Início De Prosa e Verso De Prosa e Verso, por Fabiano Hanel: Vagão do Tempo

De Prosa e Verso, por Fabiano Hanel: Vagão do Tempo

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Nossa volteada cultural resgata uma das mais belas composições da cidade, escrita, musicada e arranjada por “crias” de Canela. “Vagão do Tempo” – este recuerdo é uma homenagem a inauguração do nosso trem.
Em uma parceria público – privada, prefeitura e Incorporadora Nova Alternativa deram vida à antiga estação e ao nosso trem no último dia 30 de janeiro, com uma revitalização minuciosa e impecável! Esta parceria resgatou o orgulho de sermos canelenses.
“Vagão do Tempo” tem letra de Francisco Martins da Rocha, música de Leonardo da Rocha e os arranjos de Osmar da Rocha, este exímio gaiteiro e ex-patrão do CTG Querência de Canela.
O tema nos remete as antigas viagens do trem, entre partidas e chegadas, levou e trouxe sonhos, desejos e saudades.
A música foi escrita conforme os relatos da avó do Francisco Rocha Sra. Andradina, que contava as histórias do tempo do trem em plena atividade.
Foi gravada em janeiro de 2003 pelo grupo Vozes do Tempo, na época com os seguintes integrantes: Arthur Velho, violão solo, bateria e percussão Ivair Alves, violão base Leonardo Rocha, na gaita o Edson Borba, contrabaixo Francisco Rocha, vozes de Leonardo Rocha e Francisco Caldas.

Vagão do Tempo

(Francisco Martins da Rocha, Leonardo Rocha)
Arranjos Osmar da Rocha 
Gravação: Grupo Vozes do Tempo

Volta a Canela na minha Serra Gaúcha.
Para encontrar alguma coisa que perdi,
Estas lembranças são as cinzas do passado,
Quisera eu ter vivido e não vivi.

Parece que vejo o velho trem subindo a serra,
E minha alma também vai em algum vagão,
Ela ansiosa, mal vê chegar a hora,
De encostar em Canela na estação.

Vêm, vêm, vêm vagão do tempo,
Traga a minha mocidade,
Na bagagem as raízes da cidade,
Nos seus trilhos, os meus sonhos de guri.

Esta imagem, que por si vem a minha mente,
E se dissipa qual a nuvem de fumaça,
Segue caminho, num “tranquito” lentamente,
Chama atenção dos que caminham pela praça.

Traz na bagagem mil histórias pra contar,
Nestes trilhos que percorrem o coração,
E bate o sino, ressoando pra avisar,
Que o velho trem já vai deixando a estação.

Vai, vai, vai vagão do tempo,
Leva aminha mocidade,
Na bagagem as raízes da cidade,
Nos seus trilhos, os meus sonhos de guri.

Esta lembrança é um regalo para o meu amigo, diretor deste semanário “Chico” Rocha, que compôs estes versos e que fiz parte da minha adolescência, saudoso, guardo no pensamento os dias que outrora encantaram o meu viver.