Espetáculo que coloriu as ruas de Canela também mobilizou cerca de 180 pessoas e movimentou a economia criativa da cidade e da região
Quem assistiu ao Desfile Encantos da Páscoa pelas avenidas Felisberto Soares e Osvaldo Aranha viu cor, alegria, performance e interação com o público. Mas o que apareceu na rua foi só a parte mais visível de uma engrenagem bem maior. Por trás do espetáculo, houve trabalho, planejamento, talento e uma cadeia inteira de profissionais que ajudou a transformar a magia da Páscoa em movimento econômico para Canela e região.
Ao longo de cinco desfiles realizados entre 21 de março e 18 de abril, o evento não apenas encantou moradores e visitantes, mas também mostrou como a arte pode ser ofício, renda e oportunidade. Conforme informações repassadas pelo diretor geral Luiz Alves à Folha, a realização do desfile envolveu cerca de 180 pessoas, entre participações diretas e indiretas, reunindo profissionais de Canela e Gramado em diversas áreas.
Só o elenco contou com mais de 90 pessoas, além de seis coreógrafos e ensaiadores. Na produção operacional, uma equipe de 36 profissionais atuou em funções como camarim, elementos de cena, higienização, acondicionamento de materiais e figurinos, transporte, contrarregragem, cenografia, maquiagem, apoio e suporte técnico. Na confecção de figurinos e chapelaria, oito pessoas trabalharam diretamente. Já a parte estrutural mobilizou mão de obra de serralheria, marcenaria, pintura, transporte de elenco, logística de cenografia e outras frentes, somando cerca de 40 pessoas.

Na prática, isso significa que o desfile foi muito mais do que uma atração artística. Ele ativou uma rede de profissionais que vive do fazer cultural e técnico. Gente que costura, pinta, monta, ensaia, transporta, produz, organiza e dá forma ao que o público vê pronto. É esse bastidor, muitas vezes invisível, que sustenta o brilho do espetáculo.
O impacto também chegou ao comércio local. Segundo o material enviado à reportagem, a matéria-prima utilizada na proposta foi adquirida na própria cidade, beneficiando estabelecimentos com a compra de itens de decoração, materiais para figurinos, maquiagens, ferragens, equipamentos de sonorização, fretes, alimentação, água, tintas, ferramentas e outras necessidades da produção. Ou seja, o desfile ajudou a girar a roda em diferentes pontas, da criação artística ao balcão da loja.
É justamente nesse ponto que o evento ganha um significado ainda maior. Quando se fala em arte, muita gente pensa apenas no palco ou na avenida. Mas por trás de cada cena existe trabalho real, com impacto real. O Desfile Encantos da Páscoa mostrou que cultura também é cadeia produtiva, também gera renda e também ajuda a aquecer a economia, especialmente em uma cidade que vive do turismo, da criatividade e da capacidade de transformar experiência em valor.

Mais do que um momento de ludicidade e encantamento, o desfile reafirmou que investir em arte é também investir em pessoas. Em quem cria, em quem executa, em quem fornece, em quem vende e em quem encontra nesse tipo de produção uma forma de sustento e reconhecimento.
Realizado pela Prefeitura de Canela, por meio da Secretaria de Turismo, com direção geral de Luiz Alves e produção geral da Inventiva Produções Artísticas, o Desfile Encantos da Páscoa deixou uma mensagem que vai além da temporada. A arte emociona, sim. Mas também emprega, movimenta e transforma. Em Canela, o encanto passou pela avenida, mas o trabalho ficou pulsando por toda a cidade.





