A fé que atravessa gerações ganhou novos rostos e vozes neste sábado, 23 de maio, em Canela. Em meio à programação da 66ª Romaria e Festa em honra a Nossa Senhora de Caravaggio, a Jornada Diocesana da Juventude reuniu centenas de jovens vindos de cerca de 50 paróquias da Diocese de Novo Hamburgo, mostrando que a tradição religiosa segue viva entre as novas gerações.
Desde cedo, caravanas começaram a chegar ao município para participar da caminhada entre a Igreja Matriz e o Santuário de Caravaggio. Pelo caminho, cantos, orações, bandeiras, camisetas de movimentos e terços nas mãos davam o tom de um encontro marcado não apenas pela devoção, mas também pela convivência, amizade e sentimento de pertencimento.
Para muitos dos participantes, a caminhada vai além do ato religioso. É um momento de reencontro, partilha e fortalecimento da própria identidade dentro da Igreja. O assessor jovem da juventude diocesana, Rafael Mayer, conta que sua participação começou a partir do convite de amigos e, com o passar dos anos, acabou se transformando em uma missão dentro da organização do evento. “Todo ano o setor da juventude juntamente com os festeiros do santuário organizam a romaria e atividades ao longo do dia. A união da juventude mostra que a Igreja é viva e a Igreja é jovem”, afirma.
Segundo ele, o momento mais emocionante do evento acontece durante o percurso até o santuário. “Ver toda a juventude unida indo rumo ao mesmo objetivo, que é Jesus, emociona muito”, relata.
A jovem Maiara Barreto, moradora de Canela, acompanha a Romaria desde pequena. Primeiro ao lado da família, participando da tradicional celebração do dia 26 de maio, e depois integrada aos movimentos jovens da Igreja. “Comecei a participar da Procissão dos Jovens em 2016, por influência do Movimento Onda. Depois disso, passei a ir também com o pessoal do movimento e participei do trio elétrico da procissão”, conta.
Hoje, mesmo sem realizar a caminhada completa por atuar diretamente na animação do evento, ela diz que o que mais a motiva é testemunhar a alegria da juventude católica. “É muito bonito perceber como a Igreja é viva e jovem. Ver tantos jovens rezando o terço, cantando músicas da Igreja, dançando e sendo plenamente felizes em Deus é emocionante”, destaca.
Ao longo da caminhada, mesmo com o frio típico da Serra Gaúcha, o clima era de entusiasmo. Entre músicas, orações e momentos de reflexão, jovens e adultos seguiram juntos acompanhando a imagem peregrina da Mãe de Caravaggio até o santuário, onde participaram da missa campal presidida pelo bispo Dom João Francisco Salm.
Para Maiara, um dos momentos mais marcantes é justamente observar a multidão caminhando com o mesmo propósito. “A visão que tenho do caminhão é muito forte. Ver aquela fila enorme de pessoas seguindo Nossa Senhora, jovens com o terço na mão e camisetas dos seus movimentos, dá esperança. A gente percebe que a Igreja está em boas mãos”, afirma.
Ela acredita que a participação da juventude ajuda a quebrar a ideia de que grandes romarias são frequentadas apenas por pessoas mais velhas. “Muitos jovens vêm de outras paróquias e a juventude tem se movimentado muito nesse caminho de fé, sem vergonha de dizer: ‘Eu sou católico, apostólico, romano´. Vejo uma sede muito grande nos jovens, e essa sede sendo saciada pela Fonte da Vida ”, comenta.
Além da caminhada e da celebração religiosa, a programação teve momentos de integração cultural e musical. O show do DJ André Castro encerrou as atividades do dia reunindo os grupos em clima de animação e confraternização. Outro momento bastante aguardado pelos jovens foi a adoração ao Santíssimo Sacramento, apontada pelos entrevistados como uma das experiências mais profundas da jornada. “É bonito ver jovens que dançam, riem e se divertem, mas que também sabem contemplar, com seriedade e profundidade, o centro da vida deles: Jesus Cristo.”, resume Maiara.
Nos bastidores, a preparação para o encontro começa meses antes. Ensaios, organização das equipes, escolha das músicas e acolhimento das caravanas fazem parte do trabalho realizado pelo setor da juventude e pelos movimentos envolvidos. “A preparação começa no início do ano, com padres, tios e jovens com muita vontade de fazer acontecer. O mais marcante são as amizades que surgem e a união entre os grupos”, destaca Rafael.
Já Maira, que participa do movimento em Canela, descreve os preparativos como uma grande mobilização afetiva. “Na minha experiência com o trio elétrico, começamos a nos organizar cerca de dois meses antes. Escolhemos as músicas, marcamos ensaios e vivemos momentos cheios de amizade e risadas. Também existe uma expectativa muito grande para reencontrar amigos que vêm de longe. Aqui em Canela, nos preparamos para acolher quem vem de fora. ”, afirma.
Mais do que manter uma tradição religiosa, os jovens enxergam a Romaria como um espaço de transformação pessoal e coletiva. Para quem nunca participou, o convite é direto, é como encontrar uma família. “Só quem vai sabe”, resume Rafael.
