O desejo de ser ter filhos e o sonho da maternidade sempre estiveram presentes na vida de Edna. Muito antes de imaginar como seria a rotina sendo mãe, ela já tinha a certeza de que construiria sua família por meio da adoção. O que não esperava era que esse sonho chegaria em “dose tripla”: três irmãos de uma só vez, que mudariam completamente sua vida.
Moradora de Canela, Edna se tornou mãe aos 29 anos. Em dezembro deste ano, a adoção completa nove anos. O que começou como o desejo de adotar até duas crianças acabou se transformando em uma história marcada por intensidade, conexão imediata e amor construído no dia a dia.

O início de uma nova família
Desde o início do processo, ela tinha certeza de que queria irmãos. Crescida ao lado dos seus, entendia a importância desse vínculo e não queria que um filho crescesse sozinho. Durante o período de habilitação para a adoção, entrou na fila com o perfil de crianças entre zero e sete anos.
Ao saber, através de um grupo de apoio à adoção em Canela, que três irmãos aguardavam uma família, o coração dela não teve dúvidas. “Eu simplesmente enlouqueci quando soube. Eu dizia: são eles, são eles! ”, relembra Edna. Como poucas famílias aceitavam grupos de irmãos na época, o processo fluiu rápido: em apenas três meses após a habilitação, a vida dela mudou completamente.
A convivência começou antes da guarda definitiva; durante um mês, Edna visitou diariamente as crianças no abrigo. No terceiro dia, já era chamada de “mãe”. No dia 23 de dezembro, os três chegaram oficialmente à família. Emily tinha seis anos, Melissa quatro, e o pequeno Enzo apenas sete meses de vida. O primeiro Natal juntos segue guardado como uma das lembranças mais especiais. “Foi o melhor Natal da minha vida”, comenta.
Uma nova rotina, uma nova vida
Hoje, quase uma década depois, Edna vive intensamente a maternidade. Emily está com 15 anos, Melissa com 13 e Enzo prestes a completar 10. Entre adolescência, escola, rotina da casa e trabalho, ela afirma que toda a sua vida passou a girar em torno dos filhos. “A minha vida é eles. Tudo o que eu faço, penso neles primeiro”, conta.
Para conseguir acompanhar mais de perto a rotina das crianças, Edna também precisou reorganizar sua vida profissional. Deixou o emprego com horário fixo e buscou uma profissão que permitisse mais flexibilidade. Atualmente, trabalha de forma autônoma na área da estética, conciliando os horários de atendimento com a rotina escolar dos filhos.
Ela também faz questão de falar sobre a maternidade sem romantização. Para Edna, educar filhos adotivos não significa tratar tudo com permissividade. “Tem que corrigir quando precisa, colocar limites, tirar o celular se for necessário. Eu sou mãe deles, exatamente como qualquer outra mãe”, afirma.
Uma troca de amor contínua
Ao longo desses anos, Edna ouviu repetidas vezes que “ganharia o céu” por ter feito uma “caridade”. Esse é um conceito que ela refuta com convicção. Para ela, a relação é de horizontalidade e preenchimento mútuo. “As pessoas dizem que eu vou para o céu pelo que fiz por eles. Mas não foi caridade. Foi uma troca. Eu fiz por eles e eles fizeram por mim. Tenho certeza de que não seria tão feliz se eles não estivessem comigo ”.
Neste Dia das Mães, a história de Edna mostra que maternidade não se mede por laços de sangue, mas pela conexão criada no afeto, no cuidado e na escolha diária de amar. Ela encontrou nos três não apenas os filhos que sempre sonhou, mas também a família que transformou completamente sua trajetória.
