Canela,

15 de junho de 2026

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Opinião | Francisco Rocha

Déjà-vu : das Trevas ao Ofício de Trevas

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Fotos: Acervo Folha de Canela
Fotos: Acervo Folha de Canela

Minha primeira participação nos eventos de Canela, na área da comunicação, foi na Páscoa de 1997, como assessor de imprensa da Prefeitura de Canela. Em março de 1998, fiz foto do descerramento da fita inaugural do Centro de Feiras, que tinha a Chocofest como plano de fundo, em sua primeira edição em Canela.

Lembro-me de ter feito a cobertura do Ofício de Trevas, que teve como grande estrela o cantor Edson Cordeiro.

Em 2025, pelo menos um Déjà-vu positivo: o Ofício de Trevas.

Por muitos anos, nossa cidade investiu na Páscoa em Canela, esquecendo daquilo que deu certo e foi destaque por muitos anos, a Semana Santa de Canela, que explorava o lado religioso da data, com apresentações culturais que encenavam as estações de Cristo e é claro, culminava com o Ofício de Trevas na Catedral.

Com produção, direção e atores locais, nosso Município se destacava nesta data, tornado o que fazíamos aqui, no feriado religioso, diferente do que era feito em outras cidades.

O que Canela terá que fazer para resgatar seu potencial cultural é assunto para uma tese de doutorado, tamanha a distância do que se tem hoje e do que já se fez no passado.

Joãozinho Silveira, as trevas o voto e a crítica

Seguidamente, nós da imprensa, somos interpelados pelos leitores. “Porque a imprensa não denunciou”? “Porque a imprensa não deu mais destaque a este fato”? Ou então, “a imprensa está sendo parcial”.
É sempre assim, alguém cria o fato, mas a culpa é da imprensa que noticiou ou deixou de noticiar algo.
Na semana que passou, o assunto central da cidade foi a denúncia de suspeita do desvio de materiais de construção de uma casa popular, pelo vereador Joãozinho Silveira.

A Polícia Civil investigou, o MP concordou e a Justiça mandou prender. A imprensa, a imprensa noticiou e emitiu opinião.

Nas notícias, houve comentários do tipo: a imprensa tem que avisar fulano. Comentário este publicado na matéria que teve destaque e mais de 100 mil visualizações. Aí eu me pergunto, ainda preciso avisar alguém?

Déjà-vu, não lhe parece que você já viu este filme?

Déjà-vu é a sensação de já ter vivido uma situação que está acontecendo no presente. A expressão é francesa e significa “já visto”.

O déjà-vu pode ser causado por uma troca de informações errônea no cérebro. Mas, juro, cara leitora e caro leitor, nas últimas semanas eu sento para escrever minha coluna e tenho déjà-vus aos “quilos”.
Já critiquei a Corsan, já falei de ginásio, já publiquei vereador preso, já critiquei a falta de transparência e de diálogo da Prefeitura.

É tanto Déjà-vu que parece que minhas colunas de opinião deixaram de ser “pocket show” para a regravação de uma série de terror, com diversas temporadas.

Meu medo é que o roteiro original seja mantido, logo, já sabemos o final.

Por outro lado, se lembrarmos do que fomos, do que erramos e do que acertamos, há esperança de fazer diferente.