Chega o fim do ano e a gente acaba fazendo um balanço da vida. Onde evoluímos, o que deixamos a desejar, metas que traçamos lá em Janeiro e não cumprimos, além das coisas que apareceram no caminho e acabamos abraçando. Já diria o comediante Afonso Padilha: “a vida não tá nem aí para o teu planejamento”. E é bem assim mesmo. Pedras aparecem, algumas pequenas, outras gigantes, e a gente precisa passar por cima delas (ou detonar, dependendo do tamanho, não é mesmo?).
Um governo, seja municipal, estadual ou federal, começa o ano cheio de intenções — afinal, é para isso que foi eleito. No primeiro ano de mandato, então, o tanque está cheio. Diversas promessas de campanha precisam começar a sair do papel, a equipe está pilhada e novos horizontes se anunciam para os eleitores. Mas teoria e prática nem sempre são amigas. Rotas precisam ser corrigidas, pessoas muitas vezes não correspondem e o resultado pode ser diferente da expectativa. Geralmente fica aquém, mas às vezes a surpresa é positiva.
Como sempre escrevo sobre nosso governo municipal neste espaço, resolvi convidar diversas pessoas da cidade para avaliarmos juntos o governo Gilberto Cézar. Foram 21 entrevistados de diferentes segmentos da sociedade: empresários, profissionais liberais, imprensa, agentes culturais e turísticos. Dividi o texto em três partes: pontos positivos, negativos e conclusão. Sempre lembrando que isso não é uma pesquisa científica, mas um olhar plural.
A Parte Positiva
Os elogios se concentraram em alguns aspectos. O prefeito Gilberto foi destacado pela insistência na busca de recursos federais e estaduais. Um dos entrevistados afirmou: “As viagens de Gilberto Cézar a Brasília geralmente trazem retorno em forma de emendas para a cidade, coisa que pouco víamos no passado”.
O governo tem nas secretarias de Obras e Trânsito seus maiores destaques. Nominalmente, César Prux e Adriel Buss foram elogiados pela maioria dos entrevistados. Outro participante ressaltou: “A administração municipal realizou avanços importantes, especialmente na reforma de escolas e creches e na retomada do Parque do Palácio para uso da população, uma conquista histórica”.
Aliás, o legado do governo dos “Gilbertos” até agora é justamente a doação do Parque do Palácio ao município e a retirada do camelódromo da lateral da Igreja, ação citada por praticamente todos. A boa relação entre prefeito e vice também foi lembrada como ponto positivo.
A maioria dos entrevistados deu um voto de confiança ao governo por se tratar do primeiro ano e por ter recebido o orçamento do antecessor. No turismo, os elogios ficaram concentrados na Festa Colonial e na limpeza dos espaços públicos centrais.
A Parte Negativa
As críticas também apareceram. Os principais pontos foram a constante troca de nomes no primeiro escalão, a recusa do prefeito em dialogar com setores importantes como cultura, gastronomia e indústria, além do pouco caso com o esporte.
Um dos entrevistados resumiu: “O candidato decidido, corajoso e que sabia exatamente o que Canela precisava se tornou um prefeito sem coragem para atacar os problemas da cidade, passando a impressão de ficar mais tempo nas redes sociais do que governando”.
A propósito, o uso das redes sociais foi citado negativamente por boa parte dos entrevistados, que entendem que Gilberto Cézar acaba mostrando nas suas uma administração que não condiz com a realidade do município. Também foi lembrada a morosidade em projetos como a reforma da Casa de Pedra, o Teatrão e o Centro de Feiras, além da falta de diálogo com os desportistas sobre o Ginásio Municipal.
O turismo foi apontado como preocupante: a troca de dois secretários em menos de um ano, o cancelamento de parte da programação de Páscoa, o não acontecimento do Teatro de Bonecos e o atraso na decoração de Natal foram citados.
Na saúde, as dificuldades do hospital foram lembradas, mas os entrevistados reconheceram que o problema transcende a gestão atual. Politicamente, foi destacada a falta de traquejo do prefeito com sua base, algo que precisa ser melhorado.
Finalizando
A média das notas atribuídas ao governo foi de 5,54 pontos. Digamos que, no primeiro ano, o prefeito Gilberto Cézar ficou de recuperação — ao menos na visão dos entrevistados.
Se eu pudesse resumir, diria que o ano ficou abaixo do prometido. Mas há expectativa de que diversas situações sejam resolvidas no próximo ano. O sinal para Gilberto Cézar é amarelo: ele precisa começar a entregar mais para a população neste segundo ano. Seja no turismo, seja fomentando outras matrizes econômicas, seja ouvindo melhor sua base.
A comunicação interna tem ruídos que precisam ser resolvidos. Além disso, a situação da Rota Panorâmica precisa avançar, o projeto do Ginásio Municipal tem que sair do papel e as reformas dos espaços públicos precisam começar.
Finalizo dizendo que minha percepção é de que muitos querem melhorar a nota dada à administração e torcem para que isso aconteça em 2026. Vamos ver como será.
Desejo a todos um grande 2026, e isso inclui o poder público. Que traga muita luz e, junto dela, a esperança de um novo e virtuoso ciclo!