Operação Casa Lar tem novo desdobramento e reforça gravidade das investigações
A Polícia Civil de Canela prendeu, na tarde desta semana, um dos ex-dirigentes da Casa Lar do município, em mais um desdobramento da Operação Casa Lar, que apura possíveis irregularidades na gestão de recursos assistenciais vinculados à instituição.
Apesar de as autoridades não revelarem a identidade do dirigente, a reportagem da Folha apurou que se trata do Pastor Paulo Terra.
O investigado já havia sido preso em flagrante no início da operação, sob suspeita de apropriação indevida de valores oriundos do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pertencentes a uma ex-abrigada. Posteriormente, ele havia sido colocado em liberdade mediante o cumprimento de medidas cautelares determinadas pela Justiça.
No entanto, conforme apurado pela Polícia Civil, o suspeito teria descumprido essas condições, o que motivou a nova prisão.
Segundo a investigação, há indícios de que o ex-dirigente continuou realizando movimentações financeiras e efetuando gastos em nome da entidade, mesmo após seu afastamento judicial da função e também após a primeira prisão.
Para a Polícia Civil, a conduta demonstra risco de continuidade das irregularidades e desrespeito às determinações judiciais.
O delegado Vladimir Medeiros, responsável pela investigação, destacou a gravidade da situação:
“Os elementos reunidos demonstram que, mesmo após intervenção judicial e medidas cautelares impostas, o investigado manteve condutas incompatíveis com as determinações legais, o que evidencia risco concreto de reiteração delitiva. A atuação da Polícia Civil busca não apenas responsabilizar eventuais ilícitos, mas, sobretudo, garantir a proteção integral das crianças e adolescentes vinculados à instituição.”
O suspeito foi novamente encaminhado ao sistema prisional, onde permanece à disposição da Justiça.
Relembre o caso
A Operação Casa Lar, deflagrada pela Polícia Civil de Canela no início de março, investiga a suposta apropriação indevida de cerca de R$ 140 mil pertencentes a uma ex-abrigada da Casa Lar, valores oriundos do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Na ocasião, foram presos os então gestores da entidade, além do cumprimento de mandados de busca e apreensão em diversos endereços no município.
A investigação apontou que os valores deveriam estar depositados e preservados para a beneficiária, mas teriam sido utilizados de forma irregular.
Também foi determinado pela Justiça o afastamento dos gestores da direção da instituição pelo período de 180 dias, medida que levou o município a iniciar processo de intervenção administrativa para garantir o funcionamento do abrigo.
Após a operação, surgiram ainda novas denúncias envolvendo possíveis irregularidades em benefícios de outros abrigados, que seguem sob análise da Polícia Civil.