Investigação aponta que R$ 140 mil de ex-abrigada, benefício por ser pessoa com deficiência, estavam na posse dos diretores
Conforme revelado com exclusividade pela Folha de Canela, a Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira (2), a Operação Casa Lar, com o objetivo de apurar possíveis ilícitos penais relacionados à gestão de recursos financeiros destinados a adolescente acolhida institucionalmente.
A investigação apura a suposta apropriação indevida de valores oriundos do Benefício de Prestação Continuada (BPC), previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), benefício assistencial destinado a pessoa em situação de vulnerabilidade que estava abrigada na Casa Lar de Canela.
Prisões em flagrante
Durante a operação, foram presos em flagrante dois diretores da entidade responsável pela administração da Casa Lar. A prisão ocorreu porque, no momento do cumprimento dos mandados de busca, teria sido constatado que ambos ainda estariam na posse indevida de valores que deveriam estar depositados na conta-corrente da ex-abrigada.
A vítima, que atualmente não reside mais em Canela, teria direito ao benefício por ser pessoa com deficiência.
Segundo o delegado Vladimir Medeiros, titular da Delegacia de Polícia de Canela e responsável pela investigação, o valor apurado até o momento gira em torno de R$ 140 mil, quantia pertencente exclusivamente à ex-acolhida.
A autoridade policial destacou que, neste momento, a investigação não abrange contas da entidade, recursos públicos municipais ou estaduais, tampouco doações privadas, limitando-se aos valores de titularidade da ex-abrigada.
Mandados e apreensões
Além das prisões, foram cumpridos mandados de busca e apreensão:
- Na sede da Casa Lar de Canela;
- Na entidade mantenedora (Associação Evangélica);
- Em residências dos investigados;
- E em endereço vinculado a profissional da instituição.
Ao todo, foram realizadas buscas em seis endereços, todos em Canela.
Durante as diligências, foram apreendidos documentos, dispositivos eletrônicos e valores em espécie, considerados relevantes para a apuração dos fatos.
Afastamento judicial
A pedido da Polícia Civil, o Poder Judiciário determinou o afastamento cautelar dos dois investigados da direção da entidade, bem como de uma profissional técnica vinculada à instituição, pelo prazo de 180 dias.
A medida tem natureza cautelar e visa preservar a instrução criminal, garantir a proteção das crianças e adolescentes atualmente acolhidos e impedir eventual reiteração de condutas.
Identificação dos presos
Embora as autoridades não tenham divulgado oficialmente os nomes, a reportagem confirmou que os gestores presos são o pastor Paulo Daniel Fernandes Terra e sua esposa Rosane Preto Terra.
Investigação segue sob sigilo
A investigação permanece em curso e tramita sob sigilo, com o objetivo de esclarecer integralmente os fatos e promover eventual responsabilização penal, caso confirmadas as hipóteses apuradas.
O delegado Vladimir Medeiros reiterou o compromisso da Polícia Civil com a proteção integral de crianças e adolescentes e com a defesa dos recursos assistenciais destinados à população em situação de vulnerabilidade. Também destacou o pronto atendimento da representação policial pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário de Canela.
O espaço permanece aberto para manifestação da defesa dos investigados e da direção da instituição.