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Se diz “Cria de Canela”, mas…

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Uma nova brincadeira tem dominado as redes sociais, as pessoas têm publicado em seus perfis do Facebook, Twitter e Instagram fases do tipo: “diz que é de Canela, mas não conheceu Trica Azul”.
A brincadeira do “diz que é cria, mas” satiriza pessoas que dizem ter nascido em um determinado lugar, mas nunca vivenciaram situações cotidianas da região citada. Segundo informações, a brincadeira faz referência a um lugar e hábitos peculiares, e isso movimenta a memória nostálgica das pessoas.
A origem do viral é desconhecida, aqui nas plagas do RS, iniciou em Tapes e logo em seguida tomou o Estado, porém, memes parecidos já inundavam as redes sociais Brasil a fora.
Na internet, a definição de viral, na internet, designa a ação de fazer com que algo se espalhe rapidamente, semelhante ao efeito viral .
Ao pé-da-letra de Trending Topic (TT) é tópico em tendência. Mas o termo usado na versão em português, “Assuntos do Momento”, explica melhor o conceito.
A reportagem da Folha fez uma pesquisa e constatou que o Trending Topic do “Cria Du Canela” foi o Boca.

O Boca
Cavocamos no baú e tentamos “estoriar” a passagem de Claudiomar Gomes por Canela. Não sabe quem é? Trata-se do Boca, um andarilho que viveu na cidade entre as décadas de 1980 e 1990.
Quando o Boca chegou por Canela não se sabe ao certo, mas acabou indo embora no final da década de 90, por volta de 1998.
Boca fez fama por assustar a gurizada e os pais não deixavam por menos: “olha, o Boca vai te pegar”!

Foto: Francisco Rocha – Zé Véio, chapeador e contador de causos

Não se sabe o motivo certo que fez Claudiomar se fixar em Canela. A gente conversou com João Francisco Nunes, 68 anos, chapeador e contador de histórias, mais conhecido como Vevéio ou Zé Véio.
“Cria Du Canela”, Vevéio tinha uma oficina na Rua Sete, na propriedade de Adir Velho, onde o Boca “morou em umas pecinhas por um tempo”. Ele conta que o andarilho tinha estudo, alguns diziam que ele era engenheiro, mas por algum motivo se perdeu para a bebida. Além disso, “a família do Boca era bem de vida, de Novo Hamburgo, se não me falha a memória”.
No Baú do arquivo de fotos do Jornal de Canela, encontramos aquele que talvez seja um dos únicos arquivos fotográficos do Boca, perambulando por Canela e criamos um meme.