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Após fiscalização, Corsan presta esclarecimentos na DP

Amostra coletada para análise aonde o efluente deveria ser devolvido, tratado, ao meio ambiente
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Ação conjunta buscou esclarecer irregularidades na Estação de Tratamento de Esgoto do bairro Celulose

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Canela e a Polícia Civil realizaram inspeção na Estação de Tratamento de Esgoto Santa Terezinha, que recebe o esgoto cloacal do centro de Canela, Vila Suzana e mais alguns bairros.

O local é operado pela Corsan, que tem a concessão da exploração do esgoto cloacal em Canela, serviço que é alvo de um processo judicial, uma ação civil pública e um inquérito policial, pois não atende as normas vigentes e acaba poluindo o meio ambiente por não tratar adequadamente o esgoto.

Amostra sendo colhida para análise

Por mais de uma vez, a Folha de Canela denunciou o péssimo serviço da Corsan no que diz respeito ao tratamento do esgoto.

No ano passado, o Ministério Público obteve medida judicial para cessar a cobrança da taxa de esgoto, uma vez que o tratamento não estava sendo realizado.

Na manhã de hoje (16), a inspeção buscou amostras dos efluentes, para verificar o nível de poluição, com amostras colhidas por técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e também de um laboratório de análises contratado.

A Polícia Civil acompanhou a ação e no final da inspeção conduziu os representantes da Corsan, que estavam no local, à Delegacia de Polícia, devido aos indícios de crime ambiental.

Inspeção contou com técnicos do meio ambiente e policiais civis

A inspeção

A Folha de Canela acompanhou a comitiva, que iniciou os trabalhos por volta das 8h30min e encerrou já próximo das 11h.

Foram vistoriadas as instalações, a operação e a saída da ETE, onde a água é devolvida ao meio ambiente, no arroio Santa Terezinha, um dos afluentes do Arroio Caracol.

Segundo o secretário Municipal de Meio Ambiente, estão claras as evidências de crime ambiental, porém, foram colhidas amostras antes, no meio e após o processo, também antes e depois que o efluente que deveria estar tratado é despejado no arroio.

“Assim poderemos dizer o quanto o tratamento é deficitário e onde ele está pecando”.

A investigação policial

O Delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela, informa que há em tramitação inquérito policial que investiga se, após tratada a água pela estação e lançada no curso do Arroio Santa Terezinha, há poluição ambiental, o que é crime previsto em lei. A autoridade policial informa que estão sendo verificadas as qualidades da água em todas as estações de tratamento no Município, sendo aguardados os resultados clínicos em relação às amostras coletadas na ação desta sexta-feira (16). Medeiros afirma que já realizou investigação similar no Município no ano de 2016, havendo indiciamento naqueles autos pela prática de crime ambiental, razão pela qual novamente investigados os fatos para monitoramento da qualidade da água no Município. “A questão é técnica e os exames laboratoriais realizados ao longo das investigações, somados às análises de amostras coletadas nesta sexta-feira, devem indicar ou não se há poluição ambiental com o lançamento da água, após tratamento, nos arroios da cidade”, complementou Medeiros.

O Secretário Municipal do Meio Ambiente de Canela, Jackson Muller, informa que se verificou, na vistoria realizada, grave poluição causada no arroio Santa Terezinha, de forma continuada e sistemática, decorrente de ETE subdimensionada e com reduzida capacidade de tratamento dos esgotos gerados pelos bairros Alto dos Pinheiros, Santa Terezinha e Vila Suzana, que correspondem a cerca de 30% da população de Canela, bem como que o lançamento de efluentes apresenta coloração e odores que alteram as características do corpo receptor, modificando a ecologia e promovendo a destruição da fauna de peixes, crustáceos e invertebrados. As avaliações preliminares indicam que o sistema de de tratamento dos esgotos encontra-se visivelmente saturado, agravando o quadro de degradação constatado no arroio Santa Terezinha. Evidencia-se com a vistoria realizada pelos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente que o sistema se encontra subdimensionado para atendimento das demandas existentes.

Na tarde desta sexta-feira (16), a Polícia Civil interrogou servidores da CORSAN, que estiveram acompanhadas no interior da Delegacia de Polícia por advogada da Companhia.

Imagens: Francisco Rocha

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