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CEEE anuncia ampliação da usina de Bugres e inspeciona aqueduto de mais de 2km

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Túnel construído no início da década de 50 é esvaziado pela primeira vez em trabalho inédito no Estado

Fotos: Filipe Rocha, Fernando Vieira – Divulgação CEEE, Letícia Jardim – Divulgação CEEE

Pouca gente sabe, mas nossa região conta com uma grande obra de engenharia, construída na década de 50. É a transposição das águas do Rio Santa Cruz, a partir da barragem do Salto, em São Francisco de Paula, para a Hidrelétrica de Bugres, em Canela.

Nesta semana, o túnel que leva essa água foi totalmente esvaziado pela primeira vez de sua construção para uma inspeção técnica e a CEEE – Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul nos convidou para acompanhar um pouco deste trabalho.

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Túnel que desvia águas do Rio Santa Cruz para o Paranhana foi esvaziado pela primeira vez desde sua construção

Ampliação PCH Bugres

A PCH – Pequena central hidrelétrica de Bugres, situada na localidade rural com o mesmo nome em Canela, está em operação desde 1952 e tem capacidade de gerar 11,12 MW (megawatt). Recentemente, a CEEE obteve financiamento com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento para ampliar a potência da usina para 19,2 MW, um aumento de mais de 80% na geração de energia elétrica.

Bugres pertence ao Sistema Salto, mesmo ficando 3,63Km da barragem do Salto e utiliza as águas do Rio Santa Cruz, acumuladas nas barragens do Salto, Blang e Divisa.

Estas águas chegam até a usina através de um túnel, escavado na rocha, com 2,08Km, após, segue em canos de ferro, podendo ser direcionadas para as usinas de Bugres e Canastra, ao mesmo tempo ou individualmente. Este túnel é vital para o funcionamento da PCHs.

Para a ampliação da capacidade de Bugres, a CEEE montou uma grande operação para inspecionar o túnel.

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Com a ampliação, Bugres vai gerar 80% a mais de energia

A inspeção

Jorge Paglioli Jobim, diretor de Geração da CEEE, explica que o edital para o início da ampliação de Bugres já foi publicado e que essa inspeção vem sendo planejada há muito tempo, uma vez que a transposição tem papel importante no ecossistema da Bacia do Rio Paranhana.

“A data foi escolhida em conjunto com as comunidades que poderiam ser atingidas e podemos afirmar que somente houve prejuízo em atividades de lazer, como o rafting e banhos no Paranhana”.

O trabalho iniciou no último dia 28 e encerra hoje, 07, com o enchimento do túnel.

Até o momento vai tudo bem, mesmo com a complexidade da tarefa. Como não há registro que o túnel havia sido esvaziado desde sua construção, no início da década de 50, a CEEE teve a preocupação de registrar todos os passos, deixando este trabalho para as gerações futuras.

Uma empresa especializada em mergulho e outra em georreferenciamento trabalharam por três dias no interior do aqueduto.

“É importante registrar que nenhuma das cidades do Vale do Paranhana registrou algum tipo de problemas com a interrupção da transposição. O momento escolhido foi o final de junho, quando o Paranhana recebe mais águas de pequenos afluentes e não sentiria tanto a falta das águas do Salto”, afirma Jobim.

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Uma empresa de mergulho foi contratada para a inspeção

O aqueduto

Construído no início da década de 1950, o túnel tem 2.080 metros de extensão e 2,2 metros de diâmetro, escavado totalmente na rocha, sendo o seu interior revestido com concreto. Ele passa por baixo da localidade do Salto e da ERS 235, até chegar em Canela.

A tomada de água é realizada na margem esquerda da Barragem do Salto, em uma casa de máquinas localizada praticamente sob o muro. Ali se encontram os controles das comportas da própria barragem e do túnel.

O túnel inicia 11 metros abaixo da casa de máquinas e tem um desnível de apenas cinco metros até o seu final, já na localidade rural de Bugres. A água é conduzida apenas pela força da gravidade.

A partir deste ponto, existe uma casa de válvulas, que permite direcionar a água apenas para PCH Bugres, apenas para PCH Canastra, ou para as duas ao mesmo tempo.

Uma equipe saiu deste ponto e outra do Salto, na vistoria do túnel. As duas se encontraram no meio do caminho.

Da casa de válvulas até as turbinas de Bugres, são mais 1,4Km, em canos de ferro, trajeto que também foi inspecionado.

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A casa de máquinas é o ponto de tomada d’água para o aqueduto

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Vista interna do túnel, quando da sua construção, no início da década de 50

Barragens e Canastra

Logo após a PCH Bugres está localizada a Barragem do Canastra, que também foi totalmente esvaziada e inspecionada. A CEEE aproveitou para fazer manutenção na barragens e nas casas de máquinas, inclusive do Salto.

A PCH Canastra está localizada cerca de 7Km após a barragem. Ela tem capacidade de geração de 21,25MW e foi construída em 1956. A geração utiliza as águas das nascentes do Paranhana e também da tranposição das águas do Salto.

É neste ponto que o Rio Paranhana recebe as águas do Rio Santa Cruz, mais que dobrando o seu volume.

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A Barragem do Canastra também foi totalmente esvaziada, inspecionada e recebeu manutenção

Cuidados com o meio ambiente e com população

Você talvez não tenha se dado conta, mas muitas pessoas dependem da água do Salto e não são das cidades de Canela, Gramado e São Francisco de Paula.

As cidades do Vale do Paranhana, como Três Coroas, Igrejinha, Taquara, Parobé e Campo Bom dependem desta água para consumo e diversas atividades.

Para se ter uma ideia, segundo o chefe do Sistema Salto, Everton Serafim Vieira, em condições de tempo normal, quando a água do Salto não está passando por cima da barragem e o escoamento é feito pelas comportas, são liberados 5m³ por segundo de água para o Rio Santa Cruz e esse é o volume de água normal do rio. Já a transposição garante 8m³ de água para o Rio Paranhana.

Ou seja, a barragem do Salto garante mais água para o Paranhana do que o próprio volume que é liberado para o Santa Cruz a partir do Salto.

E é justamente esta água que é usada para o abastecimento humano nas cidades do Vale do Paranhana. Portanto, sem a transposição, o Rio Paranhana seria um arroio e não garantiria o abastecimento.

Além disso, vem o fator econômico, com o rafting e a exploração turística do Rio Paranhana e o mais importante de todos, o ambiental. O Paranhana deságua no Rio do Sinos, bacia do Lago Guaíba.

Em razão de sua geografia e da poluição que recebe das cidades do Vale do Paranhana e Vale do Rio do Sinos e dependesse apenas da sua nascente, o Sinos já teria sido extinto há muito tempo. O que garante a sobrevida é a transposição feita no Salto.

Outro detalhe interessante foi a preservação dos peixes da barragem dos Bugres e ainda aquelas que estavam no aqueduto. A CEEE construiu um dique, aonde foram armazenados os peixes. Assim que o Bugres estiver no nível normal, os peixes serão devolvidos à barragem.

A equipe aproveitou para catalogar e contar as espécies que vivem ali, tendo um controle exato deste meio ambiente.

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O salvamento de peixes foi uma das preocupações durante a inspeção

Barragem das Laranjeiras

O diretor de Geração da CEEE, Jorge Jobim, aproveitou o encontro para falar com a imprensa sobre outros assuntos que envolvem o Sistema Salto e preocupam a comunidade. Um deles é a Barragem de Laranjeiras, localizada logo abaixo da PCH Canastra, de onde partem os botes de rafting no Rio Paranhana.

“Essa situação nos causa preocupação, assim como a toda a comunidade do entorno”, explica Jobim, “mas, como ela pertence ao Governo do Estado e não à CEEE, não é possível que realizemos inspeções ou manutenções em Laranjeiras”.

Passagem do Salto

Outro ponto polêmico é a utilização das áreas próximas às barragens. No caso do Salto e dos Blang, muitos afogamentos aconteceram nas “piscinas” que se formam nos pés das barragens.

Além disso, populares utilizam as passagens abaixo das barragens como via de acesso para diversas localidades.

Everton Vieira explica que estas áreas são particulares e não poderiam ser utilizadas pela comunidade, principalmente as piscinas formadas após as barragens. Apesar dos esforços da empresa em colocar avisos sobre ser área particular e impróprias para banho, as pessoas insistem em utilizar e muitas vezes acontecem acidentes, alguns fatais, como nos Blang, neste verão, quando duas pessoas morreram afogadas.

Quanto à utilização das travessias, a questão está judicializada. “A CEEE quer cumprir a lei, estas travessias são exclusivas da empresa para trabalhar nos reservatórios”, afirma Vieira. Recentemente, uma medida judicial garantiu a utilização da passagem em dias que o nível da água está normal, mas isso vai contra a legislação que regula as atividades da CEEE.

A empresa aguarda o fim do processo judicial e espera que o Município de São Francisco de Paula garanta outros acesso para as localidades.

Enquanto isso, a travessia tem sido fechada em dias de muita vazão de água e diversos avisos são colocados para que a comunidade não os utilizem.

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Jorge Jobim e Everton Vieira falaram sobre o Sistema Salto

Confira no Infográfico como foi realizado o trabalho de inspeção do túnel.

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