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360 Graus por Francisco Rocha: Notas sobre as eleições

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Gilberto Cesar na Assembleia I
Com a vitória de Eduardo Leite para o Governo do Estado, aumentam as chances do vice-prefeito de Canela, Gilberto Cesar (PSDB), assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Alguns veículos de comunicação da Capital falam da possibilidade de Any Ortiz (PPS), deputada estadual mais votada e pré-candidata à Prefeitura de Porto Alegre em 2020, assumir uma secretaria de Estado, o que daria mais visibilidade na disputa.
Além disso, Zilá Breitenbach (PSDB) e Pedro Pereira (PSDB), também têm chance de integrar o novo governo, abrindo, assim, vagas para suplentes.

Gilberto Cesar na Assembleia II
De qualquer maneira, vale registrar o fato de que 211 votos efetivamente afastaram Gilberto Cesar de assumir, já em janeiro, uma vaga na Assembleia.
Vale destacar que também, se acontecer, que tal fato seria de extrema importância para toda nossa região, um polo turístico e gerador de renda, porém, sem representatividade na Assembleia, coisa que até mesmo a região do Paranhana conseguiu.
Não cabe aqui discutir a votação de deputados de fora no primeiro turno, pois cada partido tem sua estratégia e águas passadas não movem moinhos, cabe sim, torcer para que esta configuração do secretariado de Leite se consolide e possamos ter o jovem tucano canelense defendendo nossas prioridades regionais em PoA.

Modo soneca – a favor da imprensa
Quem me acompanha fora do círculo profissional sabe que fui eleitor de Jair Bolsonaro, nos dois turnos das Eleições 2018. Mas, cansa minha beleza estes bate-bocas sem fim, tanto nas redes sociais quanto pessoalmente, logo, não me manifestei muito neste sentido.
E mais, usei, com sucesso, a ferramenta soneca do Facebook. O mais absurdo é que dos cinco perfis que coloquei para dormir, três eram de bolsonaristas.
O pessoal é chato demais, compartilha fakenews, fala abobrinhas, mas a gota d’água foi quando comecei a ler manifestações pelo fim da imprensa, de ambos os lados.
Acham, alguns, que a imprensa deve acabar e que as redes sociais são a nova forma de comunicação inexorável.
Há 20 anos trabalhando na área da comunicação, sei que a imprensa é atacada quando não fala aquilo que alguns leitores querem ouvir. Então, críticas são as mais normais do mundo.
O que não entra na minha cabeça é confundir liberdade de expressão e liberdade de informação com compartilhamento de notícias falsas, o que cresceu de maneira assombrosa nesta eleição.
Antes de seguir com meu raciocínio, sei, pois sou do meio, que muitos profissionais da imprensa são sim de esquerda, alguns muito chatos por sinal, mas é preciso ir devagar com o andor.
Querer o fim da imprensa, acreditando que os palpites e fakes das redes sociais podem suprir a informação da sociedade é, por si só, uma grande falta de informação.
A internet é uma ferramenta fabulosa, mas ainda cheia de mentiras e é por isso que a imprensa nunca foi tão necessária quanto hoje em dia.
O que precisamos é de uma imprensa livre, analítica e responsável, não importa a mídia, se na internet, no papel, ou escrito embaixo do rabo do gato.

A Lava Jato só se criou porque a imprensa comprou
A Lava Jato, tão citada por antipetistas mundo a fora, só é a Lava Jato porque a imprensa comprou a ideia (diz uma matéria veiculada com citações de Christianne Machiavelli, assessora de imprensa da Justiça Federal e por extensão da Lava Jato e de Sergio Moro).
A diferença entre uma citação em uma rede social e a matéria de um veículo de comunicação é justamente tudo o que está por trás. Uma empresa, com sede e uma pessoa jurídica que responde por seus atos, profissionais e, o mais importantes, fontes confiáveis.
A vocês, que abominam a imprensa, lamento em dizer, ela nunca foi tão e necessária. E mais: vai continuar e se fortalecer nestes tempos de notícias falsas.

Nem um, nem outro
Falava para um amigo, militante da esquerda, após o almoço de terça: o governo de Bolsonaro não vai ser bom como pregam os eleitores do “Coiso”, nem ruim como esperam os do “Ele não”.
Bolsonaro não terá nem um dia de sossego, serão oposicionistas e parte da imprensa querendo expor seus atos falhos diuturnamente.
Não – vai – ter – lua – de – mel, p*%%@!
Por outro lado, como dizia a minha vó, um governo que não atrapalha, já ajuda bastante.

Um país feito para não funcionar
O Brasil é um país feito para não funcionar. É impossível empreender neste país sem sofrer de úlcera. Burocracia, justiça lenta e tendenciosa (principalmente a trabalhista), altos encargos sociais, juros no espaço sideral. Era uma mudança necessária.
Se não sortir efeito, o país encontrará uma terceira via daqui a quatro anos.
E a-ca-bou, p*%%@!

Olha o Mourão
E para finalizar, vale dizer, aos que sonham com um impeachment de Bolsonaro, que sempre é bom lembrar que seu vice é o general Mourão.

Números de votos do PT
Não me surpreendeu a votação do PT, nem nos Estados do Nordeste, nem em Canela e Gramado. Em uma eleição polarizada, 10 pontos percentuais de diferença ao nível nacional é um resultado normal.
Se for ver, também pelo número de votos, 5.044 votos em Canela não é nenhuma enormidade, nem os 3.997 de Gramado. A bem da verdade, poderiam ter sido mais, nas duas cidades, em razão das manifestações em redes sociais.

Governo do Estado
O gaúcho repetiu sua tradição de não reeleger governador. Eduardo Leite (PSDB) terá um grande desafio pela frente, mas, se assim como Bolsonaro, não atrapalhar, já ajudará bastante.