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360 Graus – Já não somos os mesmos, nem vivemos como nossos pais

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Talvez você não goste, mas já deve ter escutado a música “Como nossos pais”, de Belchior, eternizada na voz de Elis Regina.
A canção, que fez muito sucesso, foi composta e gravada em 1976, integrando o disco Alucinação, reparem no título!
Reflexo do contexto histórico e social da época, a canção fala de um conflito geracional e da angústia da juventude. Retrata o “perigo na esquina”, o tema dá voz a uma geração de jovens que viram a sua liberdade confiscada pela instauração da ditadura militar brasileira.
Mas, há na letra uma aviso: o novo sempre vem.

Reparem que a canção foi composta há 44 anos e traz muitos raciocínios que podem parecer atuais, entre eles a busca e a valorização pela liberdade.
Você também deve ter escutado que teremos, depois da famigerada pandemia do novo coronavírus, um novo normal. Ou seja, tudo vai ser, ou, pelo menos boa parte do que estamos habituados, novo, ou diferente.

Diante deste contexto tecnológico e de inovação, fico me perguntando como a comunidade gaúcha aceita a frase proferida pelo governador Eduardo Leite em uma transmissão ao vivo no Facebook? Aliás, Leite parece estar passando mais tempo como jornalista/marketeiro/digital influencer, do que gerindo o estado. O cara tá sempre on-line ou dando entrevista em meios de comunicação.
Mas, voltando a frase do Dudu:
– O mais fácil para o governo é a proibição total. Fecha loja, indústria. Portão fechado é mais fácil de fiscalizar. Estamos apostando e dando esse voto de confiança para que a sociedade possa mostrar o seu engajamento. Senão, vamos acabar migrando para a bandeira de maior restrição. Ou, eventualmente, após a bandeira preta, para o chamado lockdown.

Mas, hein? Que moda ditatorial é esta em que estamos vivendo, em que cidadãos de bem são presos nas ruas, em que prefeitos fecham empresas, soldam portões, governadores abrem e fecham cidades como se fossem eles reis?
– Subam os portões! – deve gritar um deles, dentro de seu palácio do governo como se fosse imperador medieval, ordenando seus súditos.
Esses pequenos atos tiranos do dia a dia vão se tornando normal no RS e no Brasil e para minha completa surpresa, aplaudidos por boa parte da sociedade (sic). Mas é sempre bom lembrar que há quem defenda a volta da ditadura militar.
Obrigado, Governador, pelo seu voto de confiança, mas cabe dizer que, no Brasil é o eleitor que venera o candidato/eleito, é o poste que mija no cachorro e o sorvete que lambe a língua.

O Entronado Leite deve pensar:
Mas que sociedade sapeca, hein? Que audácia, sair de casa e querer trabalhar, produzir! Peraí, vou mostrar um gráfico colorido na live…
Outro dia destes o governador, respondendo a uma pergunta em entrevista, na televisão, disse à debatedora: respeito sua opinião, mas lamento sua ignorância ante a evidência científica.
Ora, vá catar pelotas, governador, a crise do coronavírus é muito mais que uma crise de saúde, é uma gigante crise social, com reflexos na saúde, na educação, na economia, na segurança… E é justamente por este motivo que deve ser gerida e conduzida por profissionais de todas estas áreas.
Minha vó costumava dizer: governo que não atrapalha, já ajuda.

Se o novo que o coronavírus está trazendo é este, vou ficar com os que “amam o passado” da música do Belchior, mas preciso dizer que sou um apaixonado pela liberdade, seja ela econômica, pessoal, de expressão de imprensa.

Viva a liberdade!

Governador, eu respeito a sua opinião, mas lamento que o senhor ignore que existem problemas reais que afetam as pessoas além do coronavírus e que existe sim, vida inteligente fora do Piratini e da UFPel. As pessoas, governador, tem liberdades, direitos.
Mas, de tudo que este novo normal está trazendo, tiro uma certeza, nunca mais seremos os mesmos, nem viveremos como nossos pais.

Já faz tempo eu vi você na rua
Cabelo ao vento
Gente jovem reunida”…