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Quanto vale a tampinha que você joga fora?

Fotos: Francisco Rocha – Alunos da Escola Neusa Mari Pacheco ajudando na triagem das tampinhas
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Na Apae de Canela, vale muito. Entidade usa programa socioambiental para garantir recursos financeiros que mantém atividades com alunos especiais

Aquela tampinha plástica que você ignora ao jogar no lixo tem movimentado uma economia solidária – e sustentável – no Rio Grande do Sul. Há quase três anos, um programa socioambiental propõe que entidades assistenciais coletem, separem e troquem as tampinhas por dinheiro. Aqui em Canela, duas entidades estão cadastradas no programa, a Apae e o Oásis Santa Ângela.

Na prática, a tampinha vira moeda solidária e mobiliza a sociedade a dar o destino adequado aos resíduos plásticos.

A Apae Canela, por exemplo, já obteve mais de R$ 3 mil pelas tampinhas coletadas, valor que auxilia nos programas realizados com os alunos da Escola Especial Rodolfo Schlieper, financiando desde atividades de campo a pagamento dos funcionários.

Cada tampinha faz a diferença

O slogam da campanha já diz tudo, cada tampinha faz a diferença. Após serem coletadas, as tampinhas são separadas, embaladas e levadas para Porto Alegre, aonde são pesadas. Sete dias após a entrega, o dinheiro já está na conta.

A Apae já realizou duas trocas, mas quer muito mais. Na tarde de ontem (6), a reportagem da Folha esteve no salão da entidade, aonde acompanhou um pouco deste trabalho de limpeza e separação das tampinhas. Nesta tarde, alunos do sexto estavam auxiliando no trabalho, como atividade da Semana do Meio Ambiente. Segundo a professora Paola Cazzanelli, que acompanhava a turma, a escola tem um programa de reciclagem com recolhimento de latas e plástico, as tampinhas, mandam para a Apae. “Os alunos tinham curiosidade sobre o que era feito com as tampinhas, então, trouxemos eles para auxiliar no trabalho de limpeza e separação”, disse a professora.

Cira Alves Dutra, responsável pelo Administrativo da Apae, reforça que existe todo um trabalho de triagem das tampinhas, separação por cor e a forma de embalar. “Se não for tudo certinho, a entidade é excluída do programa”, diz Cira, que realiza este trabalho em conjunto com a professora Rosângela Aguiar, também da Apae.

Todo o material não plástico é retirado e as tampinhas separadas por cor

Outros materiais também são aceitos

A Apae quer difundir essa ideia na comunidade, pois são muitos os materiais que servem de moeda solidária. Muitas coisas que acabam indo para o lixo, fazem diferença para as entidades.

Por exemplo, tampas de potes plásticos, latas de tinta, embalagens de perfumes e desodorantes, lacres de alumínio, canudinhos, tampas de margarina, sacos de batata e até cartelas de medicamento, tudo isso vira dinheiro vivo para a Apae. Os lacres, vão virar ração para a amigo bicho.

Participe, recicle e ajude

Para participar deste corrente ecológica e solidária é muito fácil, basta separar este tipo de material e levar até a Escola Rodolfo Schlieper, o resto fica por conta do pessoal da Apae.

Sobre o projeto

O tampinha legal é um projeto do Instituto SuntenPlast, com o objetivo de fazer a matéria-prima retornar para a indústria, tendo caráter educativo, sensibiliza a população sobre a destinação correta do plástico, fazendo com que o material seja descartado adequadamente, contribuindo para a transformação de matéria-prima das indústrias, além de contribuir com entidades assistenciais.

As entidades são orientadas a separar as tampinhas por cor, o que aumenta o valor agregado do produto, e a armazená-las em sacos de batata, para que haja ventilação e se evite o acúmulo umidade. As tampinhas devem estar limpas. Após a coleta, são levadas para pesagem e entrega na Fundação Gaúcha dos Bancos Sociais. Sete dias depois, as entidades recebem o dinheiro.

Após separação, tampinhas são embalçadas e levadas à Porto Alegre, virando moeda solidária