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Gramado: família contesta diagnóstico de Covid para morte de homem de 63 anos

Foto: Reprodução - Exame coletado após a morte mostra que o paciente não estava com Covid-19
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Paciente consta como sétimo óbito na cidade pela doença, mas exame deu negativo

A família de um homem de 63 anos, incluída nos números de óbitos por Covid-19 em Gramado, contesta o diagnóstico e critica o tratamento recebido pelo Hospital Arcanjo São Miguel.

As pessoas que procuraram a redação da Folha não quiseram ser identificadas nesta matéria, com medo de retaliações, mas afirmaram não terem tido espaço para apresentar sua indignação junto aos órgãos de saúde de Gramado.

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Segundo a família, o homem de 63 anos foi internado para realizar uma cirurgia no ombro, machucado após uma queda. Ficou alguns dias internado e sua situação se agravou. “Ele tinha comorbidades, a gente sabe, mas não entrou no hospital com coronavírus”, disse um familiar.

Após uma tomografia, o paciente foi declarado como suspeito de Covid-19, pois tinha de 25% a 50%  dos pulmões comprometidos, vindo a falecer alguns dias depois.

O Hospital entrou em contato com a família, informando que ele havia falecido e que na tomografia havia sido diagnosticado suspeita de coronavírus, tanto que foi cumprido o protocolo e nem o velório foi realizado. Após, veio o resultado do exame, negativo. A família toda foi avisada que não havia sido Covid, aí, entramos nas redes sociais estava contabilizado como óbito Covid. É muito desrespeito com a família”, disse outro familiar.

O óbito constou no boletim epidemiológico de Gramado do dia 23 de julho, sendo considerado a sétima vítima fatal de Covid-19 na cidade.

A família possui o resultado do teste RT-PCR, colhido após a morte, no dia 21 de julho, que dá negativo para coronavírus, porém, o mesmo chegou alguns dias após a inclusão do número no boletim e do sepultamento.

Não pudemos fazer um velório, não pudemos nos despedir. Alguns familiares estão isolados, pelo contato, mesmo sem sintomas, e não puderam nem mesmo ir à missa de sétimo dia”.

Mesmo com o teste negativo, o óbito segue como confirmado por coronavírus, mas a família diz que nem o Hospital, nem o COE – Centro de Operações em Emergências, lhes deram algum tipo de explicação.

Sabemos que este número não vai mudar, mas as coisas vão continuar sendo feitas assim? Ninguém vai dar uma explicação à família? Temos o teste, ele não morreu de coronavírus”! Desabafou a familiar. “Isso não vai trazer ele de volta, mas a informação tem que chegar correta aos  entes queridos. Quantos casos assim já aconteceram e quantos vão acontecer? Queremos sim, uma explicação ou um pedido de desculpa”, desse ela.

Contraponto

A reportagem da Folha procurou o departamento de comunicação da Prefeitura de Gramado que afirmou checar o caso e enviar uma resposta.

Porém, após, nossa reportagem foi informada que “o COE e o Hospital acreditam ser importante que a Folha tivesse uma solicitação por escrito da família do paciente, porque não podem fornecer informações ou emitir depoimentos referentes ao caso sem que haja esse requerimento formal”.

Como a família preferiu não se identificar, a reportagem não pode trazer o contraponto das autoridades gramadenses.