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Amigo Bicho anuncia encerramento das atividades

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Associação é responsável por cerca de 250 cães e a única que atua na causa animal de Canela

A ONG (Organização Não Governamental) Amigo Bicho, de Canela, anunciou hoje (19), o encerramento das suas atividades e posterior fechamento do sítio onde abriga cerca de 250 cães. A comunicação foi feita pelo vereador Jerônimo Terra Rolim (PSDB), voluntário da Ong e ativista da causa animal, durante a Sessão Especial da Câmara de Vereadores realizada no Campus da UCS Hortênsias.

O vereador falou com nossa reportagem e confirmou a informação. Segundo Rolim, a atual diretoria da Amigo Bicho já suspendeu o lar temporário para filhotes, portanto, a partir de hoje (19), não está mais recolhendo animais para tratamento e futura adoção.

Os próximos passos serão o levantamento da dívida da associação junto às clínicas veterinárias da cidade, as quais serão assumidas por Rolim e por Michelie Valente, presidente da Amigo Bicho. Após, será realizado um levantamento contábil que apontará quanto vai custar as verbas rescisórias dos dois funcionários que trabalham no sítio da Ong, no bairro Ulisses de Abreu. “Os brechós seguirão sendo realizados todos os dias da semana, pois será com este valor que a Amigo Bicho pretende realizar o pagamento da rescisão”, explica Rolim, adiantando que “após isso, o CNPJ será baixado e a Amigo Bicho deixará de existir”.

Inviabilidade financeira e pedidos de ajuste

O vereador explicou que o custo médio da manutenção da entidade é de cerca de R$ 25 mil por mês. O último repasse da Prefeitura de Canela aconteceu no final de 2018. “Após isso, tivemos nossas contas aprovadas, mas, no momento de realizar um novo plano de trabalho para receber recursos em 2019, tivemos um grande silêncio por parte da Secretaria de Saúde, que persiste até hoje”, desabafa Rolim. “O recolhimento e tratamento de animais de rua é de responsabilidade da Prefeitura. Nós realizamos este trabalho de forma voluntária e agora, nem mesmo os R$ 10 mil mensais que recebíamos vêm mais. Desta forma, entendemos ser melhor encerrar as atividades antes que a associação acumule dívidas que ficariam impossíveis de serem pagas”.

Conforme a Amigo Bicho, além de não repassar auxílio financeiro, a Secretaria de Saúde vem exigindo uma série de coisas, como o Plano de Prevenção e Combate a Incêndio (PPCI), um veterinário responsável técnico e a associação junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária.

A Ong argumenta que nenhum dos itens são devidos para o seu funcionamento, uma vez que o sítio é uma residência e não há exigência da lei de PPCI para o canil. Quanto às responsabilidades de medicina veterinária, o atendimento da Amigo Bicho é realizado por clínicas terceirizadas e cada uma delas tem seu responsável, devidamente inscrito no conselho.

A Prefeitura ainda exige Alvará de Atividades, o que, segundo a Ong, seria facilmente resolvido, caso a falta de repasse financeiro e as outras exigências não inviabilizassem as atividades.

O que será feito dos cães abrigados?

A Amigo Bicho não sabe afirmar o que será feito dos cerca de 250 cães abrigados no sítio do bairro Ulisses de Abreu com o encerramento das atividades. A Lei Estadual do Cão Comunitário determina que eles voltem para as ruas, uma vez que são todos castrados, apesar de não gostar da ideia, os voluntários não descartam esta possibilidade.

“Uma alternativa seria recorrer ao Ministério Público e entregar a chave do sítio na Promotoria de Justiça, assim os cães não precisariam ser soltos” diz o vereador Jerônimo, “uma vez que nem o Prefeito, nem o Secretário de Saúde, Vilmar Santos, nos recebem para explicarmos a situação”.

Desespero e confiança da comunidade

A Ong sabe que conta com a confiança de seus associados, voluntários e comunidade em geral, que sempre auxiliou para a manutenção dos serviços, porém, “após quase um ano sem receber os recursos prometidos, não há como continuar”, desabafa Rolim. O que nos deixa em desespero é não saber o que vai ser feito destes cães. Na questão da Saúde, a Prefeitura não cuida nem dos humanos, imagina dos animais”, finaliza.

Perguntado por nossa reportagem se, com a volta do repasse de recursos da Prefeitura, a Amigo Bicho continuaria operando, Rolim disse existe pouca possibilidade.

Foto: Reprodução