Uma das obras mais polêmicas realizadas em Canela nos últimos anos já começou, enfim, a cumprir a sua finalidade. Falo do novo quartel do Corpo de Bombeiros, junto ao Parque do Lago.
Confesso que nunca havia entrado no prédio. Via a estrutura apenas de fora, de relance, como quem passa ao lado, e tinha a impressão de que ainda faltava muito para que aquilo se tornasse realmente útil à comunidade.
Mas, a convite do próprio Corpo de Bombeiros, fui conhecer o espaço. E saí de lá surpreso.
O prédio não apenas está com algo em torno de 99% de sua estrutura concluída, como já vem sendo utilizado pelo pelotão, ainda que de forma provisória. E não estamos falando de qualquer obra. O novo quartel é amplo, moderno e muito bem pensado.

Há sala de assepsia com estrutura adequada para higienização de materiais utilizados em ocorrências com sangue e outros agentes contaminantes, evitando, inclusive, que a água vá para o esgoto comum sem o devido tratamento. Há alojamentos, cozinha, sanitários, vestiários, academia, espaço para palestras e treinamentos, áreas administrativas, espaço para o Bombeiro Mirim e muito mais.
É, sem exagero, um projeto de primeiro mundo. Uma estrutura à altura do serviço que o Corpo de Bombeiros de Canela já presta há anos à comunidade e que agora tende a ganhar ainda mais qualidade.


O que falta para a conclusão definitiva? Pelo que pude apurar, detalhes. Pequenas instalações elétricas e hidráulicas, rede lógica, gradis e acabamentos gerais. Nada que diminua a impressão muito positiva de quem conhece o local por dentro.
Segundo o comandante dos Bombeiros de Canela, tenente Miguel Oliveira de Souza, o abastecimento de água e energia elétrica deve ocorrer nos próximos dias, permitindo uma ocupação ainda maior da estrutura.
“O Poder Executivo tem nos ajudado muito nesta nova fase, em especial o vice-prefeito, Gilberto Tegner. O novo quartel é uma obra da Prefeitura, que tem se empenhado para que possamos estar o mais rápido possível operando nela. Nos resta agradecer a sensibilidade e todo o esforço para entregar essa nova estrutura ao nosso efetivo”, relatou Miguel.


A iniciativa privada também teve papel importante, com doações de equipamentos e acessórios, como o gradil externo e o elevador, que deverão ser instalados assim que o prédio contar com energia elétrica.
“Empresários entendem o papel dos Bombeiros em nossa sociedade e sempre estiveram ao nosso lado nesta caminhada”, acrescentou o comandante.
Hoje, os Bombeiros de Canela ocupam uma área alugada. Com a mudança para o novo quartel, os equipamentos passarão a contar com espaços adequados de armazenamento e o efetivo terá uma estrutura muito mais digna para trabalho e plantões estendidos.
Até aqui, tudo muito bom.


A Rua da Discórdia
Mas como Canela dificilmente consegue viver só de boas notícias, questionei sobre a rua — ou alameda, ou servidão, ou seja lá qual for o nome tecnicamente mais elegante para aquela via que deveria ligar a Avenida do Lago à Rua Tio Elias, bem no final do Parque do Lago e em frente ao novo quartel.
Segundo os Bombeiros, quando pronta, essa ligação deve agilizar muito a saída das viaturas e o atendimento às ocorrências. Ainda assim, me foi informado que é plenamente possível operar temporariamente pelos fundos do quartel.
Não quis me alongar demais na discussão, mas ouvi no famoso rádio-corredor que o problema para a execução da via estaria na aprovação do projeto, já que ali passa um canal responsável por levar água de macrodrenagem ao lago. Seria esse o entrave da vez.
Compreendo.
E acho justíssimo. Deve ser algo pontual. Afinal, a secretaria responsável por esse tipo de aprovação tem fama de extrema agilidade, bom senso absoluto e jamais, em hipótese alguma, atrasaria uma obra por ranço ambiental, excesso de zelo seletivo, pensamento intrusivo verde ou burocracia ornamental.
Isso nunca aconteceu em Canela. Nunca. E certamente não seria agora, ainda mais em se tratando de uma estrutura voltada ao atendimento de emergências.
Além disso, todos sabemos que esse curso d’água é uma nascente intocada, cristalina, livre de qualquer intervenção humana, e que em Canela não existem vias cruzando cursos d’água, nem pontes, nem travessias, nem flexibilizações quando há interesse suficiente em resolver o problema.
Logo, seria mesmo um absurdo cogitar uma rua naquele ponto, ainda que para facilitar a saída de veículos de emergência.