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Um cenário de cooperação pode alçar a retomada do Turismo Regional em meio à crise

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A proposta foi levantada pelo diretor Executivo da Sicredi Pioneira RS, Solon Stapassola Stahl, durante palestra digital no Festuris Connection 

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Prestes a completar 120 anos, em dezembro de 2022, a Sicredi Pioneira RS não é somente a instituição financeira cooperativa privada mais antiga em funcionamento no Brasil e a primeira cooperativa de crédito da América Latina. Porém, uma entidade preocupada com o desenvolvimento social e econômico das comunidades nas quais está inserida, contribuindo para a geração de renda e emprego, onde as pessoas constituem o centro dos negócios e o turismo é um dos seus principais setores estratégicos. 

Segmento afetado pela pandemia do coronavírus, num ano que prometia retomada efetiva, inclusive reconhecida por economistas de todo país, o turismo pode e deve se reerguer. Assumindo características diferenciadas, cuidado redobrado na segurança e com caráter mais regional, é verdade, mas fazendo parte de um ecossistema que prima pela interdependência, onde todos dependem uns dos outros. Um cenário favorável à conhecida cultura da cooperação, de que ‘unidos somos muito mais fortes’. 

“Não há visitante sem hotéis, atrações turísticas, roteiros ou restaurantes. Precisamos vivenciar um mindset de colaboração a fim de encontrarmos soluções inéditas para um período igualmente peculiar, sem precedentes. Fórmulas do passado não nos auxiliarão a minimizar dificuldades. Hoje, podemos chegar mais longe e mais rápido se não estivermos sozinhos”, reforçou o diretor Executivo da Sicredi Pioneira RS, Solon Stapassola Stahl, durante sua palestra digital no primeiro evento em formato totalmente on-line, que surge com a proposta de contribuir na reconstrução do turismo no Brasil, o Festuris Connection. 

Solon fez alusão ao resultado alcançado pelo atleta recordista dos 400 metros rasos em 43 segundos. Na disputa em revezamento, com a mesma distância, o recorde bateu em 36 segundos. “Quando dividimos tarefas, aumenta a assertividade”, complementa. 

Fica fácil compreender o princípio da cooperação ao conhecer o propósito de uma cooperativa, que se trata de um negócio consciente impulsionado por um objetivo comum. “A cooperativa é o reflexo de suas comunidades. Não é possível obter lucratividade, delimitar sua força se as localidades que a abrigam não acompanham esta realidade. Precisamos entender que constituímos o mesmo ecossistema, a partir do olhar cuidadoso que direcionamos aos nossos parceiros, fornecedores, associados, colaboradores e até governos”, acrescenta Solon. 

De acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), municípios que possuem cooperativas apresentam maior PIB Per Capita em 5,6%; índices superiores de emprego formal (+6,2%), salário médio (+ 1%), nível de empreendedorismo (+15,7%) e a cada R$ 1 de crédito são gerados R$ 2,45 para o PIB. “Quanto maior a representatividade, maior a nossa responsabilidade. Cooperativas, como a Sicredi Pioneira RS, têm a capacidade de prover desenvolvimento econômico, e quando isso ocorre, fomentam o desenvolvimento social também”, sintetiza.

Como fazer?

Mas como as cooperativas conseguem tais resultados? Mediante ações práticas e pela participação nas iniciativas colaborativas. Solon Stapassola Stahl exemplificou a criação do Painel do Turismo, onde a Sicredi Pioneira RS reúne uma equipe multidisciplinar para debater e levantar questões que possam contribuir com o turismo na região dos 21 municípios que congregam a cooperativa. 

Ainda conta com a parceria do Sebrae (regional Serra e Sinos) na capacitação da gestão empresarial de seus associados; é um dos membros que está constituindo o CONTUR da Região das Hortênsias, que será fundamental para um olhar regional e integrado do turismo; associou-se à Rota Romântica; conseguiu implementar uma linha de crédito que já formalizou o empréstimo de R$ 150 milhões para empresas do setor somente em Gramado, Canela, São Francisco de Paula e Nova Petrópolis. 

Além disso, foi peça fundamental para criação de um novo roteiro, o Vale Germânico, que liga toda região do Vale dos Sinos, de colonização predominantemente alemã. “Juntos aprendemos mais e podemos realizar coisas incríveis”, entusiasma-se Solon, ao assegurar que a cooperação pode, sim, acontecer em meio à concorrência. “Competir é saudável, estimula a inovação, nos faz sermos melhores. Quem sabe não podemos instituir uma ‘coopetição’? Cooperar, competindo”, aponta.