Família acompanha inquérito policial e cobra mais segurança no trânsito de Canela
A última quarta-feira (3) marcou um dos episódios mais graves registrados no trânsito de Canela nos últimos tempos. Por volta das 18h, uma jovem de 21 anos e sua filha, de 1 ano e 11 meses, foram atropeladas sobre a faixa de segurança, na Avenida Osvaldo Aranha, no Centro da cidade.
A mãe, identificada pelas iniciais G.H.S., foi atingida por um Honda HR-V branco, conduzido por uma mulher de 74 anos, moradora de Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Segundo relatos de testemunhas, o veículo chegou a percorrer cerca de três metros sobre as vítimas, só sendo interrompido após alertas de populares que presenciaram a cena.
O atropelamento gerou comoção imediata. Pessoas que estavam no local ergueram o veículo manualmente para retirar mãe e filha debaixo do carro. A bebê foi socorrida e encaminhada ao Hospital de Caridade de Canela (HCC).
A ocorrência mobilizou Brigada Militar, SAMU e Corpo de Bombeiros. A mãe também foi levada ao HCC, onde permanece internada. Ela sofreu fratura de quadril, fratura de tornozelo e pneumotórax, e aguarda estabilização do quadro pulmonar para a realização das cirurgias ortopédicas.
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A criança sofreu traumatismo craniano, precisou ser entubada e foi transferida ao Hospital Geral de Caxias do Sul. Após uma semana de internação, a bebê recebeu alta médica na quarta-feira (10) e está sob os cuidados de uma tia, com apoio dos avós maternos.
O caso foi registrado como lesão corporal culposa no trânsito e é apurado por meio de inquérito policial na Delegacia de Polícia de Canela.
Família fala em milagre e cobra responsabilização
A família é acompanhada pelo advogado Márcio Seabra, que concedeu entrevista à reportagem da Folha. Segundo ele, a condutora do veículo não procurou a família e não prestou qualquer tipo de auxílio até o momento. Todo o socorro inicial, conforme relatado, partiu de populares e dos órgãos de segurança.
Apesar da gravidade do ocorrido, a família considera um milagre a recuperação da bebê, que, embora tenha sofrido escoriações no rosto por ter sido arrastada no asfalto, não apresentou sequelas graves até o momento.
Seabra mantém contato frequente com o esposo da vítima e com os pais de G.H.S. A família tem se revezado nos cuidados com a criança e com a mãe, que segue internada por tempo indeterminado.
“Ela me relatou que o carro vinha devagar e que conseguiu ouvir os ossos do tornozelo quebrando”, afirmou o advogado.
Segundo ele, a família tem plena consciência de que se trata de um crime de trânsito, com penas previstas em lei, mas entende que a condutora deve ser responsabilizada.
“Eles sabem que a pena não é alta, mas acreditam que o mínimo é a suspensão da CNH. Não se pode tratar um caso desses como algo menor”, destacou.
Para a família, uma punição exemplar também teria caráter educativo, sobretudo em cidades como Canela e Gramado, que enfrentam alto fluxo de veículos, especialmente em períodos de alta temporada, e já registraram outros atropelamentos em faixas de segurança.
“Hoje a família tem uma mãe hospitalizada e um bebê longe dos pais, com questões de saúde a serem acompanhadas. Elas apenas passeavam pelo centro de Canela. É assustador ouvir os relatos e lembrar dos gritos de quem presenciou a cena”, concluiu Seabra.