Canela,

23 de fevereiro de 2026

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EDUCAÇÃO FINANCEIRA

Juliana Alano

Decisões pequenas também custam caro

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Caro leitor, quando se fala em prejuízo, a maioria dos empresários pensam em grandes erros: um investimento que não deu retorno, um cliente inadimplente, uma queda brusca nas vendas. Mas a verdade é que, na maioria das empresas, o dinheiro não vai embora em grandes tragédias — ele escorre silenciosamente pelas decisões pequenas do dia a dia:

– Um desconto concedido sem cálculo.

– Um preço definido “olhando o concorrente”.

– Uma contratação feita pela urgência, não pela necessidade.

– Um prazo estendido para “não perder o cliente”.

– Uma agenda cheia de tarefas, mas vazia de estratégia.

Nenhuma dessas decisões, isoladamente, parece grave. O problema é o conjunto. É a repetição. É o hábito de decidir sem números, sem análise e, muitas vezes, sem consciência do impacto financeiro que aquilo gera.

Empresas raramente quebram de uma vez. Elas se enfraquecem aos poucos. Pois, cada vez que o empresário decide pelo caminho mais fácil, mais rápido ou menos desconfortável, ele está escolhendo também um resultado financeiro — mesmo sem perceber.

Toda decisão tem custo. Algumas aparecem no caixa imediatamente. Outras chegam disfarçadas meses depois, na forma de margens apertadas, estresse constante e sensação de que se trabalha muito para ganhar pouco.

Outro erro comum é tratar decisões operacionais como se não fossem estratégicas. Trocar de fornecedor sem comparar contratos, aceitar qualquer tipo de cliente, não revisar processos antigos, manter serviços que não dão lucro “porque sempre foi assim”. Pequenas escolhas mantidas por comodismo custam mais caro do que decisões difíceis tomadas no momento certo.

E existe ainda um fator silencioso: a solidão do empresário. Decidir sozinho aumenta — e muito — o risco de errar. Quando não há troca, confronto de ideias e análise externa, a tendência é repetir padrões, justificar escolhas ruins e normalizar resultados medianos.

É justamente por isso que ambientes de troca, como a Central de Negócios, fazem tanta diferença. Quando empresários sentam juntos para conversar sobre números, decisões e desafios reais, aquilo que parecia “normal” começa a ser questionado. E decisões que antes eram tomadas no impulso passam a ser feitas com mais clareza, método e visão de longo prazo.

A boa gestão não está nas decisões grandiosas que aparecem em palestras inspiradoras. Ela está nas escolhas invisíveis feitas toda semana: no preço que você sustenta, no cliente que você escolhe atender, no tempo que você dedica ao que realmente gera resultado.

No fim do mês, o caixa não reflete o quanto você se esforçou. Ele reflete o quanto você decidiu bem, pense nisso!