Bom, não era a ideia, mas vou ter que voltar ao tema.
A coluna da semana passada gerou exatamente o que prevíamos: reação.
Teve quem usava a expressão de forma negativa e se sentiu diretamente atingido.
E tudo bem. Faz parte.
Tem mais: rede social não está nem aí se o comentário é positivo ou negativo.
Para ela, é tudo a mesma coisa. É engajamento.
Então, no fim das contas, goste ou não de mim… não deixe de engajar. Obrigado por ajudar o algoritmo.
Mas, falando sério.
Me chamou atenção o fato de que uma parte dos comentários entendeu que não se podia criticar a Prefeitura. Outra parte achou que eu estava defendendo a Prefeitura.
Cheguei a reler a coluna. Vai que eu tinha me expressado mal.
Mas não.
Deixei claro que não era sobre política.
O que essa experiência mostrou é que muita gente ainda tem dificuldade de separar o que é público do que é privado.
Abre um empreendimento e aparece alguém criticando a saúde.
Surge um evento e vem cobrança sobre outro setor.
Empreendimento privado não responde por falha de serviço público, e vice-versa. Misturar isso só embaralha a cobrança.
O setor público precisa ser cobrado, sim.
Mas o privado precisa ser valorizado quando faz bem feito.
E Canela é muito mais que a Prefeitura.
Aliás, essa é uma crítica recorrente minha: a expectativa de que o poder público resolva tudo, como se fosse pai de todo mundo.
Outro erro comum é transformar político em ídolo ou salvador da pátria.
Políticos passam.
Gestões passam.
A cidade permanece.
E ela permanece porque é feita de pessoas e de empresas que movimentam a economia e fazem o dia acontecer.
Era disso que eu estava falando.
Das pessoas, das empresas e das coisas boas de Canela. E, acredite, são muitas.
São essas coisas que, na minha visão, representam Canela sendo Canela.
E tem mais um ponto curioso! Depois da coluna da semana passada, vi agentes públicos, como o prefeito e o vice, citando “Canela sendo Canela” para fatos positivos.
Sinal de que a pauta pegou. E isso, do ponto de vista editorial, é positivo.
Mas vale o registro: não é slogan de governo.
É leitura de cidade, construída editorialmente neste espaço e que pertence à comunidade.
Nasci aqui, amo minha cidade e vou defendê-la sempre.
Até porque tem muito comentário de rede social carregado de certeza… e vazio de realidade.
Tem muito “especialista” que nunca sentiu o peso de fechar um mês, de pagar uma DARF, de manter uma empresa de pé. E, quando paga, o CNPJ nem é daqui.
Ou seja, na prática, é simples: valorizar o que funciona, cobrar o que precisa melhorar e separar o que é de cada um.
Por exemplo…
Na pandemia, quando a vacina começou a chegar no braço da população, os profissionais da saúde eram heróis. Recebiam homenagens.
E hoje?
Viveram o suficiente para se tornar vilões? Parafraseando o Batman.
Aqui na Folha é parecido.
Quando publicamos o nome de político preso, somos elogiados.
Na semana seguinte, uma opinião já nos coloca no colo do prefeito.
Fico na dúvida:
É bipolaridade?
Falta de noção da realidade?
Ou só não aceitam que dá para trabalhar com o setor público e com a iniciativa privada sem vestir o boné de partido?
E a comparação com Gramado?
Canela não é Gramado.
Gramado está algumas prateleiras acima da maioria das cidades do Brasil.
Mas isso não diminui Canela.
Pelo contrário.
Se você não concorda com isso, ou não conhece Canela… ou não conhece outras regiões do país.
Temos problemas? Claro.
Mas também temos vantagens, inclusive de estar ao lado de Gramado, que é referência e motor de turismo.
Sou parceiro para levantar problemas e buscar soluções. Sempre fui.
Mas cada coisa na sua caixinha.
E, sim, vou seguir levantando pautas positivas da nossa terra, da nossa gente e dos nossos empreendedores, ao mesmo tempo cobrando forte assuntos de interesse da população. Mas, pautas realmente comunitárias, não partidárias, nem individualistas.
Porque Canela é isso. E eu pretendo continuar vivendo por aqui, sem nenhum incômodo, se é que você me entende.