Canela,

13 de junho de 2026

Especial Dia do Trabalhador

DIA DO TRABALHADOR

ESPECIAL

Entre cascos, fogo e tradição: o trabalho de quem ajuda a manter viva a cultura do cavalo em Canela

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Casqueador e ferrador, Dialy Eder Bueno atua em uma das profissões mais antigas do mundo e vive uma rotina intensa na preparação dos animais para eventos como a Cavalgada da Fé

Enquanto muita gente se prepara para o feriado de 1º de Maio, Dialy Eder Bueno encara a semana em ritmo acelerado. Aos 39 anos, o canelense vive dias de agenda cheia, ferramentas na mão e atenção redobrada com os animais que irão participar da Cavalgada da Fé, evento que abre a programação da 66ª Romaria de Caravaggio em Canela. Antes de os cavalarianos entrarem no desfile, há um trabalho silencioso, técnico e fundamental acontecendo nos bastidores. É ali que entra a profissão de Dialy.

Casqueador e ferrador, ele atua em uma das funções mais antigas do mundo, daquelas que atravessaram séculos e seguem atuais, valorizadas e necessárias. Em uma região como a nossa, onde a tradição gaúcha continua forte, os torneios de laço mobilizam público, os desfiles de cavalarianos mantêm viva a cultura campeira e muitos proprietários investem em animais de raça e de alta performance, cuidar dos cascos deixou de ser apenas um detalhe. Virou sinônimo de saúde, rendimento e proteção para o animal.

Dialy sempre teve ligação com cavalos. O convívio com esse universo vem de muito antes da profissão. Mas foi há cerca de seis anos que ele passou a desenvolver o trabalho com mais técnica, estudo e aprofundamento. Hoje, atende desde demandas mais simples de casqueamento até serviços mais complexos, com uso de forja para a confecção de ferraduras ortopédicas.

O que antes muitos imaginavam ser apenas um serviço braçal, hoje exige conhecimento cada vez mais refinado. O próprio profissional resume bem essa realidade ao afirmar que o mercado exige estudo constante, já que muitos dos animais atendidos têm alto valor e desempenho elevado. Não é exagero. Um casqueamento mal feito ou uma ferradura inadequada podem comprometer desde o conforto do animal até sua performance em eventos, cavalgadas e competições.

Na prática, o trabalho de Dialy é itinerante. Ele atende, em geral, a domicílio, levando os equipamentos até onde o cavalo está. Bigorna, forja, ferramentas e conhecimento viajam junto com ele. O cenário muda, o animal muda, a necessidade muda, mas a responsabilidade é sempre grande. Cada atendimento pede observação, técnica e sensibilidade.

Em períodos de maior movimento, como os que antecedem grandes eventos, a rotina chega a ser puxada. Dialy conta que pode atender até 10 animais por dia. Em tempos normais, a média costuma ficar em até cinco cavalos por jornada, respeitando o tempo e o cuidado que cada caso exige. O manejo precisa ser periódico, geralmente a cada 40 dias, para proteger o animal e manter a saúde dos cascos em dia.

Por trás desse trabalho existe também gratidão. Dialy reconhece que a profissão foi sendo construída com ajuda de pessoas experientes e respeitadas no meio. Ele não esconde que o cavalo sempre foi o caminho, mas faz questão de lembrar que recebeu apoio de profissionais renomados para chegar ao nível em que atua hoje. Em um ofício tão antigo quanto especializado, ninguém cresce sozinho. Há tradição, há troca e há uma espécie de passagem de conhecimento que ainda mantém viva a alma da profissão.

No fundo, a história de Dialy ajuda a lembrar que o Dia do Trabalhador também é feito dessas profissões que nem sempre estão sob os holofotes, mas sustentam parte importante da vida da comunidade. O ferrador não aparece no desfile, mas prepara o cavalo que vai desfilar. Não carrega a bandeira da tradição na mão, mas ajuda a mantê-la em pé com trabalho duro, técnica e dedicação.

Em Canela e na região, onde o cavalo ainda ocupa lugar de respeito na cultura e no campo, profissões como a de Dialy seguem firmes, atuais e valorizadas. E talvez seja justamente isso que torne esse trabalho tão bonito. Em tempos de tanta pressa e tanta modernidade, ainda há quem viva de um ofício antigo, com as mãos, com o fogo, com o ferro e com o cuidado. Não é só trabalho. É conhecimento, é responsabilidade e também é tradição.