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Luiz Antônio Alves: Os Schmith da Serra Gaúcha

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Os Genealogistas mais experientes sabem que a grafia dos nomes e sobrenomes varia de acordo com as tradições e costumes, época e legislação. A origem geográfica também determina a construção da nomenclatura familiar. Às vezes, por uma questão de letra ou pronúncia irmãos são registrados de forma diferente um do outro.
Os casos mais conhecidos aqui no Brasil são: Souza (com “z”) ou Sousa (com “s”). Luiz ou Luís; Isabel ou Izabel; Alvez ou Alves; Motta ou Mota e Cardoso ou Cardozo. E os registros de famílias dos imigrantes alemães e italianos geraram alterações significativas que não acompanharam o processo cultural original.
No caso em especial desta família é de que há diferenças interessantes sendo encontrados Schmith, Schmidt, Schmitt, Schimit ou Ximith. Quase todos da mesma vertente e aquerenciados na Serra Gaúcha. O patriarca é o alemão Johann Wilhelm Schmitt que aparece em diversos documentos no Brasil como João Guilherme Schmith. Ele trabalhava nas minas de carvão em Oldemburgo, Baixa Saxônia na Alemanha e chegou a São Leopoldo a 31 de dezembro de 1825. Veio casado com Maria Margaretha Nisset que nasceu também na Alemanha, mas com ancestrais nos Países Baixos (Holanda e Bélgica).
Um dos filhos do casal, José Miguel Schmith, já nascido em São Leopoldo, “sobe” a serra juntamente com outros Tropeiros e chega à região nas vilas de Criúva e Mulada que pertenciam a São Francisco de Paula e a partir de 1954 passaram a integrar o Município de Caxias do Sul. Numa dessas viagens conheceu e casou em 1863 com Eliza Pacheco Horn, filha do casal de fazendeiros Christiano Horn Filho e Esmerilda Amália Pacheco do Amaral. Tiveram onze filhos que casaram com membros das famílias Pacheco Horn, Bertussi, Gomes da Silva, Santos, Souza, Castilhos, Hoffmann, Passos, entre outros. Todos eles tiveram, por herança ou por compra, terras onde se localizava a antiga e babilônica Fazenda Palmeira dos Ilhéus. Cabe destacar que José foi eleito Vereador em Santo Antônio da Patrulha e participou da Revolução de 1893 como Tenente da brigada legalista. Um dos seus filhos, criador de mulas e gado vacum, João Pacheco Schmith casou com Carolina Gomes da Silva (tataravós da minha esposa Sandra) e tiveram quatro filhos sendo um deles, Troianno Pacheco Schmith casado com Maria Antônia dos Santos (filha do Tropeiro João Saturnino dos Passos e Maria Joana dos Santos).
Troianno tinha a profissão de “compositor” de cavalos de corrida. Ou seja, ele era um famoso treinador, jóquei e ginete que participava das antigas e tradicionais “carreiradas de cancha reta” em cima da serra. A maioria dos descendentes de Johan Wilhelm (Guilherme) ainda gosta da lida campeira e não sabem falar em alemão. E vive aqui na serra gaúcha, Canela, Gramado, Caxias do Sul e São Marcos.