Não é por acaso que o ex-prefeito de Canela por três mandatos, Constantino Orsolin, tem aparecido com frequência não apenas na mídia, mas também em lugares estratégicos. Nesta semana, foi visto no Parque do Lago com o ex-vereador Carlos Oliveira, que já esteve tanto a favor quanto contra ele em campanhas.
Constantino está fazendo aproximações, primeiramente, para sua já anunciada pré-candidatura a deputado estadual pelo MDB. Vai procurar membros de diversos partidos para tentar algo que não é fácil: eleger-se pela região das Hortênsias. O atual prefeito, Gilberto Cézar, chegou perto — fez exatos 19.279 votos e alcançou a segunda suplência do seu então partido, o PSDB. Gilberto, que esteve ao lado de Constantino em dois mandatos (um e meio, pois rompeu com a administração e renunciou), fez uma ótima votação para a época.
E é exatamente aí que precisamos entender o movimento do principal nome do MDB e um dos políticos mais influentes da história de Canela (goste você ou não dele). O movimento que Constantino faz não é apenas para 2026, mas também para 2028. E não sejamos inocentes em relação a isso: está tudo dentro das quatro linhas.
A eleição para deputado estadual conta com bons aportes do fundo partidário. Constantino terá acesso a muitos recursos que não terá, por falta de verba, em 2028, caso seja candidato a prefeito no próximo pleito. O fato é que isso gera ótima visibilidade e, obviamente, oportunidades para Orsolin — e ele não vai deixar isso passar.
Resta saber qual será o resultado disso nas urnas. Será que Constantino Orsolin, três vezes prefeito de Canela, consegue suplantar a votação que Gilberto Cézar fez? Isso também será um termômetro para 2028. E ainda: considerando que ele conquiste uma cadeira na Assembleia Legislativa, ficará os quatro anos ou se afastará para tentar retomar a prefeitura para o seu partido? Embora tudo ainda esteja no início, algumas coisas parecem evidentes. Mas a política é muito dinâmica, não é mesmo?
Falando em Dinâmica
O contexto político de Canela atualmente indica uma nova fase. Vamos começar pelo PSD. Assim como no nível nacional, onde o partido comandado por Gilberto Kassab aglutinou nomes como Ratinho Jr., Eduardo Leite e Ronaldo Caiado, em Canela a situação é parecida. Os nomes mais fortes do PSD eram o do vereador Jone e dos ex-vereadores Alfredo Schaefer e Jeferson Oliveira. Agora, já temos os dois principais candidatos à prefeitura em 2024 na mesma sigla: Gilberto Cézar e Marcelo Savi. E devem engrossar as fileiras do partido ainda nomes da atual legislatura quando a janela partidária abrir — um dos confirmados é Felipe Caputo. Outro que pode ir para lá é Leandro Gralha, que está em colisão com seu atual partido. O PSD se fortalece no contexto local.
O MDB, por outro lado, ainda lambe suas feridas. Por mais que tenha feito cinco vereadores, mesmo tendo obtido menos votos que em 2020, a eleição deixou marcas que, de certa forma, não cicatrizaram. Além dos já citados Marcelo Savi e Leandro Gralha, o ex-vereador e candidato a vice na última eleição, Luciano Melo, saiu do partido de forma complicada — outro que pode ir parar no PSD, inclusive. O nome forte do MDB segue sendo Constantino Orsolin, que tem capital eleitoral próprio, além de o partido possuir núcleos de bairro fortes. Mas a sigla vai precisar agregar nomes para competir de frente com o PSD.
O PDT, por sua vez, segue sua toada de crescimento. Tem dois vereadores atuantes, uma base interessante nos bairros e conta com o trabalho do vice-prefeito Gilberto Tegner, que aglutina bastante. A próxima janela partidária pode trazer novos nomes ao partido; existe um namoro com dois vereadores do PSDB e com suplentes do MDB.
Já o Progressistas paga pelas escolhas equivocadas na última eleição. Poderia ter feito um ou até dois vereadores se tivesse, por exemplo, colocado a candidata a prefeita, Cristina, como cabeça da nominata à vereança. O partido tem a Federação com o União Brasil, a nível nacional, como algo positivo. Agregaria, em uma campanha, o atual secretário Adriel Buss, que, se estivesse em uma chapa como a última do partido, teria sido eleito. O momento do Progressistas é de novas ideias e novos nomes. Pode surgir como aliado de algum lado no próximo pleito, mas resta saber se fará boas escolhas. Pegou muito mal para boa parte dos progressistas “raiz” uma suposta aproximação do partido com seu rival histórico, o MDB no último pleito.
Por fim, o PSDB. O partido já perdeu seu principal nome, o atual prefeito, e deve perder a maioria dos vereadores. Assim como nos níveis nacional e estadual, a sigla tende a se enfraquecer. Não vejo, neste momento, um futuro promissor para o partido, que cresceu muito nas últimas eleições. A tendência agora é não conseguir fazer um vereador na próxima.