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Precisamos encontrar uma maneira de voltar a produzir

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Vou tomar aqui um posicionamento pelo qual, com certeza, serei muito criticado. Mas, não há crescimento na zona de conforto e ficar em cima do muro não é uma das minhas características.

Importante salientar que (em negrito mesmo, para ver se quem tem dificuldade de atenção entende) não pertenço a nenhum grupo político e não tenho políticos de estimação.

Também não queria estar no lugar de secretários municipais, prefeitos, governadores, ministros e presidente, que terão que tomar decisões impopulares daqui pra frente, mas, esta é a função deles, então…

Transferência das eleições municipais

Dito isto, quero voltar a um assunto que abordei na semana passada aqui em minha coluna, a transferência das eleições municipais para 2021.

Quando voltarmos a normalidade, após a epidemia do novo Coronavírus, teremos que voltar nossos esforços à reconstrução do país e, como todos sabemos, as eleições municipais provocam uma parada na economia dos municípios. Os únicos interessados na eleição são os candidatos que não têm cargo eletivo e buscam isso em outubro próximo. Eles que esperem para o ano que vem.

Há assuntos mais relevantes que campanha eleitoral. Prorroguem os cargos dos atuais prefeitos e vereadores. Assim, não precisaremos parar por dois meses para campanhas e muitas das figurinhas carimbadas que agora estão tentando se promover em cima da calamidade alheia perderão o incentivo para suas falastrices.

Temos que trabalhar

Não há outro jeito. Diversas cidades já começam a sentir o desabastecimento, serviços essenciais estão sem insumo para seguir operando e as comunidades carentes, a grande maioria autônoma, já vê o fantasma da fome chegando.
São muitas categorias Brasil afora, e, assim como o vírus, essa realidade vai chegar por aqui. Primeiro, claro, nas comunidades carentes, depois, à classe trabalhadora e, por fim, no profissional liberal, micro e pequenos empresários, que são quem realmente geram rendas neste país.

Depois, vai chegar ao poder público, pois, sem dinheiro, não haverá como pagar impostos e os cofres de prefeituras, estados e união vão secar. E o servidor público acha que quem vai ficar sem salário? Deputados, senadores, magistrados? Não, não, pergunte aos servidores estaduais como é ficar sem salário ou ter seu salário parcelado.

E, meu amigo leitor, quando seu dinheiro acabar, quando perder seu emprego, quando seu negócio fechar, como vai ser? Porque, se a coisa continuar como está, será isso que vai acontecer e tão rápido quanto o avanço de Covid-19.

Então, me nego a circular uma edição com uma manchete gigante com a frase “fique em casa”.

Precisamos encontrar uma maneira de combater este vírus sem deixar as pessoas paradas em casa. Como não classificar parte do comércio e dos serviços de nossa cidade como atividades essenciais.

Precisamos ter coragem, não medo.

Precisamos enfrentar esta situação de outra forma.

Ter cuidados sim, mas não parar.

Concordo com a proposta apresentada pelos empresários gaúchos, que é o retorno gradativo das atividades econômicas, permitindo que as empresas – atendendo as recomendações de saúde, como o teletrabalho dos grupos de risco, o distanciamento entre pessoas, entre outras, firmando protocolos de contingência – possam operar com 50% de pessoal nas suas atividades e retomando a100% em 6 de abril, quando o isolamento horizontal já terá cumprido 16 dias.

E não me venha com discurso ideológico, porque 99% dos políticos estão preocupados é com sua popularidade e com a próxima eleição, não seja massa de manobra. Quicá eles brigassem pelo povo como o povo briga por eles.