias apresentações dessa última festa da colônia! Exceção daqueles poucos que só foram pelo pila, olha como teve projeto bonito e que leva lindo o nome da cidade por ai! É preciso entender, que muitos não são conhecidos por falta da oportunidade de bons palcos aqui. Grana? SEMPRE VEM. Somos uma cidade como qualquer outra, também recebemos para termos acesso a arte como qualquer outra. Mas tá na mão de quem andou logrando uns gaiteiros, uns cantores… os canelenses…

Como que vou escrever pedindo tradição, se tão logrando parelho?